5.01.2010

Meu amigo Cérbero

Neste jogo de fonemas
me submeto às duras penas
que me imputa o verbo.
Prefiro passear com cérbero
a converter-me à realidade

Prefiro embriagar-me de herbero
a fenecer à normalidade.
Pois que julguem-me as línguas
atolem-me as mínguas
desta vã sociedade.

Pois não me importo
se torto é meu verbo
seu meu único amigo
é Cérbero
e vive ao portal do Hades
Já estou velha,
já se vão muitas idades
(para preocurpar-me
com vãs iniquidades!)

Pasto-gente

Vasto é o campo onde minha alma corre
percorre o pasto serena, calma.
Bebe da chuva que cai com a palma
da mão.
Refresca a vida, o que vale a pena
apenas por estar, ser, sentir-se enorme
e pequena...
Olha o sol atráz da nuvem
Cospe o sal,
tira a ferrugem do mal
que infiltra as cartilagens
despede-se das paragens
lúgubres
de um coração vazio
observa os animais no cio
e suas crias
as aranhas e suas teias frias
pairando no vazio do céu
olha as abelhas fazendo mel
e as formigas que trabalham
repetidamente...
Minha alma vagueia neste "pasto-gente"
que pulula em atividade
neste eco-sistema
chamado sociedade.

Discussão literal

iscussão literal.


Éramos dois pontos, eu queria que tornássemos ponto de exclamação. E fomos, porém acabamos reticências, por isso sento em cima desta grande vírgula e espero um advérbio chegar.

.............

Então eu disse:
“dois pontos nova linha e travessão”

Ele me perguntou:
“queres um parágrafo novo então?”

Eu respondi.

“ A oração é subordinada, não posso fazer nada! Não há como ser independente assim”

Ele retrucou:

“Para mim tu precisas é de um complemento nominal, não de um objeto direto!!!”

Aí eu subi nas tamancas!!!

“ Queres saber?
Para mim chega, verbo intransitivo!!!!”


Ele:

“Esta bem que seja...ponto final!!”

3.17.2010

Remoto controle



Há em mim um controle remoto
em que um quase ser, proto,
faz que procura e que vai encontrar
Há em mim um controle remoto
com um botão que libera, um fóton
faz que quer iluminar
Há em mim um controle remoto
com um um botão que acolhe um ser que enxoto
passa um filme de quem quer amar.

Há em mim um controle remoto
com um botão com o qual meu cérebro emboto
vivo, mesmo querendo me matar.

Há um mim um controle remoto
que apaga este ser que eu loto
tanto que não cabe nem mais o ar
Há em mim um ser remoto
sem controle, sem luz, um proto
ser que quer se iluminar.

Seu único botão
fica no coração
Cuja programação
é esperar a morte chegar!

enquanto não chega
entreto a razão
gastando-me a poetar
)


3.08.2010

Verdade



As  lágrimas brotam à face, autônomas
produto das desilusões [somas e mais somas]
dos medos que a vida imposta faceira engoliu
do adeus  de todos os homens que alguma pariu
pois cega entregou às má-cegas o coração
hoje olha  para velha mão acenando adeus
para todos os filhos do mundo de Deus
que um dia olharam seus  olhos insanos
injetados de desejos desumanos de afeto
olhando as estrelas por uma nesga no teto
onde chove a ácida chuva das noites em pranto
inundando a sala de seu insano corpo santo
que morre  a cada noite fria coberto pela ilusão
vertendo o triste sangue da alma ao chão
filosofando louca, sábia, em afastamento
sob o tegumento de seu corpo nu ao relento
observando  da alma o sangue que flui
exangue, sem afeto finalmente conclui
vaticina com sabedoria, certeza  e decisão
“viver sem amor é a pior condenação”
[ou única salvação]

[ou a única salvação]

2.26.2010

Dize-me...



Dize-me água fria que meu corpo banha
dize-me o porquê da sanha
abjeta que me entorta a meta
cega-me à luz que quer iluminar.

Diga-me o porque da necessidade
que me faz lúdica e triste
porque a espada em riste?
sempre pronta a decepar

Elucida-me este castrar cotidiano
que faz-me ser humano
a sobreviver e respirar

Fala-me da mó que esmaga
o coração:
"Da vida apenas o pão"

Triste sina assassina
mata meu pobre sonhar

Dize-me da vida:
Que é um ser que não sabe amar?

Remédio Ilusório


Remédio Ilusório




Toda a vitória nossa é vendida.

Tem-se o maldito remédio;

mas não sai gratuito à ferida.



A perna mecânica do amputado

O médico para o canceroso

As pílulas que te fornecem vida

A cadeira que devolve a mobilidade

O transplante na fila da crueldade

As camas confortáveis para se morrer!



Invenções que curam são caras

e até para despoluir há cobrança!

Pois tudo que não seja triste matança

é parcelado;

e pré-datado ao fim.



Eu invento amanhã

uma cura para tudo,

um xarope milagroso agudo

capaz de transformar os problemas

em adubo!

E vendo aos vendedores cientistas

pelo preço de suas almas.



Quando os inventores, lá no céu chegarem,

e ao verem duas portas, se perguntarem,

São Pedro dirá:

- O inferno é de graça;

para ficar no céu que inventamos

terá que pagar.



- Senhor! Não trago nenhum dinheiro comigo,

mas sou eu!

O inventor dos remédios fantásticos

que salvariam qualquer um.



São Pedro aponta os anjos:

Essas são suas vítimas.

- Vítimas?!

Precisavam de seu remédio;

no entanto, eram anjinhos pobres...

Na Terra não sobreviveu nenhum.



Poema de autoria do grande poeta e amigo Allan Pitz.

Fantástico. Conheçam mais em http://paquidermesculturais.blogspot.com/

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...