5.01.2010

Espuma à maré cheia


u és

a areia que sustenta meus pés
que flutuam no éter insano
as folhas de papel
que cobrem meu corpo de mel
de desejo humano.
Tu és 

o mumuro do vento do norte
que sussurra improvável sorte
que alimenta meu lirismo
és um beijo jogado ao abismo
num eco sem retorno

Tu és
O rei em seu domo de letras
Eu? A viúva de rendas pretas
tecendo versos bordados
desmanchando ao dia
a tristeza e a agonia
à noite sou teia versos dourados
jogados à areia em castelos inventados.

Nós? 

Somos apenas poetas
de loucas afetivas metas
com a rima que pulsa nas veias
com os corpos trepassados por setas
encantados por cantos de sereias
sobrevivendo em pequeno espaço
tecendo etéreo tênue laço
tal qual as espumas nas areias
fuscas e frágeis
à lua nas marés cheias.

Eis que surge o amor em minha morada

Era noite, a lua fria iluminava
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.

Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.

Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta

Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.

Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.

Beijo transatlantico


eijo que navega por um oceano
insano desejo sobre-humano
que aporta em minha alma louca
desfazendo-se à minha boca.
Faz-me faltar-me o ar.

(Que importa este mar de alucinação,
se a ele não me rendo, digo solene não)
Oh! Esse beijo, ao oceano largado
pela minha imaginação, fecunda
à neblina, por duas mãos lançado
minha’alma, de prazer, inunda
Afogo-me então na tua imensidão
fechar os olhos, rasgar a solidão
Percorrer com os sentidos o teu mundo
esquecer-me num imenso prazer fecundo

Faz-me sonhar-me , em ti.

(Perco-me ao desejo do teu beijo a navegar
Galgo léguas e léguas de éter, afecto e ar)
Que venham as tempestades
as correntes de revolto mar
mas este beijo sobrevivente
tão quente, jamais irá naufragar
Assim, que este beijo-desejo
irrompa pelo oceano, ao Tejo,
por fim, venha ansioso desaguar
nas linhas de um lírico poetar (delirar)

A minha loucura


 minha loucura,
me morde, me fura
deixa meu peito aberto
em toda espessura.


A minha loucura
procura, procura
busca insana por
por alguma cura

A minha loucura
também é frescura
quando sozinha
na noite escura

A minha loucura
falante,
com desenvoltura
já chega a conferir
certa formosura


A minha loucura
da alma secura
confere um lugar
onde acho-me segura

Na minha loucura
sou lua brilhando nua
neste mar de lúdica
candura.

Na minha loucura
volto àquela rua
volto o mundo
outra escolha,
sou livre,
sou tua.


Beijo-te inteiro
não só meio
toco-te com ternura.

Na minha loucura
sou eterna,
em letras
amas-me
Sou tua


Apenas na minha loucura...

Ler um poema de amor


Só quero ler-te na solidão das horas
onde a ânsia devora meu corpo vazio
preenche-lo de letras, este toco vadio
que sobrou das árvores amorosas.

Quero apenas preencher-me de versos
perfumar-me de lúdicas rosas
prencher-me de versos, desejos inconfessos
onde deságuo minha alma com frio.

Quero flutuar no vazio desta matéria insana
ser versos que flutuam em minha mente
tornar-me etérea, eterna, lúdica chama.

viver na poesia que minha alma inflama
deixar de hipocrisia e ser simplesmente
uma mulher que ama, uma poetisa, humana.

Moira por favor não deixem meu sol se por.


Fio
que sustenta meu corpo
quase vazio
de alma
calma, calma
tudo vai ficar bem
(mas por segurança
encomende seu requiém)

Frio
é este universo
de afeto vazio
de ruídos
sem versos
de médico
frio...

Rio
das almas
passearei
sem medo
Mas Moira
pensa bem
talvez ainda ´
é cedo...

Da-me outra chance
que sabe meu coração
não desmanche
e acabe por não parar
Moira da tesoura,
não corte o meu fio
não deixe meu corpo vazio
de alma
frio e sem respirar...

Ainda tenho muito para amar!!!!

Meu Requiém

eu coração disparou
meu intestino se borrou
Mas como?
Como pode?
Com médico nenhuma doença fode!!!
Mas não adiantou ciência
nem prepotência
que pudesse impedir
de meu coração entupir...

Fui despida
me chamarem de querida
sem muito carinho, ou alento
enfiaram um cano veia a dentro
disseram "olá como está"
me enfiaram fios
e uma campanhia para segurar
"caso seu coração parar"

Fui depilada
fui amarrada
minha alma achou estranho
estar deste outro lado
ser tratada qual rebanho

Mas todos tem pressa
só meu coração interessa
talvez este seja o defeito
esqueceram que tem um ser
carregando o peito...

Mas ganhei massagem
ainda bem que não foi uma passagem
para o além
quem se candidata ao meu requiém?
alguém?

Desfilei impávida,
pela vida ávida
de bunda de fora
nada mais importa agora!!!

Senti muita dor
vomitei no pé do diretor
tomei morfina
agonia que nunca termina

Mas quando selaram meu destino
tentaram limpar o meu intestino
( para não dar trabalho)
Eu disse:" enema um caralho!!!!
Se é para não sujar a cama
enfie no seu cu sua sacana!!!

E assim está indo tudo muito bem
penso em eu mesma fazer meu requiem.

"Morre pelada,
com um cano no nariz
morreu casta
já gasta a pobre infeliz
mas seu anus estava fechado
morreu e deu trabalheira
seu leito estava cagado
quem limpou foi a pobre enfermeira!!!!)


.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...