Neste jogo de fonemas
me submeto às duras penas
que me imputa o verbo.
Prefiro passear com cérbero
a converter-me à realidade
Prefiro embriagar-me de herbero
a fenecer à normalidade.
Pois que julguem-me as línguas
atolem-me as mínguas
desta vã sociedade.
Pois não me importo
se torto é meu verbo
seu meu único amigo
é Cérbero
e vive ao portal do Hades
Já estou velha,
já se vão muitas idades
(para preocurpar-me
com vãs iniquidades!)
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
5.01.2010
Pasto-gente
Vasto é o campo onde minha alma corre
percorre o pasto serena, calma.
Bebe da chuva que cai com a palma
da mão.
Refresca a vida, o que vale a pena
apenas por estar, ser, sentir-se enorme
e pequena...
Olha o sol atráz da nuvem
Cospe o sal,
tira a ferrugem do mal
que infiltra as cartilagens
despede-se das paragens
lúgubres
de um coração vazio
observa os animais no cio
e suas crias
as aranhas e suas teias frias
pairando no vazio do céu
olha as abelhas fazendo mel
e as formigas que trabalham
repetidamente...
Minha alma vagueia neste "pasto-gente"
que pulula em atividade
neste eco-sistema
chamado sociedade.
percorre o pasto serena, calma.
Bebe da chuva que cai com a palma
da mão.
Refresca a vida, o que vale a pena
apenas por estar, ser, sentir-se enorme
e pequena...
Olha o sol atráz da nuvem
Cospe o sal,
tira a ferrugem do mal
que infiltra as cartilagens
despede-se das paragens
lúgubres
de um coração vazio
observa os animais no cio
e suas crias
as aranhas e suas teias frias
pairando no vazio do céu
olha as abelhas fazendo mel
e as formigas que trabalham
repetidamente...
Minha alma vagueia neste "pasto-gente"
que pulula em atividade
neste eco-sistema
chamado sociedade.
Discussão literal
iscussão literal.
Éramos dois pontos, eu queria que tornássemos ponto de exclamação. E fomos, porém acabamos reticências, por isso sento em cima desta grande vírgula e espero um advérbio chegar.
.............
Então eu disse:
“dois pontos nova linha e travessão”
Ele me perguntou:
“queres um parágrafo novo então?”
Eu respondi.
“ A oração é subordinada, não posso fazer nada! Não há como ser independente assim”
Ele retrucou:
“Para mim tu precisas é de um complemento nominal, não de um objeto direto!!!”
Aí eu subi nas tamancas!!!
“ Queres saber?
Para mim chega, verbo intransitivo!!!!”
Ele:
“Esta bem que seja...ponto final!!”
Éramos dois pontos, eu queria que tornássemos ponto de exclamação. E fomos, porém acabamos reticências, por isso sento em cima desta grande vírgula e espero um advérbio chegar.
.............
Então eu disse:
“dois pontos nova linha e travessão”
Ele me perguntou:
“queres um parágrafo novo então?”
Eu respondi.
“ A oração é subordinada, não posso fazer nada! Não há como ser independente assim”
Ele retrucou:
“Para mim tu precisas é de um complemento nominal, não de um objeto direto!!!”
Aí eu subi nas tamancas!!!
“ Queres saber?
Para mim chega, verbo intransitivo!!!!”
Ele:
“Esta bem que seja...ponto final!!”
3.17.2010
Remoto controle
Há em mim um controle remoto em que um quase ser, proto, faz que procura e que vai encontrar Há em mim um controle remoto com um botão que libera, um fóton faz que quer iluminar Há em mim um controle remoto com um um botão que acolhe um ser que enxoto passa um filme de quem quer amar. Há em mim um controle remoto com um botão com o qual meu cérebro emboto vivo, mesmo querendo me matar. Há um mim um controle remoto que apaga este ser que eu loto tanto que não cabe nem mais o ar Há em mim um ser remoto sem controle, sem luz, um proto ser que quer se iluminar. Seu único botão fica no coração Cuja programação é esperar a morte chegar! ( enquanto não chega entreto a razão gastando-me a poetar) |
3.08.2010
Verdade
As lágrimas brotam à face, autônomas
produto das desilusões [somas e mais somas]
dos medos que a vida imposta faceira engoliu
do adeus de todos os homens que alguma pariu
pois cega entregou às má-cegas o coração
hoje olha para velha mão acenando adeus
para todos os filhos do mundo de Deus
que um dia olharam seus olhos insanos
injetados de desejos desumanos de afeto
olhando as estrelas por uma nesga no teto
onde chove a ácida chuva das noites em pranto
inundando a sala de seu insano corpo santo
que morre a cada noite fria coberto pela ilusão
vertendo o triste sangue da alma ao chão
filosofando louca, sábia, em afastamento
sob o tegumento de seu corpo nu ao relento
observando da alma o sangue que flui
exangue, sem afeto finalmente conclui
vaticina com sabedoria, certeza e decisão
“viver sem amor é a pior condenação”
[ou única salvação]
[ou a única salvação]
2.26.2010
Dize-me...
Dize-me água fria que meu corpo banha
dize-me o porquê da sanha
abjeta que me entorta a meta
cega-me à luz que quer iluminar.
Diga-me o porque da necessidade
que me faz lúdica e triste
porque a espada em riste?
sempre pronta a decepar
Elucida-me este castrar cotidiano
que faz-me ser humano
a sobreviver e respirar
Fala-me da mó que esmaga
o coração:
"Da vida apenas o pão"
Triste sina assassina
mata meu pobre sonhar
Dize-me da vida:
Que é um ser que não sabe amar?
Remédio Ilusório
Remédio Ilusório
Toda a vitória nossa é vendida.
Tem-se o maldito remédio;
mas não sai gratuito à ferida.
A perna mecânica do amputado
O médico para o canceroso
As pílulas que te fornecem vida
A cadeira que devolve a mobilidade
O transplante na fila da crueldade
As camas confortáveis para se morrer!
Invenções que curam são caras
e até para despoluir há cobrança!
Pois tudo que não seja triste matança
é parcelado;
e pré-datado ao fim.
Eu invento amanhã
uma cura para tudo,
um xarope milagroso agudo
capaz de transformar os problemas
em adubo!
E vendo aos vendedores cientistas
pelo preço de suas almas.
Quando os inventores, lá no céu chegarem,
e ao verem duas portas, se perguntarem,
São Pedro dirá:
- O inferno é de graça;
para ficar no céu que inventamos
terá que pagar.
- Senhor! Não trago nenhum dinheiro comigo,
mas sou eu!
O inventor dos remédios fantásticos
que salvariam qualquer um.
São Pedro aponta os anjos:
Essas são suas vítimas.
- Vítimas?!
Precisavam de seu remédio;
no entanto, eram anjinhos pobres...
Na Terra não sobreviveu nenhum.
Poema de autoria do grande poeta e amigo Allan Pitz.
Fantástico. Conheçam mais em http://paquidermesculturais.blogspot.com/
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...


