Faca que corta-me
gume
Corda que ata-me ao cume
deste monte sombrio.
ORGULHO!
ENTULHO VIL!
Febre enflame-me o vazio
febre na orbe, descobre o frio
LUSCO BRIO!!!!
Sem nexo
nem lexo
quiçá sexo em louco amplexo
em convexo
universo
anexo ao espaço
vazio!
RIDE PALHAÇO
OLHA O TRAÇO
NO ESPAÇO
NESTE ABRAÇO AO AÇO
DE UM CORPO QUE JÁ PARTIU!
RIDE, RIDE TODOS
ESTE
CIRCO
ESTÁ VAZIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(as feras saíram, estavam todas elas no cio!)
Ride, rio eu, eles e todos os nomes,
os pronomes, faceS e sobrenomes...
(que se percam na multidão
que habita meu coração)
comeivos e bebeivos
este meu corpo teatral!
me pão de sangue e sal!
SEJAM FELIZES!
E DEUS LIVRAI-NOS DE TODO O MAL...
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
9.05.2010
9.02.2010
Na cozinha
A alisar-lhe o dorso, com beijos no torço
E dedos desilizando pela sua Personalidade,
sussurrando aos ouvidos
Do ego, indecências sonhadas na realidade.
Despia-lhe de tudo, sem decência
À mesa da cozinha,
embriagando-se de vida
...De filosofias de apocalipses
Distopias, atopias e eclipses...
Éram felizes...
Porém todas as cicatrizes
(Os trizes, as bissetrizes, as atrizes...)
Deixaram a verdade exposta
E ela partida em posta
Por mais um gume
sentiu-se um infeliz legume
Nesta árdua tábua da vida.
“Nascer, crescer, florescer,
Para terminar partida e cozida”
(Quiçá, comida!)
-Merda!
Pensou ela,
-de vida...
Enquanto coava uma cenoura cozida...
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=149022#ixzz10Md5nKxA
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7.05.2010
Carta ao amor inerte.
Farto córrego que viceja ao leito da terra morta
escorre a vida em fios pela mão que exorta
um Deus, que não existe
mas a alma insiste
embora veja, que ao lado do rio nada viceja
só desencanto
pobre alma em seu encanto
enfeitiçada não vê
seu próprio perecer na iníqua vastidão do nada
não sente a porta ser fechada
não sente a muralha erguida
e assim perde a vida
antes mesmo de nascer.
E do encanto nasce no parto o pranto
o fado, o enfado a se repetir
a água escorrendo por entre os dedos de medo
e nem assim um movimento
que acarrete alento
nasce no teu fazer...
Mas nada,
e ela insiste e nada
atravessa o oceano
alada para amar-te
vararia o espaço
se em marte morasses
e nada,
nem um passo, um movimento
congelado em seu umbigo
ubíquo sol de teu universo
Embreaga-se ela em mais um cálice bebe em sorvimento
alucina, aceita-o como sina, (pobre insana...)
"mas ele é humano, passou por tanto sofrimento"
argumenta ela com a sanidade
que mostra-lhe a realidade
que ela nega-se a ver.
Ilusão escorre-lhe pelas mãos
e nem ao menos TU as fecha tentar para reter.
"Mas eu digo AMO-TE"
Dizer é o bastante ,
Burguesa mimada!
pior seria se não te disseste nada"
E das mãos, que antes era sonho de união
passeando pelos mercados, comprando pão
agora são apenas uma adiada decisão
"o nosso morrer"
AGE!!! FAZE ALGO!!!
Corre qual tal galgo
galga o mundo!
percorre qualquer segundo!!!!
cospe todo este imundo universo de mentiras
de versos esquizofrênitos
mas não deixa-os morrer aos frêmitos
de teu torporoso amanhecer
TOMA UMA ATITUDE
ou te assume sem virtude,
mas pelo menos não mais a ilude
esta flor que ao outono anseia em florescer.
Não mata com tua pata
as sementes das fecundas colheitas
prova-lhe que não há "eleitas"
esclarece-lhe as suspeitas
da-lhe um susbstrato
para este sobreviver fraco
que ainda respira
para um viver pacato
sem agonia
percebes o quanto ela transpira dor?
Ou teu torpor tolda-te a visão?
Enquanto ele enxerga com precisão
teu coração e nega a enxergar o peito
que o carrega o homem sobrevivente da refrega
chamada vida, uma grande e pútreda ferida
que por orgulho de o ser, nunca fecha.
