| u és a areia que sustenta meus pés que flutuam no éter insano as folhas de papel que cobrem meu corpo de mel de desejo humano. Tu és o mumuro do vento do norte que sussurra improvável sorte que alimenta meu lirismo és um beijo jogado ao abismo num eco sem retorno Tu és O rei em seu domo de letras Eu? A viúva de rendas pretas tecendo versos bordados desmanchando ao dia a tristeza e a agonia à noite sou teia versos dourados jogados à areia em castelos inventados. Nós? Somos apenas poetas de loucas afetivas metas com a rima que pulsa nas veias com os corpos trepassados por setas encantados por cantos de sereias sobrevivendo em pequeno espaço tecendo etéreo tênue laço tal qual as espumas nas areias fuscas e frágeis à lua nas marés cheias. |
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
5.01.2010
Espuma à maré cheia
Eis que surge o amor em minha morada
Era noite, a lua fria iluminava
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.
Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.
Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta
Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.
Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.
a areia onde minh'alma vagueava
Era noite, o vento forte e frio
abraçava meu corpo lânguido, vazio.
Sentado belo e solitário à duna
mirava-me aquela figura soturna
sorria sob a luz fugaz da lua
lembrava-me que um dia seria sua.
Num lampejo vindo da escuridão
vislumbrei o futuro em ebulição
o espaço de anos não mais afasta
Finda o tempo de minha alma casta
não penso, o presente me basta
largo-me a esta doce emoção.
Sou sua, ele meu, em terna noite de paixão.
Beijo transatlantico
| eijo que navega por um oceano insano desejo sobre-humano que aporta em minha alma louca desfazendo-se à minha boca. Faz-me faltar-me o ar. (Que importa este mar de alucinação, se a ele não me rendo, digo solene não) Oh! Esse beijo, ao oceano largado pela minha imaginação, fecunda à neblina, por duas mãos lançado minha’alma, de prazer, inunda Afogo-me então na tua imensidão fechar os olhos, rasgar a solidão Percorrer com os sentidos o teu mundo esquecer-me num imenso prazer fecundo Faz-me sonhar-me , em ti. (Perco-me ao desejo do teu beijo a navegar Galgo léguas e léguas de éter, afecto e ar) Que venham as tempestades as correntes de revolto mar mas este beijo sobrevivente tão quente, jamais irá naufragar Assim, que este beijo-desejo irrompa pelo oceano, ao Tejo, por fim, venha ansioso desaguar nas linhas de um lírico poetar (delirar) |
A minha loucura
| minha loucura, me morde, me fura deixa meu peito aberto em toda espessura. A minha loucura procura, procura busca insana por por alguma cura A minha loucura também é frescura quando sozinha na noite escura A minha loucura falante, com desenvoltura já chega a conferir certa formosura A minha loucura da alma secura confere um lugar onde acho-me segura Na minha loucura sou lua brilhando nua neste mar de lúdica candura. Na minha loucura volto àquela rua volto o mundo outra escolha, sou livre, sou tua. Beijo-te inteiro não só meio toco-te com ternura. Na minha loucura sou eterna, em letras amas-me Sou tua Apenas na minha loucura... |
Ler um poema de amor
| Só quero ler-te na solidão das horas onde a ânsia devora meu corpo vazio preenche-lo de letras, este toco vadio que sobrou das árvores amorosas. Quero apenas preencher-me de versos perfumar-me de lúdicas rosas prencher-me de versos, desejos inconfessos onde deságuo minha alma com frio. Quero flutuar no vazio desta matéria insana ser versos que flutuam em minha mente tornar-me etérea, eterna, lúdica chama. viver na poesia que minha alma inflama deixar de hipocrisia e ser simplesmente uma mulher que ama, uma poetisa, humana. |
Moira por favor não deixem meu sol se por.
| Fio que sustenta meu corpo quase vazio de alma calma, calma tudo vai ficar bem (mas por segurança encomende seu requiém) Frio é este universo de afeto vazio de ruídos sem versos de médico frio... Rio das almas passearei sem medo Mas Moira pensa bem talvez ainda ´ é cedo... Da-me outra chance que sabe meu coração não desmanche e acabe por não parar Moira da tesoura, não corte o meu fio não deixe meu corpo vazio de alma frio e sem respirar... Ainda tenho muito para amar!!!! |
Meu Requiém
eu coração disparou
meu intestino se borrou
Mas como?
Como pode?
Com médico nenhuma doença fode!!!
Mas não adiantou ciência
nem prepotência
que pudesse impedir
de meu coração entupir...
Fui despida
me chamarem de querida
sem muito carinho, ou alento
enfiaram um cano veia a dentro
disseram "olá como está"
me enfiaram fios
e uma campanhia para segurar
"caso seu coração parar"
Fui depilada
fui amarrada
minha alma achou estranho
estar deste outro lado
ser tratada qual rebanho
Mas todos tem pressa
só meu coração interessa
talvez este seja o defeito
esqueceram que tem um ser
carregando o peito...
Mas ganhei massagem
ainda bem que não foi uma passagem
para o além
quem se candidata ao meu requiém?
alguém?
Desfilei impávida,
pela vida ávida
de bunda de fora
nada mais importa agora!!!
Senti muita dor
vomitei no pé do diretor
tomei morfina
agonia que nunca termina
Mas quando selaram meu destino
tentaram limpar o meu intestino
( para não dar trabalho)
Eu disse:" enema um caralho!!!!
Se é para não sujar a cama
enfie no seu cu sua sacana!!!
E assim está indo tudo muito bem
penso em eu mesma fazer meu requiem.
"Morre pelada,
com um cano no nariz
morreu casta
já gasta a pobre infeliz
mas seu anus estava fechado
morreu e deu trabalheira
seu leito estava cagado
quem limpou foi a pobre enfermeira!!!!)
.
meu intestino se borrou
Mas como?
Como pode?
Com médico nenhuma doença fode!!!
Mas não adiantou ciência
nem prepotência
que pudesse impedir
de meu coração entupir...
Fui despida
me chamarem de querida
sem muito carinho, ou alento
enfiaram um cano veia a dentro
disseram "olá como está"
me enfiaram fios
e uma campanhia para segurar
"caso seu coração parar"
Fui depilada
fui amarrada
minha alma achou estranho
estar deste outro lado
ser tratada qual rebanho
Mas todos tem pressa
só meu coração interessa
talvez este seja o defeito
esqueceram que tem um ser
carregando o peito...
Mas ganhei massagem
ainda bem que não foi uma passagem
para o além
quem se candidata ao meu requiém?
alguém?
Desfilei impávida,
pela vida ávida
de bunda de fora
nada mais importa agora!!!
Senti muita dor
vomitei no pé do diretor
tomei morfina
agonia que nunca termina
Mas quando selaram meu destino
tentaram limpar o meu intestino
( para não dar trabalho)
Eu disse:" enema um caralho!!!!
Se é para não sujar a cama
enfie no seu cu sua sacana!!!
E assim está indo tudo muito bem
penso em eu mesma fazer meu requiem.
"Morre pelada,
com um cano no nariz
morreu casta
já gasta a pobre infeliz
mas seu anus estava fechado
morreu e deu trabalheira
seu leito estava cagado
quem limpou foi a pobre enfermeira!!!!)
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...