Neste limbo onde me encontro
sem amigo, sem nada, sem ombro
onde possa chorar.
Sou escombro
sou quase nada
de um edifício
que ainda está por acabar
Como pode assim de repente
mudar tanto vida da gente?
Como pode o destino
inclemente
Mudar tudo assim
tão urgente
Apocalipse pessoal
para os outros, tão normal...
Mas quando acontece consigo mesmo
ficamos perdidos
vagando a esmo.
Que pensar?
Quando na vida, no limiar
sentamos e vemos
tudo o que fizemos
(e não fizemos)
tudo que desejamos
que deixamos
que queremos
Quando vimos a porta da morte aberta
descobrimos a vida tão incerta.
Quando achamos que nada vale a pena
apenas estar serena
e voar na minha louca pena.
Olhar o filho pequeno
não saber se veremos crescer
Pensar porque tanto veneno
que nos cospem desde o amanhecer
Esta vida é nada
apenas uma coisa inventada
que pode a qualquer instante
ser tirada,
sendo nós apenas a memória restante
por alguma pessoa amada.
Decidi,
Não vou morrer,
VOU VIVER
VER MEUS FILHOS CRESCEREM
ESPERAR AS FLORES FLORECEREM
VOU ESCREVER
VOU VER O SOL NASCER
E SE POR, AO ANOITECER
VOU SER ARTE
DEIXAR A INIQUIDADE À PARTE
VOU SOBREVIVER
VOU SER TUDO AQUILO QUE QUERO SER
VOU SER AMANTE
NÃO MAIS DISTANTE
VOU SER DA VIDA DILETANTE
VOU FAZER TUDO POR AMOR
E NUNCA MAIS NO PEITO
SENTIR DOR!!!
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
5.01.2010
Foda-se
| oda-se o muro, o escuro, a luminiscência Foda-se a falo, o valo, a decência Foda-se o mundo, o profundo, a proficiência Foda-se, apenas foda-se, que se vá a falência Foda-se o ouro, o couro, a violência foda-se a nicotina, a cafeína, a hiper-consciência foda-se o seguro, o futuro, a paciência Foda-se, foda-se tudo, viva a cenescência Foda-se este viver sem convivência que fode meu corpo em cansaço, em carência Foda-se tudo, que se vá ao furo o corpo, o seguro porto, o ser quase morto a busca insana por coerência que se foda o mundo que eu viva tudo na minha doce e livre demência. |
Último pedido
eija-me, Minha boca, meu peito. Cura-me, deste meu coração com defeito. Arruma, meu leito desfeito. Para eu poder repousar. Sou pássaro cansado arfando, sem ter onde pousar Despe-me, da roupa escura. Banha-me, na tua água pura És uma cascata de sentimentos em imaginados momentos onde nua, minha alma vai banhar Cura-me, da minha vã loucura. Cessa, minha insana procura. Chama-me de tua! Seja em mim tudo que há para sonhar. Prometo, juro, me comportar... |
Dança comigo?
ança comigo esta valsa mesmo estando eu descalça neste tapete de cacos de vidros. Sussurra em falcete aos ouvidos indecentes desejos incontidos de uma alma poética Dança esta valsa estética peço-te em bom português com a mais pura polidez. Dança inteiro comigo uma dança de um par proibido neste salão imaginário. Constrói comigo o cenário deste jantar nunca tido Dança, valseia comigo? Despe-te tu de teu abrigo toca-me, liberta este beijo contido Ama-me em pura alegria. Dança até raiar o dia tu de fato negro, elegante eu de vestido longo, brilhante. Ao som da valsa do amor corto meus pés, não sinto dor és o que és, um ator! Rodopiando feliz tal qual galã e atriz em filme belo e antigo Dança ,que eu danço contigo liberta-te desta tua libido que te prende coerente Ama-me indecente pois sou mulher viva, ardente e tu poeta lírico apaixonado. Dança, mesmo eu do outro lado Faz de conta que és meu namorado e eu uma estrela brilhante. Ama-me neste tempo restante deste doente coração partido. Dança, dança comigo? Prometo guardar este segredo se este é teu grande medo dança neste salão vazio antes que meu coração não mais sadio jaza pálido, triste e frio. |
Hoje
Olho o cinza das ruas
iluminados pelos neons
estranhos sons maquinais
gritos de mecânicos animais
buzinas varando a noite
em sinais alucinados.
Nada é orgânico
fora o pânico e a solidão.
A vida corre na contramão
do progresso.
O coração pulsa em um ritmo
que não mais meço
Tudo é uma parte
de o mesmo processo.
Olho as luzes
busco um louco,
me confesso.
Ouço o rugido rouco
anunciando o fim certo.
Apocalípse na esquina,
ali bem perto
iluminados pelos neons
estranhos sons maquinais
gritos de mecânicos animais
buzinas varando a noite
em sinais alucinados.
Nada é orgânico
fora o pânico e a solidão.
A vida corre na contramão
do progresso.
O coração pulsa em um ritmo
que não mais meço
Tudo é uma parte
de o mesmo processo.
Olho as luzes
busco um louco,
me confesso.
Ouço o rugido rouco
anunciando o fim certo.
Apocalípse na esquina,
ali bem perto
Pensamento aprisionante.
á tarde me sobram as horas
e demoras
que a vida imprime
na angústia
que suprime a felicidade.
Pensar até morrer
esquecer de viver.
Reverberam insanas sinápses
Seriam estes os ápices
desta cordilheira chamada vida?
Cada um escolhe o caminho
sempre se caminha sozinho.
Mesmo querendo ser vento,
sou carne parindo pensamento
a cada segundo.
Para!!! Para o mundo!!!
Eu quero descer!!!
Cansei de pensar,
preciso viver!!!
e demoras
que a vida imprime
na angústia
que suprime a felicidade.
Pensar até morrer
esquecer de viver.
Reverberam insanas sinápses
Seriam estes os ápices
desta cordilheira chamada vida?
Cada um escolhe o caminho
sempre se caminha sozinho.
Mesmo querendo ser vento,
sou carne parindo pensamento
a cada segundo.
Para!!! Para o mundo!!!
Eu quero descer!!!
Cansei de pensar,
preciso viver!!!
Desejo Carnal
| udo que quero E sentir-te tal qual ferro em brasa a tatuar meu corpo, adentra-lo como que entra em casa ressuscita-lo quase morto. Ser-te morada eterna amar-te violenta e terna abrir-me para teu corpo ereto. Tudo que quero é este destino certo que empurra-me para teu leito. Não quero mais nenhum feito, apenas sentir o prazer: Ter-me deflorada a gemer. Gritar sinfonia vadia. Quero amar-te até raiar o dia afogar-me nos líquidos do desejo. Quero alimentar-me de beijo beber da água da alma quero enfim ter a calma. Ser saciada inteira Quero ser-te a primeira, pois sou virgem no amor. Amas-me até sentir dor refresca enfim o ardor desta minha alma sofredora. Faz-me de neófita, professora na arte do amor carnal. Ama-me tal qual animal, louco em pleno cio, derrete meu corpo frio pois sou inteira tua assim como o céu é da lua o palco para ela encenar. Começa, podes me iniciar da arte de te amar ama-me até o mundo acabar até faltar-me o ar pois meu desejo é ardente e minha fome urgente ama-me pois além de letras sou também gente!!!! |
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...