5.01.2010

Entendimento


h plácida calma que invade minha alma serena
óh resignação que torna aceitável a triste pena
De viver só, sem sentir dorida e triste solidão
de sentir o peso da mó, lembrar que farinha foi grão.

Que esmagado pelas pedras pesadas da vida
tornar-se alimento que sustenta, cura ferida
bruto grão, íntegro, não alimenta, lamento...
ferido, alva farinha, proto-pão, alimento


E assim roda a vida, esmagando o coração
assim curam-se as feridas, grão partido vira pão

E eu sigo serena meu solitário e único destino
E sonho todas as noites o mesmo sonho vespertino

Dorme-se e acorda-se, mesmo leito branco e frio
lava-se toda a manhã, mesma água do gélido rio.

Quando despoja-se dos resquícios da triste noite
Quando refresca-se os vergões do triste açoite.

E assim passa a vida, um dia bom e outro não
Assim vai a vida, um dia frio, outro paixão.

Vida


ma nesga de sol invade meu quarto
percebo o triste ato neste teatro vida
Uma nesga de renda esquecida no retrato
deixa-me no ato, tonta, aturdida.

A vida, óh a vida, escolha ou batalha perdida?
Vida, óh vida, cicatriz ou aberta ferida?

Chega!


Vida és vida, em cada palavra proferia
Vida és vida, em cada criança parida
Vida és vida, em cada mágoa esquecida


Vida és vida, por mim escolhida!

Deixo ao caminho meu negro manto
visto-me com um sorriso e com encanto

Lavei todas minha feridas com meu lúgubre pranto.

Decidi viver!

não irei amaldiçoar da vida cada encanto!

Decidi crescer

Enfrentar o destino, ser feliz me meu corpo santo.

Ponto de mutação


Quantos olhos são necessários para ver o sol se por?
quantos matizes são necessários para chamarmos isso de cor?
quantos pássaros são necessários para voar?
quantos palcos são necessários para encenar?

Tão perdida estava eu no meu mundo privado
que privada fiquei eu em meu mundo imaginado

Esqueci que além da janela, há um mundo lá fora
que a vida é vela, que se apaga a qualquer hora.

Esqueci que além do teto existe azul céu
que as abelhas picam, mas fazem também mel.

Que existe um amor que transcende um simples ato
que existe em toda parte, não só dentro de um quarto.

Assim eu decidi sair deste escuro poço sem fundo,
Desisti de amar um homem, aprenderei a amar o mundo.

Amor universal


Nesta diáspora de meu desejo
espalha-me inteira ao mundo
amo a todos, até nem vejo
onde espalho amor fecundo

Hoje saio do ambíguo
sentimento solitário
eu separo-me do umbigo
sou um ser solidário

Ao mundo lanço amor
não inclino-me mais ao pranto
tal qual sol em seu fulgor
não escolhe luzir tal canto.

Espalho-me em alegria
vejo aurora fulgurante
podem dizer que é mania
mas do amor sou infante.

Se é doença, não é agonia
não dêem-me nenhum remédio
pois agora não sinto-me vazia
não pularei de nenhum prédio.

Existem tantos seres no mundo
porque amar apenas um
se pode-se em um segundo
amar a todos e não algum

Então tal qual luz fractada
me desfaço em mil pedaços
sou fraterna namorada
tenho o mundo em meus braços.

Por ti


Meu coração é grande
castelo de muitos quartos
Meu coração tange
a doçura de muitos atos

Meu coração é louco
um músculo arrítmico
Meu coração é pouco
para afetos Sísmicos.

Como impedir o sol de nascer?
inexorável movimento quotidiano
Poderia eu inverter a translação?
mudar o rítmo circadiano.
(ou) simplesmente arrancar de meu peito meu coração.
INSANO!

Análise pessoal

Vôo no estrago, o estrago do vício
vôo no precipício que em mim trago
trago o fumo que nem sei do sumo
sumo no humo do lodo precipício

Desmonto minha alma, quebrada do ínicio
Gêneses sem forma, ser fictício
sopro sem alma, barro de hospício

Nasce sem calma, carne de costela
sopro de vela, velando no traço

Rompo o laço, sou ser escasso
jogando versos gastos ao vão espaço.

Sopram palavras em meus ouvidos
revelam segredos ao vento, perdidos

sou um frêmito, em pulmôes sofridos.

Nada resta


Nada restou
nem nada resta

...............nem olho
........................nem luz
...............................nem fresta.

Apenas a vida

que finda na madrugada
na aurora recomeça

.....insossa
..............fosca
.....................frustra

que passa sem pressa.


[Apenas há a escrita que algum sabor me empresta]


ANA LYRA

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...