Olho
a rua
fora.
cinza
urbana
aurora.
sonolenta
gente
acorda
orda
de gente
pingente
pingando
pela cidade a fora.
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
8.09.2009
GENTE ANDANDO
roda
a roda
e acomoda
a gente.
pindurada
pingente
encostada
ardente
Preocupada gente
pingente:
chegarei
a meu destino
urgente?
a roda
e acomoda
a gente.
pindurada
pingente
encostada
ardente
Preocupada gente
pingente:
chegarei
a meu destino
urgente?
rua
Cinza nua
rua
atua
no palco noite.
iluminada
lua
refletida
partida nua.
na janela
do
dragão
que me carrega
e flutua.
um cordel de emoção
a cada parada tua.
rua
atua
no palco noite.
iluminada
lua
refletida
partida nua.
na janela
do
dragão
que me carrega
e flutua.
um cordel de emoção
a cada parada tua.
8.08.2009
Nós...apertado cós...
queria a como queria
ser cheia e não vazia
para poder me esvaziar
e encher
de vida
quem precisar.
Queria poder
tudo
queria tudo poder
para fazer com que meus amigos
nunca venham a padecer.
(e meus inimigos
crescerem ao me ver crescer)
queria se sorvimento
ser sorvida a cada
instante
queria ser livro aberto,
voando perto do teto
da mente fascinante
queria não ser amante,
sim estrela estaxiante
nunca esquecida
na estante
da tua mente
desolada.
queria falar,
não ser calada,
queria te acalentar,
cantar e se cantada
queria te amar,
morna, monga,
morgada,
molhada e distante.
Mas sou
mulher jogada,
fora
agora nem mais na estante,
estandarte
da arte,
já passada
distante...
ai tristeza, insatisfação,
minha alma delirante...
( será que não aprendo, ainda não sofri bastante ?)
queria
ser bebida
e ser refrescante
sedendo a sede
calcinante
que assola todos
nós
que nos esmaga
como mós de moinhos,
que nos aperta como
cós, e colarinhos
necessários
artíficio
de proletários
ofícios
na arte de ser.
Queria tanto
poder viver,
crescer,
convencer
sem submeter,
trair,
ser,
quem não quero
ser,
um eterno,
inferno,
de terno
e conhecer.
ser cheia e não vazia
para poder me esvaziar
e encher
de vida
quem precisar.
Queria poder
tudo
queria tudo poder
para fazer com que meus amigos
nunca venham a padecer.
(e meus inimigos
crescerem ao me ver crescer)
queria se sorvimento
ser sorvida a cada
instante
queria ser livro aberto,
voando perto do teto
da mente fascinante
queria não ser amante,
sim estrela estaxiante
nunca esquecida
na estante
da tua mente
desolada.
queria falar,
não ser calada,
queria te acalentar,
cantar e se cantada
queria te amar,
morna, monga,
morgada,
molhada e distante.
Mas sou
mulher jogada,
fora
agora nem mais na estante,
estandarte
da arte,
já passada
distante...
ai tristeza, insatisfação,
minha alma delirante...
( será que não aprendo, ainda não sofri bastante ?)
queria
ser bebida
e ser refrescante
sedendo a sede
calcinante
que assola todos
nós
que nos esmaga
como mós de moinhos,
que nos aperta como
cós, e colarinhos
necessários
artíficio
de proletários
ofícios
na arte de ser.
Queria tanto
poder viver,
crescer,
convencer
sem submeter,
trair,
ser,
quem não quero
ser,
um eterno,
inferno,
de terno
e conhecer.
Me deixe só
Cara amiga, não sou de briga,
me sinto em nó,
moido em pó...
me deixe sozinho
com meu sonho de menino,
aqui em meu triste ninho...
vizinho da violência
me deixem só...
por pura sobrevivência
Mas tu, só tu,
te deixo me ver
por um pouco de transparência.
Mesmo porque,
num clic,
me livro de ti,
como um livro na cabeça
que não escrevi...
me sinto em nó,
moido em pó...
me deixe sozinho
com meu sonho de menino,
aqui em meu triste ninho...
vizinho da violência
me deixem só...
por pura sobrevivência
Mas tu, só tu,
te deixo me ver
por um pouco de transparência.
Mesmo porque,
num clic,
me livro de ti,
como um livro na cabeça
que não escrevi...
8.05.2009
Sou intensidade!!!
Sou intensidade,
momento de pico ápice,
bebo a vida agora,
tudo, entorno o cálice.
um segundo me é uma hora,
vivo diferente da velocidade la fora,
sou muito, muito veloz...
Do som sou grito, alta voz,
instrumento? Sou apito,
o vento criado por nós.
Sou esgotamento
rápido, voraz e atróz.
Por isso as vezes tormento
vivido não só por mim,
por nós.
momento de pico ápice,
bebo a vida agora,
tudo, entorno o cálice.
um segundo me é uma hora,
vivo diferente da velocidade la fora,
sou muito, muito veloz...
Do som sou grito, alta voz,
instrumento? Sou apito,
o vento criado por nós.
Sou esgotamento
rápido, voraz e atróz.
Por isso as vezes tormento
vivido não só por mim,
por nós.
8.01.2009
Beijos IV

Beijos beijados,
por ti enviados
atirados, grudados
na janela do meu dia,
beijos amigos,
tristonhos
bandidos,
apenas existidos
na minha utopia,
Beijos do além,
que me caem tão bem,
Beijos, beijos,
não fico sem!!!!
Beijos escondidos,
sussurrados, sumidos,
de uma mulher bonita,
beijos melados
grudados,
apertados,
enfeitados com fita,
beijos beijados
vermelhos e alaranjados
vindo enviados
por uma mulher bonita
Beijos, beijos, beijos insanos,
esmagados, desumanos,
curtos e que duram anos,
beijos beijados por debaixo
dos panos,
Beijos com lambida,
com data
e torcida,
dados com gosto,
na boca, no rosto,
no colo e no pescoço,
na minha mulher preferida.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...