
http://mdemulher.abril.com.br/imagem/familia/interna-slideshow/am-fam-649-menina-calca-sapato-da-mae.jpg
Sempre me achei esquisita,
louca, bruxa, vidente, aflita,
Desde criança era estranha,
este sentimento sempre me entranha.
Andava vestida de menino,
subia na igreja e puxava o sino.
caia de árvore,
beijava o primo,
corria livre no campo
em desatino,
vivia em cores,
nunca em branco,
sentia amores,
mas só por encanto,
nunca ficava parada num canto.
Batia na porta,
e corria na rua,
Atirava com força,
pedra na lua.
Era brava, e boa de briga,
mas sempre era uma boa amiga.
Era aquela que sentava
no fundo,
falava, falava,
com todo mundo,
mas sempre bem me saía,
mesmo estudando na correria,
roubava escondida o sapato alto,
fazia corrida até cair o salto,
depois escondia atrás no porão,
para não sentir o peso da mão
da minha mãe me chamando no portão.
-Quem foi que quebrou de novo
o salto do meu sapato novo?
Me perdia vendo o caminho,
morava mais na casa do vizinho,
era criança e era feliz,
minha alma, calma
ainda sem cicatriz.
Mas o tempo vai passando,
o mundo girando,
os olhos fechando,
para as flores do campo
a vida vivida
sem tanto encanto,
Temos que crescer
sobreviver,
se aquecer, se vestir,
comer, multiplicar e morrer...
(Tanta complicação
nessa vida de uma só mão...)
Eu acho que não,
tenho em meu coração
uma certeza,
uma esperança,
que depois de velha,
se importância,
finalmente,
eternamente
volte para infância.
E poder falar bem alto
fui eu quebrei o salto!!!!
( afinal quem bateria em um velha poetisa louca correndo de salto e sem roupa?)