9.02.2010

Na cozinha

Sentia-lhe como uma pétala de rosa
A alisar-lhe o dorso, com beijos no torço
E dedos desilizando pela sua Personalidade,
sussurrando aos ouvidos
Do ego, indecências sonhadas na realidade.

Despia-lhe de tudo, sem decência
À mesa da cozinha,
embriagando-se de vida
...De filosofias de apocalipses
Distopias, atopias e eclipses...

Éram felizes...

Porém todas as cicatrizes
(Os trizes, as bissetrizes, as atrizes...)
Deixaram a verdade exposta
E ela partida em posta
Por mais um gume
sentiu-se um infeliz legume
Nesta árdua tábua da vida.
“Nascer, crescer, florescer,
Para terminar partida e cozida”
(Quiçá, comida!)

-Merda!
Pensou ela,
-de vida...

Enquanto coava uma cenoura cozida...




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7.05.2010

Carta ao amor inerte.




Farto córrego que viceja ao leito da terra morta
escorre a vida em fios pela mão que exorta
um Deus, que não existe
mas a alma insiste 
embora veja, que ao lado do rio nada viceja
só desencanto
pobre alma em seu encanto
enfeitiçada não vê
seu próprio perecer na iníqua vastidão do nada
não sente a porta ser fechada
não sente a muralha erguida
e assim perde a vida
antes mesmo de nascer.

E do encanto nasce no parto o pranto
o fado, o enfado a se repetir
a água escorrendo por entre os dedos de medo
e nem assim um movimento
que acarrete alento
nasce no teu fazer...

Mas nada, 
e ela insiste e nada
atravessa o oceano
alada para amar-te
vararia o espaço
se em marte morasses
e nada,
nem um passo, um movimento
congelado em seu umbigo
ubíquo sol de teu universo

Embreaga-se ela em mais um cálice bebe em sorvimento
alucina, aceita-o como sina, (pobre insana...)
"mas ele é humano, passou por tanto sofrimento"
argumenta ela com a sanidade
que mostra-lhe a realidade
que ela nega-se a ver.

Ilusão escorre-lhe pelas mãos
e nem ao menos TU as fecha tentar para reter.

"Mas eu digo AMO-TE"
Dizer é o bastante ,
Burguesa mimada!
pior seria se não te disseste nada"


E das mãos, que antes era sonho de união
passeando pelos mercados, comprando pão
agora são apenas uma adiada decisão
 "o nosso morrer"

AGE!!! FAZE ALGO!!!
Corre qual tal galgo
galga o mundo!
percorre qualquer segundo!!!!
cospe todo este imundo universo de mentiras
de versos esquizofrênitos
mas não deixa-os morrer aos frêmitos
de teu torporoso amanhecer

TOMA UMA ATITUDE
ou te assume sem virtude,
mas  pelo menos não mais a ilude
esta flor que ao outono anseia em florescer.

Não mata com tua pata
as sementes das fecundas colheitas
prova-lhe que não há "eleitas"
esclarece-lhe as suspeitas
da-lhe um susbstrato
para este sobreviver fraco
que ainda respira
para um viver pacato
sem agonia
percebes o quanto ela transpira dor?
Ou teu torpor  tolda-te a visão?
Enquanto ele enxerga com precisão
teu coração e nega a enxergar o peito 
que o carrega o homem sobrevivente da refrega
chamada vida, uma grande e pútreda ferida
que por orgulho de o ser, nunca fecha.

Maldita flecha de inxerido cupido
semi-deus bandido que engole as almas
e depois bate palmas ao seu desatino
maldoso menino...

REVOLTA-TE, GRITA!!!
GRITA ALTO, 
DÁ UM SOCO, UM SALTO

Compõe uma  ode aflita de amor...

Faze qualquer coisa
mas alivia, por favor
esta lancinante dor que ela sente
ou então liberta-a deste recinto
sombrio, 
onde vive de ratos vivos
de sonhos esquivos
e morre com frio.
Com frio de ti,
seu único motivo
seu amor,
seu único lenitivo
para esta incoerscível dor
que mata
toda vez que tua inércia a ata
a este sentimento triste.

