8.01.2009

Flores no ventre entre eu e a vertente, poética.


Pétalas caídas
despetaladas,
postadas, em cinza mortalha,
flores em palha,
pequenos resquícios,
do que um dia foram
nossos vícios,
amores e súplicios...
Flores restantes,
ainda vicejantes no ventre,
será que és tu uma pétala morta
ou apenas vidente?
Vai, me conta,
cada pétala,
cada conta que cai,
é um pouco do amor
que se vai, se esvai...
E só resta minha nudeza,
restante,
postada como livro
lido na estante
da tua alma,
como as flores,
espedaçadas,
cinzas espallhadas
no meu ventre
de ti distante,
( mais ainda resta,
uma única pétala em
fresca em festa,
vermelha vicejante,
em crença,
testemunha única
da tua presença,
meu preferido e imortal amante)


http://trovador.files.wordpress.com/2008/02/sensualidade.jpg

Eu criança...


http://mdemulher.abril.com.br/imagem/familia/interna-slideshow/am-fam-649-menina-calca-sapato-da-mae.jpg


Sempre me achei esquisita,
louca, bruxa, vidente, aflita,
Desde criança era estranha,
este sentimento sempre me entranha.

Andava vestida de menino,
subia na igreja e puxava o sino.
caia de árvore,
beijava o primo,
corria livre no campo
em desatino,
vivia em cores,
nunca em branco,
sentia amores,
mas só por encanto,
nunca ficava parada num canto.

Batia na porta,
e corria na rua,
Atirava com força,
pedra na lua.
Era brava, e boa de briga,
mas sempre era uma boa amiga.
Era aquela que sentava
no fundo,
falava, falava,
com todo mundo,
mas sempre bem me saía,
mesmo estudando na correria,
roubava escondida o sapato alto,
fazia corrida até cair o salto,
depois escondia atrás no porão,
para não sentir o peso da mão
da minha mãe me chamando no portão.
-Quem foi que quebrou de novo
o salto do meu sapato novo?

Me perdia vendo o caminho,
morava mais na casa do vizinho,
era criança e era feliz,
minha alma, calma
ainda sem cicatriz.

Mas o tempo vai passando,
o mundo girando,
os olhos fechando,
para as flores do campo
a vida vivida
sem tanto encanto,
Temos que crescer
sobreviver,
se aquecer, se vestir,
comer, multiplicar e morrer...
(Tanta complicação
nessa vida de uma só mão...)

Eu acho que não,
tenho em meu coração
uma certeza,
uma esperança,
que depois de velha,
se importância,
finalmente,
eternamente
volte para infância.

E poder falar bem alto
fui eu quebrei o salto!!!!

( afinal quem bateria em um velha poetisa louca correndo de salto e sem roupa?)

Ressurreição


Embora o dia insistisse
em dormir, cinza de pijama
eu decidi viver
sair da minha cinza cama...

Levantei, me sacudi,
me estiquei, me alonguei,
me resolvi,
Decidi,
que se me fizer de bonita,
quase todo mundo acredita.

Lavei meu cabelo,
pentiei meu pelo,
peguei meu negro
cavalo ( carro)
elameado de barro.

E fui passear pelo mar,
sentir o vento frio me beijar,
ver, ouvir sentir
só em faltou viajar
com os pássaros a migrar.

Me desliguei, respirei,
meditei,
quando vi flutuava,
aos poucos voltava
enfim a viver.

(pois antes resfolegava,
triste ser a sobreviver)

Ainda em mim...


Me dói o braço,
de tanto traço,
de tanta palavra escrita
que minha alma cospe aflita.
Palavra a mil se encadeando,
Palavras sem travas,
me abraçando,
palavras difíceis
e do dia-a-dia,
se transformando em poesia.
( sera que um dia minha cabeça
ficará vazia?)
Já perdi muitos poemas
feitos, só não escritos apenas,
quase perfeitos
que ficaram nos pretéritos
muito mais que perfeitos,
ficaram espalhadas
por toda as moradas.
Poesias choradas,
ridas,
despedaçadas,
bandidas,
doces,
tristes
compunjidas ,
todas elas fugidas
do meu inconsciente,
cético de ser ciente,
abafadas durante decadas
decadentes,
trancadas,
rangendo os dentes,
poemas puros,
outros indecentes,
alguns duros,
outros dormentes,
poemas de tudo,
do falante,
do mudo
e do descontente,
todo tipo de emoção,
todo tipo de vertente,
saem de mim,
docemente...

