Guardei no mais seguro cofre forte
as jóias caras, de vultuoso porte
[que destes-me]
Todos os lindos versos
de sentimento confesso
[que fizestes-me]
Para um dia usar nas noites claras
de gala, todas as jóias raras
[que adornastes-me]
Junto com as vestes pretas
feitas todas de letras
[que ofertastes-me]
bordadas de veludo e ilusão
revestidas de cetim e confusão
[tirastes-me para dançar]
Dancei a lúdica dança
com cara de feliz criança
iluminada pelo lúbrico ecram
com luz de alegria vã
Dancei, rodopiei pelo salão,
tropecei, quase caí no chão...
Mas ergui, fingi, sorri,
(no mundo não se pode sofrer em vão)
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
12.13.2009
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...
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