5.01.2010

Maldição das Moiras


Maldição das loucas Moiras
que traçaram tal teia tangente
bruxas cegas e loucas
com bordados incoerentes

Nutrindo parcas bocas
com desejos ardentes
inocentes, improváveis
indecentes, inexoráveis


Aportam aos corpos abertos
acorrentados em distintos tetos
em momento improvável
cruel desejo insaciável

Só em póstuma viagem
então como espectro surgiria
a tão sonhada coragem
para provar rara iguaria:

corpo firme, lindo ereto
em lânguida solitária agonia.

Eis então a maldição
ao lúdico triste coração
o corpo em estertores
estertorando ilusão

são apenas solitários atores
contracenando com a própria mão


Arde tanto de dores
sentem doces odores
exalados em solitário vão
são pétalas de rosas
esmagadas por do imutável Não

Malditas Moiras loucas
bruxas sem compaixão
teceram linhas poucas
separam o corpo
juntam o coração.

Declino ao desejo
deste corpo ao rés do chão
desmancho-me em lamentos
corpo santo, amor de irmão.

Janela para o Lírico


nvelhecida a janela, entreaberta
Absorvendo fios de vida, incerta
pela fresta
A vela desmaia em cera, tosca
Esvanece-se a réstia de luz
fosca

Fechei a janela, envelhecida
Aprisionei lá fora, a vida
matei a fresta
A noite escura o sono
me empresta
Sem luz já nem o escrever
me resta

Porém, em meu coração
insano
sobrevive o desejo
humano
De ser chama, fogo, brasa, vela
desejo que a mim se atrela
nesta busca insana.

Busca de um coração que ama
Em letras lanço meu clamor ao espaço
cego, incerto, triste e trêmulo
enfim traço 

fusco escasso verso.

Lançando meu amor com fé
a todo o universo.

Carta ao parceiro

A ti
dono dos movimentos sem nexo
envio este sentimento
anexo
para que entendas
que a mulher
não vive só de rendas
prostrada, nua ao leito
que além dos seios no peito
existe por dentro um músculo
que se emociona ao crepúsculo
portanto seu lobo sarnento
vil, torpe e sedento
desejo-te um grande tormento
que teu órgão vital
chamado usualmente de pau
deixe-te eternamente
à mingua, flácido, dormente
seja-te uma maldição
não te resolvas
nem mais com a mão

que morras murcho
sem comida no bucho
quem sabe assim,
seu burro, insensível
sanguinário
descubras o intangível,
além do corpo, visível
há um outro cenário
além da doce quentura
do corpo em movimentação
além da temperatura
da pele e do toque da mão
existe no peito um músculo
que se chama coração.

Espuma à maré cheia


u és

a areia que sustenta meus pés
que flutuam no éter insano
as folhas de papel
que cobrem meu corpo de mel
de desejo humano.
Tu és 

o mumuro do vento do norte
que sussurra improvável sorte
que alimenta meu lirismo
és um beijo jogado ao abismo
num eco sem retorno

Tu és
O rei em seu domo de letras
Eu? A viúva de rendas pretas
tecendo versos bordados
desmanchando ao dia
a tristeza e a agonia
à noite sou teia versos dourados
jogados à areia em castelos inventados.

Nós? 

Somos apenas poetas
de loucas afetivas metas
com a rima que pulsa nas veias
com os corpos trepassados por setas
encantados por cantos de sereias
sobrevivendo em pequeno espaço
tecendo etéreo tênue laço
tal qual as espumas nas areias
fuscas e frágeis
à lua nas marés cheias.

Eis que surge o amor em minha morada

Era noite, a lua fria iluminava
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.

Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.

Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta

Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.

Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.

Beijo transatlantico


eijo que navega por um oceano
insano desejo sobre-humano
que aporta em minha alma louca
desfazendo-se à minha boca.
Faz-me faltar-me o ar.

(Que importa este mar de alucinação,
se a ele não me rendo, digo solene não)
Oh! Esse beijo, ao oceano largado
pela minha imaginação, fecunda
à neblina, por duas mãos lançado
minha’alma, de prazer, inunda
Afogo-me então na tua imensidão
fechar os olhos, rasgar a solidão
Percorrer com os sentidos o teu mundo
esquecer-me num imenso prazer fecundo

Faz-me sonhar-me , em ti.

