5.01.2010

Último pedido


ispo-me mais uma vez
mostro inteira minha tez,
da alma.

Escreve, tatua com calma
com a tinta
"insensatez"
com firmeza e rigidez
o que está escrito
na palma
(da mão).

Toca-me com calidez
sustenta-me,
acalma.
dize-me: NÃO
clarifica a aura.

(0u)
Escreve mais uma vez,
um "quem sabe",
"um talvez"

com sangue
em minha pele,
alva.


Esfria a
ebulição,
a grande confusão,
que se instaura.

Que lenta devora,
a emoção que aflora,
em meu coração
que se esvai,
vai embora...

Não aprendo

Abri novamente meu peito
sempre o mesmo defeito
não aprendo!

Subi novamente o himalaia
torcendo para que novamente não cai
e caí, sofrendo
não aprendo!

Porque eu sempre me rendo?
porque persisto sofrendo
mesmo ituindo, prevendo?
não aprendo!

Mas depois de tanta cara quebrada
tanta montanha escalada
tanta queda do cume
o que se presume?
que mesmo vendo
continuo quimeras querendo
e que, enfim,
sou burra,
não aprendo!!!!

Quase amor

Putrefa o corpo em langor vadio
corpo vazio
Alegoria que a alma carrega incauta
monótona pauta.


Corre o mundo em insalubre velocidade
espreme-se dele o úbre,
mas não há leite,
nem saciedade.


Escorre a vida,
insípida, sem cor
percorre-me insossa
nem mais alegria, nem dor.
Resta apenas uma fugaz presença
um quase amor
Resta apenas uma saudade imensa
uma quase dor.

Um quase beijo que minha alma,
plena, beijou
Um rio de seixos
que o fogo da mágoa,
a água, evaporou.

Resta apenas o caminho
de pedras e desejo humano
e um seco pergaminho
ansioso e insano
(que o tempo, por segurança, queimou).


Quase amor

utrefa o corpo em langor vadio
corpo vazio
Alegoria que a alma carrega incauta
monótona pauta.


Corre o mundo em insalubre velocidade
espreme-se dele o úbre,
mas não há leite,
nem saciedade.


Escorre a vida,
insípida, sem cor
percorre-me insossa
nem mais alegria, nem dor.
Resta apenas uma fugaz presença
um quase amor
Resta apenas uma saudade imensa
uma quase dor.

Um quase beijo que minha alma,
plena, beijou
Um rio de seixos
que o fogo da mágoa,
a água, evaporou.

Resta apenas o caminho
de pedras e desejo humano
e um seco pergaminho
ansioso e insano
(que o tempo, por segurança, queimou).


A duas vozes

Sentes-me mesmo distante?
sentir-te me é o bastante
Mesmo sem substrato
nem cheiro, nem gosto nem tato.



Sem nunca te olhar
imagino os meus olhos
marcados
fixando no espelho baço
teus traços sofridos
rasgados.

Sinto-te a cada instante
sentimento perdido, confuso
errante
Sinto-te a cada verso de amor
em cada suspiro de dor
lancinante


Sem nunca te sentir
desatina o meu coração
cansado
nas noites frias de inspiração
entre nós…a solidão
pecado.

Teu caminho é também o meu
contigo sigo as nuvens no céu. 
Tua voz é também a minha
alimento-me do mesmo mel
nem mais sinto gosto de fél
sozinha


Quente?


uente?
Era meu corpo
que foi cortado rente.
Antes eruptiva lava
em vertente
chegando ao porto
petrificando ao mar
inutilmente.

Quente?
Era minha boca
em tua pele,macia
ansiando ao raiar do dia
despertando fria serpente.

Quente?
Era o pedido
Sussurrado,
eloquente:

"Ama-me!
Sou tua,
sou gente!"


Quente?
Era a lágrima
brotada em poesia
impaciente,
escorrida
incoerente
Em uma face
anestesiada
que já não sente...
Que chora
a volúpia que se demora
não vai embora,
insistente!!!!

Quente?
Era meu corpo
sem-vergonha,
inocente,
embriagado
da água ardente
desta paixão inconsequente
Que tira o ar
deixa-me prostrada
ressaqueada,
senescente
enquanto litinifica
meu coração,
lentamente.

Quente?
Era a febre
delirante,
demente
que senti no dia que me apaixonei
loucamente
Mas como burra Julieta
morri, envenenei-me
precocemente!

Quente?
É tudo que se passa
apenas na minha mente
ou esta lembrança baça
que permanece muda,
silente.

Porém quente, ainda quente...

(maldita, vã, serpente,
e sua maçã suculenta,
atraente...)

Coração


Coração bandido,
ardido,
mal acabado.

Coração fingido
iludido
mal fadado.

Sem ti não vivo
resfolego
me acabo.

Por ti me submeto
visto-me de preto
mudo o lado.

Volta,
bate,
sem revolta
largo tudo
prometo
vivo de arte.

Coração quebrado
partido
sejas amigo,
não se evade.

Quero-te enfim
dentro de mim
batendo quieto
sem alarde.

Aguenta,
não rebenta
não sejas covarde!

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...