| h plácida calma que invade minha alma serena óh resignação que torna aceitável a triste pena De viver só, sem sentir dorida e triste solidão de sentir o peso da mó, lembrar que farinha foi grão. Que esmagado pelas pedras pesadas da vida tornar-se alimento que sustenta, cura ferida bruto grão, íntegro, não alimenta, lamento... ferido, alva farinha, proto-pão, alimento E assim roda a vida, esmagando o coração assim curam-se as feridas, grão partido vira pão E eu sigo serena meu solitário e único destino E sonho todas as noites o mesmo sonho vespertino Dorme-se e acorda-se, mesmo leito branco e frio lava-se toda a manhã, mesma água do gélido rio. Quando despoja-se dos resquícios da triste noite Quando refresca-se os vergões do triste açoite. E assim passa a vida, um dia bom e outro não Assim vai a vida, um dia frio, outro paixão. |
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
5.01.2010
Entendimento
Vida
| ma nesga de sol invade meu quarto percebo o triste ato neste teatro vida Uma nesga de renda esquecida no retrato deixa-me no ato, tonta, aturdida. A vida, óh a vida, escolha ou batalha perdida? Vida, óh vida, cicatriz ou aberta ferida? Chega! Vida és vida, em cada palavra proferia Vida és vida, em cada criança parida Vida és vida, em cada mágoa esquecida Vida és vida, por mim escolhida! Deixo ao caminho meu negro manto visto-me com um sorriso e com encanto Lavei todas minha feridas com meu lúgubre pranto. Decidi viver! não irei amaldiçoar da vida cada encanto! Decidi crescer Enfrentar o destino, ser feliz me meu corpo santo. |
Ponto de mutação
| Quantos olhos são necessários para ver o sol se por? quantos matizes são necessários para chamarmos isso de cor? quantos pássaros são necessários para voar? quantos palcos são necessários para encenar? Tão perdida estava eu no meu mundo privado que privada fiquei eu em meu mundo imaginado Esqueci que além da janela, há um mundo lá fora que a vida é vela, que se apaga a qualquer hora. Esqueci que além do teto existe azul céu que as abelhas picam, mas fazem também mel. Que existe um amor que transcende um simples ato que existe em toda parte, não só dentro de um quarto. Assim eu decidi sair deste escuro poço sem fundo, Desisti de amar um homem, aprenderei a amar o mundo. |
Amor universal
| Nesta diáspora de meu desejo espalha-me inteira ao mundo amo a todos, até nem vejo onde espalho amor fecundo Hoje saio do ambíguo sentimento solitário eu separo-me do umbigo sou um ser solidário Ao mundo lanço amor não inclino-me mais ao pranto tal qual sol em seu fulgor não escolhe luzir tal canto. Espalho-me em alegria vejo aurora fulgurante podem dizer que é mania mas do amor sou infante. Se é doença, não é agonia não dêem-me nenhum remédio pois agora não sinto-me vazia não pularei de nenhum prédio. Existem tantos seres no mundo porque amar apenas um se pode-se em um segundo amar a todos e não algum Então tal qual luz fractada me desfaço em mil pedaços sou fraterna namorada tenho o mundo em meus braços. |
Por ti
| Meu coração é grande castelo de muitos quartos Meu coração tange a doçura de muitos atos Meu coração é louco um músculo arrítmico Meu coração é pouco para afetos Sísmicos. Como impedir o sol de nascer? inexorável movimento quotidiano Poderia eu inverter a translação? mudar o rítmo circadiano. (ou) simplesmente arrancar de meu peito meu coração. INSANO! |
Análise pessoal
| Vôo no estrago, o estrago do vício vôo no precipício que em mim trago trago o fumo que nem sei do sumo sumo no humo do lodo precipício Desmonto minha alma, quebrada do ínicio Gêneses sem forma, ser fictício sopro sem alma, barro de hospício Nasce sem calma, carne de costela sopro de vela, velando no traço Rompo o laço, sou ser escasso jogando versos gastos ao vão espaço. Sopram palavras em meus ouvidos revelam segredos ao vento, perdidos sou um frêmito, em pulmôes sofridos. |
Nada resta
| Nada restou nem nada resta ...............nem olho ........................nem luz ...............................nem fresta. Apenas a vida que finda na madrugada na aurora recomeça .....insossa ..............fosca .....................frustra que passa sem pressa. [Apenas há a escrita que algum sabor me empresta] |
ANA LYRA |
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...