(Perco-me ao desejo do teu beijo a navegar
Galgo léguas e léguas de éter, afecto e ar)
Que venham as tempestades
as correntes de revolto mar
mas este beijo sobrevivente
tão quente, jamais irá naufragar
Assim, que este beijo-desejo
irrompa pelo oceano, ao Tejo,
por fim, venha ansioso desaguar
nas linhas de um lírico poetar (delirar)

A minha loucura


 minha loucura,
me morde, me fura
deixa meu peito aberto
em toda espessura.


A minha loucura
procura, procura
busca insana por
por alguma cura

A minha loucura
também é frescura
quando sozinha
na noite escura

A minha loucura
falante,
com desenvoltura
já chega a conferir
certa formosura


A minha loucura
da alma secura
confere um lugar
onde acho-me segura

Na minha loucura
sou lua brilhando nua
neste mar de lúdica
candura.

Na minha loucura
volto àquela rua
volto o mundo
outra escolha,
sou livre,
sou tua.


Beijo-te inteiro
não só meio
toco-te com ternura.

Na minha loucura
sou eterna,
em letras
amas-me
Sou tua


Apenas na minha loucura...

Ler um poema de amor


Só quero ler-te na solidão das horas
onde a ânsia devora meu corpo vazio
preenche-lo de letras, este toco vadio
que sobrou das árvores amorosas.

Quero apenas preencher-me de versos
perfumar-me de lúdicas rosas
prencher-me de versos, desejos inconfessos
onde deságuo minha alma com frio.

Quero flutuar no vazio desta matéria insana
ser versos que flutuam em minha mente
tornar-me etérea, eterna, lúdica chama.

viver na poesia que minha alma inflama
deixar de hipocrisia e ser simplesmente
uma mulher que ama, uma poetisa, humana.

Moira por favor não deixem meu sol se por.


Fio
que sustenta meu corpo
quase vazio
de alma
calma, calma
tudo vai ficar bem
(mas por segurança
encomende seu requiém)

Frio
é este universo
de afeto vazio
de ruídos
sem versos
de médico
frio...

Rio
das almas
passearei
sem medo
Mas Moira
pensa bem
talvez ainda ´
é cedo...

Da-me outra chance
que sabe meu coração
não desmanche
e acabe por não parar
Moira da tesoura,
não corte o meu fio
não deixe meu corpo vazio
de alma
frio e sem respirar...

Ainda tenho muito para amar!!!!

Meu Requiém

eu coração disparou
meu intestino se borrou
Mas como?
Como pode?
Com médico nenhuma doença fode!!!
Mas não adiantou ciência
nem prepotência
que pudesse impedir
de meu coração entupir...

Fui despida
me chamarem de querida
sem muito carinho, ou alento
enfiaram um cano veia a dentro
disseram "olá como está"
me enfiaram fios
e uma campanhia para segurar
"caso seu coração parar"

Fui depilada
fui amarrada
minha alma achou estranho
estar deste outro lado
ser tratada qual rebanho

Mas todos tem pressa
só meu coração interessa
talvez este seja o defeito
esqueceram que tem um ser
carregando o peito...

Mas ganhei massagem
ainda bem que não foi uma passagem
para o além
quem se candidata ao meu requiém?
alguém?

Desfilei impávida,
pela vida ávida
de bunda de fora
nada mais importa agora!!!

Senti muita dor
vomitei no pé do diretor
tomei morfina
agonia que nunca termina

Mas quando selaram meu destino
tentaram limpar o meu intestino
( para não dar trabalho)
Eu disse:" enema um caralho!!!!
Se é para não sujar a cama
enfie no seu cu sua sacana!!!

E assim está indo tudo muito bem
penso em eu mesma fazer meu requiem.

"Morre pelada,
com um cano no nariz
morreu casta
já gasta a pobre infeliz
mas seu anus estava fechado
morreu e deu trabalheira
seu leito estava cagado
quem limpou foi a pobre enfermeira!!!!)


.

Decisão

Neste limbo onde me encontro
sem amigo, sem nada, sem ombro
onde possa chorar.
Sou escombro
sou quase nada
de um edifício
que ainda está por acabar
Como pode assim de repente
mudar tanto vida da gente?
Como pode o destino
inclemente
Mudar tudo assim
tão urgente
Apocalipse pessoal
para os outros, tão normal...
Mas quando acontece consigo mesmo
ficamos perdidos
vagando a esmo.
Que pensar?
Quando na vida, no limiar
sentamos e vemos
tudo o que fizemos
(e não fizemos)
tudo que desejamos
que deixamos
que queremos

Quando vimos a porta da morte aberta
descobrimos a vida tão incerta.

