5.01.2010

Amor universal


Nesta diáspora de meu desejo
espalha-me inteira ao mundo
amo a todos, até nem vejo
onde espalho amor fecundo

Hoje saio do ambíguo
sentimento solitário
eu separo-me do umbigo
sou um ser solidário

Ao mundo lanço amor
não inclino-me mais ao pranto
tal qual sol em seu fulgor
não escolhe luzir tal canto.

Espalho-me em alegria
vejo aurora fulgurante
podem dizer que é mania
mas do amor sou infante.

Se é doença, não é agonia
não dêem-me nenhum remédio
pois agora não sinto-me vazia
não pularei de nenhum prédio.

Existem tantos seres no mundo
porque amar apenas um
se pode-se em um segundo
amar a todos e não algum

Então tal qual luz fractada
me desfaço em mil pedaços
sou fraterna namorada
tenho o mundo em meus braços.

Por ti


Meu coração é grande
castelo de muitos quartos
Meu coração tange
a doçura de muitos atos

Meu coração é louco
um músculo arrítmico
Meu coração é pouco
para afetos Sísmicos.

Como impedir o sol de nascer?
inexorável movimento quotidiano
Poderia eu inverter a translação?
mudar o rítmo circadiano.
(ou) simplesmente arrancar de meu peito meu coração.
INSANO!

Análise pessoal

Vôo no estrago, o estrago do vício
vôo no precipício que em mim trago
trago o fumo que nem sei do sumo
sumo no humo do lodo precipício

Desmonto minha alma, quebrada do ínicio
Gêneses sem forma, ser fictício
sopro sem alma, barro de hospício

Nasce sem calma, carne de costela
sopro de vela, velando no traço

Rompo o laço, sou ser escasso
jogando versos gastos ao vão espaço.

Sopram palavras em meus ouvidos
revelam segredos ao vento, perdidos

sou um frêmito, em pulmôes sofridos.

Nada resta


Nada restou
nem nada resta

...............nem olho
........................nem luz
...............................nem fresta.

Apenas a vida

que finda na madrugada
na aurora recomeça

.....insossa
..............fosca
.....................frustra

que passa sem pressa.


[Apenas há a escrita que algum sabor me empresta]


ANA LYRA

Ciclo inexorável


asce uma pequena flor
amor-perfeito

Nasce uma luz, uma cor
ilumina o peito

Nasce um sol
que irá se por
rarefeito

Nasce mais um amor
que acabará
desfeito

Nasce mais um vinco
nos lençóis
de meu leito.

Maldição das Moiras


Maldição das loucas Moiras
que traçaram tal teia tangente
bruxas cegas e loucas
com bordados incoerentes

Nutrindo parcas bocas
com desejos ardentes
inocentes, improváveis
indecentes, inexoráveis


Aportam aos corpos abertos
acorrentados em distintos tetos
em momento improvável
cruel desejo insaciável

Só em póstuma viagem
então como espectro surgiria
a tão sonhada coragem
para provar rara iguaria:

corpo firme, lindo ereto
em lânguida solitária agonia.

Eis então a maldição
ao lúdico triste coração
o corpo em estertores
estertorando ilusão

são apenas solitários atores
contracenando com a própria mão


Arde tanto de dores
sentem doces odores
exalados em solitário vão
são pétalas de rosas
esmagadas por do imutável Não

Malditas Moiras loucas
bruxas sem compaixão
teceram linhas poucas
separam o corpo
juntam o coração.

Declino ao desejo
deste corpo ao rés do chão
desmancho-me em lamentos
corpo santo, amor de irmão.

Janela para o Lírico


nvelhecida a janela, entreaberta
Absorvendo fios de vida, incerta
pela fresta
A vela desmaia em cera, tosca
Esvanece-se a réstia de luz
fosca

Fechei a janela, envelhecida
Aprisionei lá fora, a vida
matei a fresta
A noite escura o sono
me empresta
Sem luz já nem o escrever
me resta

Porém, em meu coração
insano
sobrevive o desejo
humano
De ser chama, fogo, brasa, vela
desejo que a mim se atrela
nesta busca insana.

Busca de um coração que ama
Em letras lanço meu clamor ao espaço
cego, incerto, triste e trêmulo
enfim traço 

fusco escasso verso.

Lançando meu amor com fé
a todo o universo.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...