Maldita flecha de inxerido cupido
semi-deus bandido que engole as almas
e depois bate palmas ao seu desatino
maldoso menino...
REVOLTA-TE, GRITA!!!
GRITA ALTO,
DÁ UM SOCO, UM SALTO
Compõe uma ode aflita de amor...
Faze qualquer coisa
mas alivia, por favor
esta lancinante dor que ela sente
ou então liberta-a deste recinto
sombrio,
onde vive de ratos vivos
de sonhos esquivos
e morre com frio.
Com frio de ti,
seu único motivo
seu amor,
seu único lenitivo
para esta incoerscível dor
que mata
toda vez que tua inércia a ata
a este sentimento triste.
Toma uma atitude!
PÕE TUA ESPADA EM RISTE
DECEPA-LHE A CABEÇA À LOUSA,
FAZE ALGUMA COISA!!!
Pois sem ti ela é nada
apenas uma flor alada
no jardim do outono
desejando ardentemente que tu decidas ser o seu dono.
Adeus com coragem, doce miragem.
sono profundo,
mundo imundo...
Cospe minh'alma ao amanhecer.
Pretenso momento imenso
Engano crasso, enxugado com lenço.
Mas não arrependo-me
rendo-me apenas...
Apenas é... vida
amor quimera perdida
distante, Argos navegante
neste mar de dor.
Meu corpo foi morto
por teu cáustico amor.
Perfídia vil de ser feliz
corpo insano de cicatriz
convulsiona na insone noite interminável
infindável...
Inebriane glicerina instável
que explode minha razão
ópio de meu corpo próprio
apocalípse nos dedos de minha mão
A vida é um caminho que não existe
mas insiste em minha imaginação.
Lascívias vis
risos pueris,
sonhos, ilusão...
À vida e a poesia digo sim,
morrerei e não aprenderei a dizer não.
E assim morro,
escorrendo pelos dedos de uma rude mão.
E neste momento sou nada
letras apenas, em brado de consolação.
6.29.2010
Sol de minha solidão
Amanhece o sol tímido no ocidente já faz tanto tempo que não me sinto feliz amanhece o sol invernal, porém refulgente tal qual bálsamo lambendo cada cicatriz E na luz baça deste louco amanhecer volto a ser eu, começo a me reconhecer dentro deste húmido abismo em mim trespassa-me um raio, deste sol sem fim. E por horizontes distantes, em pagos errantes onde não estou eu, talvez um sonho, um querubim englobam-me raios, suaves, sonoros, brilhantes Irradiando calor, rubor e frescor de alecrim Sou toque de sedução, ebulição de ventos distantes sou satisfação, alvorada do sol que penetra em mim. |
6.26.2010
Romantismo
| Adeus, rogo-te agora Rogo a Deus urgente: Morra flor que em mim chora em pranto triste pungente amor que o peito devora sacro santo elemento por ti espero a hora de consagrar o sacramento Morra em mim o tempo gota à gota, hora à hora flores em florecimento murchando em minha flora. ó Deus porque insistes em colocar-me o desejo? Se em mim persiste o sabor do ausente beijo Belo é o dia lá fora cinza é meu pensamento folha cai e implora seco é meu momento ó Deus, ó Deus leva embora, agora esta saudade crescente aquieta a amada rosa cálida, entumescente Cala esta louca viola que deflora a minha mente voando tal qual rabiola retorcendo-se livremente. Leva-me a tentadora maçã estraçalha esta vil serpente. deixa-me a mente sã apazigua meu corpo carente. |
5.01.2010
Coração Frio
Disperso é o redemoinho
em meu peito gasto
escasso é o pasto
que me nutre a alma
"a calma"
que não reside em mim
desejo insano
que nunca chega ao fim
sentimento humano
sonho de serafim
subliminar vida
na entrelinhas das horas
tempo de degolas
em meu peito
cabeças rolam
nos lençóis brancos de meu leito
minhas mãos choram
em letras de traço desfeito
Triste e decepado
coração apaixonado
não bate por mais ninguém
comboio de de cordas sem razão
descarrilhado trem
em meu peito gasto
escasso é o pasto
que me nutre a alma
"a calma"
que não reside em mim
desejo insano
que nunca chega ao fim
sentimento humano
sonho de serafim
subliminar vida
na entrelinhas das horas
tempo de degolas
em meu peito
cabeças rolam
nos lençóis brancos de meu leito
minhas mãos choram
em letras de traço desfeito
Triste e decepado
coração apaixonado
não bate por mais ninguém
comboio de de cordas sem razão
descarrilhado trem
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...