Quando achamos que nada vale a pena
apenas estar serena
e voar na minha louca pena.

Olhar o filho pequeno
não saber se veremos crescer
Pensar porque tanto veneno
que nos cospem desde o amanhecer

Esta vida é nada
apenas uma coisa inventada
que pode a qualquer instante
ser tirada,
sendo nós apenas a memória restante
por alguma pessoa amada.

Decidi,
Não vou morrer,
VOU VIVER
VER MEUS FILHOS CRESCEREM
ESPERAR AS FLORES FLORECEREM
VOU ESCREVER
VOU VER O SOL NASCER
E SE POR, AO ANOITECER
VOU SER ARTE
DEIXAR A INIQUIDADE À PARTE
VOU SOBREVIVER
VOU SER TUDO AQUILO QUE QUERO SER
VOU SER AMANTE
NÃO MAIS DISTANTE
VOU SER DA VIDA DILETANTE
VOU FAZER TUDO POR AMOR
E NUNCA MAIS NO PEITO
SENTIR DOR!!!

Foda-se


oda-se o muro, o escuro, a luminiscência
Foda-se a falo, o valo, a decência
Foda-se o mundo, o profundo, a proficiência
Foda-se, apenas foda-se, que se vá a falência

Foda-se o ouro, o couro, a violência
foda-se a nicotina, a cafeína, a hiper-consciência
foda-se o seguro, o futuro, a paciência
Foda-se, foda-se tudo, viva a cenescência

Foda-se este viver sem convivência
que fode meu corpo em cansaço, em carência
Foda-se tudo, que se vá ao furo
o corpo, o seguro porto, o ser quase morto
a busca insana por coerência
que se foda o mundo
que eu viva tudo
na minha doce e livre demência.

Último pedido


eija-me,

Minha boca, meu peito.

Cura-me,
deste meu coração com defeito.

Arruma,
meu leito desfeito.

Para eu poder repousar.

Sou pássaro cansado
arfando, sem ter onde pousar


Despe-me,
da roupa escura.

Banha-me,
na tua água pura
És uma cascata de sentimentos
em imaginados momentos
onde nua, minha alma vai banhar

Cura-me,
da minha vã loucura.

Cessa,
minha insana procura.

Chama-me de tua!

Seja em mim tudo
que há para sonhar.


Prometo, juro, me comportar...

Dança comigo?


ança comigo esta valsa
mesmo estando eu descalça
neste tapete de cacos de vidros.

Sussurra em falcete aos ouvidos
indecentes desejos incontidos
de uma alma poética


Dança esta valsa estética
peço-te em bom português
com a mais pura polidez.


Dança inteiro comigo
uma dança de um par proibido
neste salão imaginário.


Constrói comigo o cenário
deste jantar nunca tido
Dança, valseia comigo?

Despe-te tu de teu abrigo
toca-me, liberta este beijo contido
Ama-me em pura alegria.

Dança até raiar o dia
tu de fato negro, elegante
eu de vestido longo, brilhante.

Ao som da valsa do amor
corto meus pés, não sinto dor
és o que ésum ator!

Rodopiando feliz
tal qual galã e atriz
em filme belo e antigo

Dança ,que eu danço contigo
liberta-te desta tua libido
que te prende coerente


Ama-me indecente
pois sou mulher viva, ardente
e tu poeta lírico apaixonado.

Dança, mesmo eu do outro lado
Faz de conta que és meu namorado
e eu uma estrela brilhante.


Ama-me neste tempo restante
deste doente coração partido.
Dança, dança comigo?


Prometo guardar este segredo
se este é teu grande medo
dança neste salão vazio
antes que meu coração não mais sadio
jaza pálido, triste e frio.

Hoje

Olho o cinza das ruas
iluminados pelos neons
estranhos sons maquinais
gritos de mecânicos animais
buzinas varando a noite
em sinais alucinados.
Nada é orgânico
fora o pânico e a solidão.
A vida corre na contramão
do progresso.
O coração pulsa em um ritmo
que não mais meço
Tudo é uma parte
de o mesmo processo.

Olho as luzes
busco um louco,
me confesso.
Ouço o rugido rouco
anunciando o fim certo.
Apocalípse na esquina,
ali bem perto

Pensamento aprisionante.

á tarde me sobram as horas
e demoras 
que a vida imprime
na angústia
que suprime a felicidade.

Pensar até morrer
esquecer de viver.