E isso me acalma
me colore a alma,
me deixa contente...

Então te rogo por favor,
não se vá meu amor,
não me deixe agora,
me acompanhe até o fim,
Minha amada,
poesia em "Mim"...

7.31.2009

Sou poetisa

Sou poeta, poetisa pateta,
Resolvo, sorvo e volvo
ao intestino do sofrimento,
sou austro, sou claustro
sou sorvimento.
De tudo, até o fim,
transmuto na poesia em mim.

Me livro com um livro
do polvo louco
com quem me envolvo,
que novamente com a mente
em agarra,
mas me pega
sem me mostrar
a cara
e o tamanho da garra.

Mas minha fala
expressa,
alva e clara,
minha poesia
que não me cala
fala, fala, fala...
todos os tormentos,
felizes
momentos
todas as vezes,
fezes e afazeres,
dos felizes sofrimentos.
As vezes apenas nada
apenas a mente parada
observando o movimento do vento
voando sedento
por um moinho,
para fazer
um coração em torvelhinho
girar, bater,
fornecer energia
antes de fenecer
em agonia.
Também me serve
dançar, pintar,
sorver e viver,
(sem morrer)
no dia-a-dia
esta
é a cura da minha
melancolia,
essa é a raiz da minha magia:
Fazer poesia!
como quem lava o rosto
quando amanhece
e refrescar o torso
que floresce
no despertar da manhã
de todo o dia.

minha mente compulsiva

Compulsivamente minha mente
aflita,
agita,
esperneia
e se irrita

compulsóriamente gemente,
constrita
minha mente
pede passagem
para palavras
sem travas
velozes
em voragem

Vou assim vivendo
meu segundo nome
onde eu sou
luz que se consome,
(ou apenas um som
que sone)
em velocidade
Sou um ser
parado na paisagem
mas voando em palavras em grande velocidade...

Enfim, o fim de tu em "Mim"

Enfim! Graças!
Aleluia!
O "Fim"!

Não mais existes como
amor "Em Mim"

Mas sobrevives
exsites,
vives,
mas com outro nome,
outro pronome,
não mais "Tu",
agora és só "Eles"
os pequenos "Seres"
que vieram de "Nòs",
E Eu, continuo sendo
solitariamente como
sempre
"Eu", não
mais tua, nem tu meu.

Finalmente,
chegou o momento,
graças ao tempo,
e ao mundo,
girando,
eu tonta,
ele em movimento...
até ficar pronta
e acabar o sofrimento.

Ser, não mais dor,
nem tormento
nem ardor,
nem sofrimento.

Apenas ser vida,
ser servida em poético
banquete,
ser vivida
além do teu triste
chicote de ginete.

Te ver apenas na vida
como um vivido momento,
te escutar como verbo passado,
conjugado apenas pelo
frutos em crescimento.

Agora te tiro do meu coração,
te coloco na palma da minha mão,
te acenado, te dizendo: - Adeus!!!
Enquanto com a outra
seguro com força meus filhos,
( os "Teus" )

Por isso não saiamos
dos trilhos,
afinal,
temos filhos...

Sejamos felizes,
tatuemos como flores
nossas cicatrizes.
Que possas evaporar teus vapores
com outras atrizes.
Que viva,
sejas feliz,
E "EU"? Seja apenas "Eu"
Nem atriz, nem cicatriz,
nem santa, nem meretriz,
Seja apenas aqui no céu,
uma estrela com véu de brilhos,
e tu ai na terra,
nada além que um homem,
trilhando seus trilhos,
nada além, apenas alguém,
o pai dos meus filhos.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...