Toma uma atitude!

PÕE TUA ESPADA EM RISTE
DECEPA-LHE A CABEÇA À LOUSA,
FAZE ALGUMA COISA!!!

Pois sem ti ela é nada 
apenas uma flor alada
no jardim do outono
desejando ardentemente que tu decidas ser o seu dono.










Adeus com coragem, doce miragem.




Desfaço-me aos néscios passos deste amanhecer
sono profundo, 
mundo imundo...

Cospe minh'alma ao amanhecer.
Pretenso momento imenso
Engano crasso, enxugado com lenço.

Mas não arrependo-me
rendo-me apenas...

Apenas é... vida
amor quimera perdida
distante, Argos navegante
neste mar de dor.

Meu corpo foi morto
por teu cáustico amor.

Perfídia vil de ser feliz
corpo insano de cicatriz
convulsiona na insone noite interminável
infindável...

Inebriane glicerina instável
que explode minha razão
ópio de meu corpo próprio
apocalípse nos dedos de minha mão

A vida é um caminho que não existe
mas insiste em minha imaginação.

Lascívias vis
risos pueris,
sonhos, ilusão...

À vida e a poesia digo sim,
morrerei e não aprenderei a dizer não.

E assim morro,
escorrendo pelos dedos de uma rude mão.

E neste momento sou nada
letras apenas, em brado de consolação.

6.29.2010

Sol de minha solidão




Amanhece o sol tímido no ocidente
já faz tanto tempo que não me sinto feliz
amanhece o sol invernal, porém refulgente
tal qual bálsamo lambendo cada cicatriz

E na luz baça deste louco amanhecer
volto a ser eu, começo a me reconhecer
dentro deste húmido abismo em mim
trespassa-me um raio, deste sol sem fim.
E por horizontes distantes, em pagos errantes
onde não estou eu, talvez um sonho, um querubim
englobam-me raios, suaves, sonoros, brilhantes

Irradiando calor, rubor e frescor de alecrim
Sou toque de sedução, ebulição de ventos distantes
sou satisfação, alvorada do sol que penetra em mim.

6.26.2010

Romantismo

Adeus, rogo-te agora
Rogo a Deus urgente:
Morra flor que em mim chora
em pranto triste pungente
amor que o peito devora
sacro santo elemento
por ti espero a hora
de consagrar o sacramento

Morra em mim o tempo
gota à gota, hora à hora
flores em florecimento
murchando em minha flora.
ó Deus porque insistes
em colocar-me o desejo?
Se em mim persiste
o sabor do ausente beijo
Belo é o dia lá fora
cinza é meu pensamento
folha cai e implora
seco é meu momento

ó Deus, ó Deus
leva embora, agora
esta saudade crescente
aquieta a amada rosa
cálida, entumescente
Cala esta louca viola
que deflora a minha mente
voando tal qual rabiola
retorcendo-se livremente.
Leva-me a tentadora maçã
estraçalha esta vil serpente.
deixa-me a mente sã
apazigua meu corpo carente.

5.01.2010

Coração Frio

Disperso é o redemoinho
em meu peito gasto
escasso é o pasto
que me nutre a alma
"a calma"
que não reside em mim
desejo insano
que nunca chega ao fim
sentimento humano
sonho de serafim
subliminar vida
na entrelinhas das horas
tempo de degolas
em meu peito
cabeças rolam
nos lençóis brancos de meu leito
minhas mãos choram
em letras de traço desfeito

Triste e decepado
coração apaixonado
não bate por mais ninguém
comboio de de cordas sem razão
descarrilhado trem

Nada restou

Ausência se faz ao meu coração louco

meu último recôndito perfeito
morto com um tiro peito


agonizou febril

"viver é pouco".

Nefasto mote que afasta meu
coração doído

Sinto-me

n u a

c r u a

NADA!!!


Sem mestre

parceiro

ou amigo.





Solitária




Calo-me


continuarei orbitando ao redor de meu umbigo.

Universo em verso
mudo, solitário, ambíguo.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...