Reverberam insanas sinápses

Seriam estes os ápices
desta cordilheira chamada vida?

Cada um escolhe o caminho
sempre se caminha sozinho.

Mesmo querendo ser vento,
sou carne parindo pensamento
a cada segundo.

Para!!! Para o mundo!!!
Eu quero descer!!!
Cansei de pensar,
preciso viver!!!

Desejo Carnal


udo que quero
E sentir-te tal qual ferro em brasa
a tatuar meu corpo,
adentra-lo como que entra em casa
ressuscita-lo quase morto.
Ser-te morada eterna
amar-te violenta e terna
abrir-me para teu corpo ereto.
Tudo que quero
é este destino certo
que empurra-me para teu leito.
Não quero mais nenhum feito,
apenas sentir o prazer:
Ter-me deflorada a gemer.
Gritar sinfonia vadia.
Quero amar-te até raiar o dia
afogar-me nos líquidos do desejo.
Quero alimentar-me de beijo
beber da água da alma
quero enfim ter a calma.
Ser saciada inteira
Quero ser-te a primeira,
pois sou virgem no amor.
Amas-me até sentir dor
refresca enfim o ardor
desta minha alma sofredora.
Faz-me de neófita, professora
na arte do amor carnal.
Ama-me tal qual animal,
louco em pleno cio,
derrete meu corpo frio
pois sou inteira tua
assim como o céu é da lua
o palco para ela encenar.
Começa, podes me iniciar
da arte de te amar
ama-me até o mundo acabar
até faltar-me o ar
pois meu desejo é ardente
e minha fome urgente
ama-me pois além de letras
sou também gente!!!!

Dança comigo amigo poeta?

Dança comigo um tango
se não quiseres eu também sambo
pois tenho a mais plena certeza
que de alma te sobra leveza.
Dança comigo esta valsa
mesmo que alegria te pareça falsa
Proponho-te então um escambo
troca este teu corpo mulambo
por um gole de calma
que esquenta tua triste alma
Só não aceito o tempero
com gosto de desespero
destas tuas última letras
vestidas de roupas pretas
A solidão não cai-te bem,
não pensas que não tens ninguém,.
nem nada, nem amante, nem amada
tens em mim uma poetisa apaixonada
pelos teus versos musicados
pelos teus textos iluminados
que trazem luz ao mundo
que simplificam o profundo.
Portanto ainda és vivente
um poeta inteligente
um homem lutador
que esquenta esta fria dor
E inspira uma poetisa
a pensar em outro tipo de amor
o amor transcendente e puro
capaz de iluminar o escuro
da alma em tristeza.

Dança comigo este tango?
Mesmo com corpo mulambo,
dançarás na mais pura leveza
disso eu tenho certeza
pois tu alma é da mais pura beleza
tua poesia singela é luzente pureza.

E teu corpo apenas um detalhe
se bobear capaz que calhe
em uma pista de dança
no baile da esperança.


GRANDE ABRAÇO,
Adoro ler-te colega.
Beijo enorme.

Crescer


rrancou meu coração
seduzido
Deixou-me em coma
induzido

Que posso eu fazer?
Apenas deixar
murchar
fenecer.

Que posso eu fazer?
Apenas, escrever, escrever, escrever
não dormir
ficar até o sol nascer
e meu corpo enfim desaparecer!!!

Quem sabe assim
um dia eu venha a crescer!!!

Paradigma


Tempo que desbota o rosto
austero de um futuro incerto
borda de um estranho teto
que cobre meu corpo posto.
Fio que liga os momentos
liga meu corpo aos sentimentos
sentidos de uma mente inquieta
que sabe não controlar a meta
Experimento de mortalidade
negrito na vida sem qualidade
salta aos olhos a contramão
a vida em inversa direção
Nem delta, nem ômega, nem sigma
necessidade de mudar paradigma
Nem alfa, nem beta, nem gama
o mundo passa ao pé da minha cama

De mim as letras vão sumindo
apenas os clássicos são os imortais
mesmo mortos sempre parecem rindo
da vida dos humanos animais
Nessa dor uma grande chance
antes que a morte alcance
começar realmente a viver
exercitar a arte do esquecer

Olhar apenas para frente
amar, pois há tanta gente
abraçar o mundo num instante
escrever, mesmo diletante.

Respirar o hálito do mar
colorir o céu ao sol nascer
deitar os olhos ao infinito
romper o silêncio com um grito


VIVER!!!!!

Afinal o mundo é tão bonito...
E eu? Muito moça para morrer.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...