5.01.2010

Quente?


uente?
Era meu corpo
que foi cortado rente.
Antes eruptiva lava
em vertente
chegando ao porto
petrificando ao mar
inutilmente.

Quente?
Era minha boca
em tua pele,macia
ansiando ao raiar do dia
despertando fria serpente.

Quente?
Era o pedido
Sussurrado,
eloquente:

"Ama-me!
Sou tua,
sou gente!"


Quente?
Era a lágrima
brotada em poesia
impaciente,
escorrida
incoerente
Em uma face
anestesiada
que já não sente...
Que chora
a volúpia que se demora
não vai embora,
insistente!!!!

Quente?
Era meu corpo
sem-vergonha,
inocente,
embriagado
da água ardente
desta paixão inconsequente
Que tira o ar
deixa-me prostrada
ressaqueada,
senescente
enquanto litinifica
meu coração,
lentamente.

Quente?
Era a febre
delirante,
demente
que senti no dia que me apaixonei
loucamente
Mas como burra Julieta
morri, envenenei-me
precocemente!

Quente?
É tudo que se passa
apenas na minha mente
ou esta lembrança baça
que permanece muda,
silente.

Porém quente, ainda quente...

(maldita, vã, serpente,
e sua maçã suculenta,
atraente...)

Coração


Coração bandido,
ardido,
mal acabado.

Coração fingido
iludido
mal fadado.

Sem ti não vivo
resfolego
me acabo.

Por ti me submeto
visto-me de preto
mudo o lado.

Volta,
bate,
sem revolta
largo tudo
prometo
vivo de arte.

Coração quebrado
partido
sejas amigo,
não se evade.

Quero-te enfim
dentro de mim
batendo quieto
sem alarde.

Aguenta,
não rebenta
não sejas covarde!

Depois que o barco fantasma passa.

om giros, os meus pensamentos giram
nos giros que sinápses percorrem
pelos papiros que meu pensamentos fitam
em chamas os meus pensamentos morrem...

Derretidos, mortos, pervertidos e tortos.

Queima tudo que consome a vida,
cauterizando toda e qualquer ferida.
Dizendo apenas "Adeus, até nunca mais!"
tal qual prostituta à beira do cais.

Olhando um barco, ruim, que não volta mais.

(Em Júbilo, por não mais sentir-se
ardida, mal fodida, penetrada por trás.)

Até chegar em ti

Tuas mão se demoram
nas lágrimas que rolam
pacientes
das verdades que gritam
silentes
no tímbre da espera
(esta megera)
que esfrega as mãos ansiosa
esperando a rosa
e o amor.
Mas quem garante?
A hora de chegar.
Quem garante?
Que ainda haverá ar?
Ou apenas contas de ossos
simbolizando os destroços
do que restou de mim
ao final desde caminho sem fim
que percorri
até chegar em ti

Tardiamente...

Meu amigo Cérbero

Neste jogo de fonemas
me submeto às duras penas
que me imputa o verbo.
Prefiro passear com cérbero
a converter-me à realidade

Prefiro embriagar-me de herbero
a fenecer à normalidade.
Pois que julguem-me as línguas
atolem-me as mínguas
desta vã sociedade.

Pois não me importo
se torto é meu verbo
seu meu único amigo
é Cérbero
e vive ao portal do Hades
Já estou velha,
já se vão muitas idades
(para preocurpar-me
com vãs iniquidades!)

Pasto-gente

Vasto é o campo onde minha alma corre
percorre o pasto serena, calma.
Bebe da chuva que cai com a palma
da mão.
Refresca a vida, o que vale a pena
apenas por estar, ser, sentir-se enorme
e pequena...
Olha o sol atráz da nuvem
Cospe o sal,
tira a ferrugem do mal
que infiltra as cartilagens
despede-se das paragens
lúgubres
de um coração vazio
observa os animais no cio
e suas crias
as aranhas e suas teias frias
pairando no vazio do céu
olha as abelhas fazendo mel
e as formigas que trabalham
repetidamente...
Minha alma vagueia neste "pasto-gente"
que pulula em atividade
neste eco-sistema
chamado sociedade.

Discussão literal

iscussão literal.


Éramos dois pontos, eu queria que tornássemos ponto de exclamação. E fomos, porém acabamos reticências, por isso sento em cima desta grande vírgula e espero um advérbio chegar.

.............

Então eu disse:
“dois pontos nova linha e travessão”

Ele me perguntou:
“queres um parágrafo novo então?”

Eu respondi.

“ A oração é subordinada, não posso fazer nada! Não há como ser independente assim”

Ele retrucou:

“Para mim tu precisas é de um complemento nominal, não de um objeto direto!!!”

Aí eu subi nas tamancas!!!

“ Queres saber?
Para mim chega, verbo intransitivo!!!!”


Ele:

“Esta bem que seja...ponto final!!”

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...