| Nada restou nem nada resta ...............nem olho ........................nem luz ...............................nem fresta. Apenas a vida que finda na madrugada na aurora recomeça .....insossa ..............fosca .....................frustra que passa sem pressa. [Apenas há a escrita que algum sabor me empresta] |
ANA LYRA |
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
5.01.2010
Nada resta
Ciclo inexorável
| asce uma pequena flor amor-perfeito Nasce uma luz, uma cor ilumina o peito Nasce um sol que irá se por rarefeito Nasce mais um amor que acabará desfeito Nasce mais um vinco nos lençóis de meu leito. |
Maldição das Moiras
| Maldição das loucas Moiras que traçaram tal teia tangente bruxas cegas e loucas com bordados incoerentes Nutrindo parcas bocas com desejos ardentes inocentes, improváveis indecentes, inexoráveis Aportam aos corpos abertos acorrentados em distintos tetos em momento improvável cruel desejo insaciável Só em póstuma viagem então como espectro surgiria a tão sonhada coragem para provar rara iguaria: corpo firme, lindo ereto em lânguida solitária agonia. Eis então a maldição ao lúdico triste coração o corpo em estertores estertorando ilusão são apenas solitários atores contracenando com a própria mão Arde tanto de dores sentem doces odores exalados em solitário vão são pétalas de rosas esmagadas por do imutável Não Malditas Moiras loucas bruxas sem compaixão teceram linhas poucas separam o corpo juntam o coração. Declino ao desejo deste corpo ao rés do chão desmancho-me em lamentos corpo santo, amor de irmão. |
Janela para o Lírico
| nvelhecida a janela, entreaberta Absorvendo fios de vida, incerta pela fresta A vela desmaia em cera, tosca Esvanece-se a réstia de luz fosca Fechei a janela, envelhecida Aprisionei lá fora, a vida matei a fresta A noite escura o sono me empresta Sem luz já nem o escrever me resta Porém, em meu coração insano sobrevive o desejo humano De ser chama, fogo, brasa, vela desejo que a mim se atrela nesta busca insana. Busca de um coração que ama Em letras lanço meu clamor ao espaço cego, incerto, triste e trêmulo enfim traço fusco escasso verso. Lançando meu amor com fé a todo o universo. |
Carta ao parceiro
A ti
dono dos movimentos sem nexo
envio este sentimento
anexo
para que entendas
que a mulher
não vive só de rendas
prostrada, nua ao leito
que além dos seios no peito
existe por dentro um músculo
que se emociona ao crepúsculo
portanto seu lobo sarnento
vil, torpe e sedento
desejo-te um grande tormento
que teu órgão vital
chamado usualmente de pau
deixe-te eternamente
à mingua, flácido, dormente
seja-te uma maldição
não te resolvas
nem mais com a mão
que morras murcho
sem comida no bucho
quem sabe assim,
seu burro, insensível
sanguinário
descubras o intangível,
além do corpo, visível
há um outro cenário
além da doce quentura
do corpo em movimentação
além da temperatura
da pele e do toque da mão
existe no peito um músculo
que se chama coração.
dono dos movimentos sem nexo
envio este sentimento
anexo
para que entendas
que a mulher
não vive só de rendas
prostrada, nua ao leito
que além dos seios no peito
existe por dentro um músculo
que se emociona ao crepúsculo
portanto seu lobo sarnento
vil, torpe e sedento
desejo-te um grande tormento
que teu órgão vital
chamado usualmente de pau
deixe-te eternamente
à mingua, flácido, dormente
seja-te uma maldição
não te resolvas
nem mais com a mão
que morras murcho
sem comida no bucho
quem sabe assim,
seu burro, insensível
sanguinário
descubras o intangível,
além do corpo, visível
há um outro cenário
além da doce quentura
do corpo em movimentação
além da temperatura
da pele e do toque da mão
existe no peito um músculo
que se chama coração.
Espuma à maré cheia
| u és a areia que sustenta meus pés que flutuam no éter insano as folhas de papel que cobrem meu corpo de mel de desejo humano. Tu és o mumuro do vento do norte que sussurra improvável sorte que alimenta meu lirismo és um beijo jogado ao abismo num eco sem retorno Tu és O rei em seu domo de letras Eu? A viúva de rendas pretas tecendo versos bordados desmanchando ao dia a tristeza e a agonia à noite sou teia versos dourados jogados à areia em castelos inventados. Nós? Somos apenas poetas de loucas afetivas metas com a rima que pulsa nas veias com os corpos trepassados por setas encantados por cantos de sereias sobrevivendo em pequeno espaço tecendo etéreo tênue laço tal qual as espumas nas areias fuscas e frágeis à lua nas marés cheias. |
Eis que surge o amor em minha morada
Era noite, a lua fria iluminava
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.
Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.
Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta
Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.
Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.
Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.
Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta
Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.
Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...