5.01.2010

Decisão

Neste limbo onde me encontro
sem amigo, sem nada, sem ombro
onde possa chorar.
Sou escombro
sou quase nada
de um edifício
que ainda está por acabar
Como pode assim de repente
mudar tanto vida da gente?
Como pode o destino
inclemente
Mudar tudo assim
tão urgente
Apocalipse pessoal
para os outros, tão normal...
Mas quando acontece consigo mesmo
ficamos perdidos
vagando a esmo.
Que pensar?
Quando na vida, no limiar
sentamos e vemos
tudo o que fizemos
(e não fizemos)
tudo que desejamos
que deixamos
que queremos

Quando vimos a porta da morte aberta
descobrimos a vida tão incerta.

Quando achamos que nada vale a pena
apenas estar serena
e voar na minha louca pena.

Olhar o filho pequeno
não saber se veremos crescer
Pensar porque tanto veneno
que nos cospem desde o amanhecer

Esta vida é nada
apenas uma coisa inventada
que pode a qualquer instante
ser tirada,
sendo nós apenas a memória restante
por alguma pessoa amada.

Decidi,
Não vou morrer,
VOU VIVER
VER MEUS FILHOS CRESCEREM
ESPERAR AS FLORES FLORECEREM
VOU ESCREVER
VOU VER O SOL NASCER
E SE POR, AO ANOITECER
VOU SER ARTE
DEIXAR A INIQUIDADE À PARTE
VOU SOBREVIVER
VOU SER TUDO AQUILO QUE QUERO SER
VOU SER AMANTE
NÃO MAIS DISTANTE
VOU SER DA VIDA DILETANTE
VOU FAZER TUDO POR AMOR
E NUNCA MAIS NO PEITO
SENTIR DOR!!!

Foda-se


oda-se o muro, o escuro, a luminiscência
Foda-se a falo, o valo, a decência
Foda-se o mundo, o profundo, a proficiência
Foda-se, apenas foda-se, que se vá a falência

Foda-se o ouro, o couro, a violência
foda-se a nicotina, a cafeína, a hiper-consciência
foda-se o seguro, o futuro, a paciência
Foda-se, foda-se tudo, viva a cenescência

Foda-se este viver sem convivência
que fode meu corpo em cansaço, em carência
Foda-se tudo, que se vá ao furo
o corpo, o seguro porto, o ser quase morto
a busca insana por coerência
que se foda o mundo
que eu viva tudo
na minha doce e livre demência.

Último pedido


eija-me,

Minha boca, meu peito.

Cura-me,
deste meu coração com defeito.

Arruma,
meu leito desfeito.

Para eu poder repousar.

Sou pássaro cansado
arfando, sem ter onde pousar


Despe-me,
da roupa escura.

Banha-me,
na tua água pura
És uma cascata de sentimentos
em imaginados momentos
onde nua, minha alma vai banhar

Cura-me,
da minha vã loucura.

Cessa,
minha insana procura.

Chama-me de tua!

Seja em mim tudo
que há para sonhar.


Prometo, juro, me comportar...

Dança comigo?


ança comigo esta valsa
mesmo estando eu descalça
neste tapete de cacos de vidros.

Sussurra em falcete aos ouvidos
indecentes desejos incontidos
de uma alma poética


Dança esta valsa estética
peço-te em bom português
com a mais pura polidez.


Dança inteiro comigo
uma dança de um par proibido
neste salão imaginário.


Constrói comigo o cenário
deste jantar nunca tido
Dança, valseia comigo?

Despe-te tu de teu abrigo
toca-me, liberta este beijo contido
Ama-me em pura alegria.

Dança até raiar o dia
tu de fato negro, elegante
eu de vestido longo, brilhante.

Ao som da valsa do amor
corto meus pés, não sinto dor
és o que ésum ator!

Rodopiando feliz
tal qual galã e atriz
em filme belo e antigo

Dança ,que eu danço contigo
liberta-te desta tua libido
que te prende coerente


Ama-me indecente
pois sou mulher viva, ardente
e tu poeta lírico apaixonado.

Dança, mesmo eu do outro lado
Faz de conta que és meu namorado
e eu uma estrela brilhante.


Ama-me neste tempo restante
deste doente coração partido.
Dança, dança comigo?


Prometo guardar este segredo
se este é teu grande medo
dança neste salão vazio
antes que meu coração não mais sadio
jaza pálido, triste e frio.

Hoje

Olho o cinza das ruas
iluminados pelos neons
estranhos sons maquinais
gritos de mecânicos animais
buzinas varando a noite
em sinais alucinados.
Nada é orgânico
fora o pânico e a solidão.
A vida corre na contramão
do progresso.
O coração pulsa em um ritmo
que não mais meço
Tudo é uma parte
de o mesmo processo.

Olho as luzes
busco um louco,
me confesso.
Ouço o rugido rouco
anunciando o fim certo.
Apocalípse na esquina,
ali bem perto

Pensamento aprisionante.

á tarde me sobram as horas
e demoras 
que a vida imprime
na angústia
que suprime a felicidade.

Pensar até morrer
esquecer de viver.

Reverberam insanas sinápses

Seriam estes os ápices
desta cordilheira chamada vida?

Cada um escolhe o caminho
sempre se caminha sozinho.

Mesmo querendo ser vento,
sou carne parindo pensamento
a cada segundo.

Para!!! Para o mundo!!!
Eu quero descer!!!
Cansei de pensar,
preciso viver!!!

Desejo Carnal


udo que quero
E sentir-te tal qual ferro em brasa
a tatuar meu corpo,
adentra-lo como que entra em casa
ressuscita-lo quase morto.
Ser-te morada eterna
amar-te violenta e terna
abrir-me para teu corpo ereto.
Tudo que quero
é este destino certo
que empurra-me para teu leito.
Não quero mais nenhum feito,
apenas sentir o prazer:
Ter-me deflorada a gemer.
Gritar sinfonia vadia.
Quero amar-te até raiar o dia
afogar-me nos líquidos do desejo.
Quero alimentar-me de beijo
beber da água da alma
quero enfim ter a calma.
Ser saciada inteira
Quero ser-te a primeira,
pois sou virgem no amor.
Amas-me até sentir dor
refresca enfim o ardor
desta minha alma sofredora.
Faz-me de neófita, professora
na arte do amor carnal.
Ama-me tal qual animal,
louco em pleno cio,
derrete meu corpo frio
pois sou inteira tua
assim como o céu é da lua
o palco para ela encenar.
Começa, podes me iniciar
da arte de te amar
ama-me até o mundo acabar
até faltar-me o ar
pois meu desejo é ardente
e minha fome urgente
ama-me pois além de letras
sou também gente!!!!

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...