O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
2.26.2010
Remédio Ilusório
Remédio Ilusório
Toda a vitória nossa é vendida.
Tem-se o maldito remédio;
mas não sai gratuito à ferida.
A perna mecânica do amputado
O médico para o canceroso
As pílulas que te fornecem vida
A cadeira que devolve a mobilidade
O transplante na fila da crueldade
As camas confortáveis para se morrer!
Invenções que curam são caras
e até para despoluir há cobrança!
Pois tudo que não seja triste matança
é parcelado;
e pré-datado ao fim.
Eu invento amanhã
uma cura para tudo,
um xarope milagroso agudo
capaz de transformar os problemas
em adubo!
E vendo aos vendedores cientistas
pelo preço de suas almas.
Quando os inventores, lá no céu chegarem,
e ao verem duas portas, se perguntarem,
São Pedro dirá:
- O inferno é de graça;
para ficar no céu que inventamos
terá que pagar.
- Senhor! Não trago nenhum dinheiro comigo,
mas sou eu!
O inventor dos remédios fantásticos
que salvariam qualquer um.
São Pedro aponta os anjos:
Essas são suas vítimas.
- Vítimas?!
Precisavam de seu remédio;
no entanto, eram anjinhos pobres...
Na Terra não sobreviveu nenhum.
Poema de autoria do grande poeta e amigo Allan Pitz.
Fantástico. Conheçam mais em http://paquidermesculturais.blogspot.com/
2.24.2010
Triste sina insana
Porque não penso em outra coisa
porque não chega-me logo a lousa
fria em que pousa meu desejo
enquanto espero teu fugaz beijo
que inexiste
porque insiste, me despe,
porque em riste, nunca desce
este desejo que arrefece
minha alma incandescente
louca, lúdica e indecente
que deseja ardentemente
ter-te por dentro
em amoroso momento
improvável
proibido pelo impossível
precipicío do tempo intransponível
inexorável
Que posso fazer eu?
Procurar-te insana?
Amarrar-me ao Cáucaso
tal qual prometeu?
Poetar-te em minha arte
quase humana?
Sentar-me, prostrada e paciente
desejar louca e incoerente
que se finde a senda desumana
apaixonar-me por que não me ama.
2.22.2010
Desejo impossível
Morto é o desejo em meu corpo,
torto é o ensejo que a ti me ata
Aborto de sentimento morto
embriaga, deixa tonto e mata.
Pobre de minha alma que acata
tudo para ser no mundo tua,
pobre alma nua, que pesada não mais flutua
Destino que não conforta, perdida porta,
Aporta em meu triste e solitário porto:
meu coração burro, esperançoso e mouco
bate, sobrevive,
mas para mim, sobreviver é pouco.
Morro, desespero, choro, corro,
Sonho louco este meu de te amar
Amor louco este meu, te sonhar
Mas não tens culpa,
sou adulta,
sei muito bem onde pisar.
2.21.2010
À distância do impossível
Queria ter nascido noutra data
esta corda que me ata
à distância do impossível
Podias tu ser invisível
e eu nunca te desejar
Podia eu nunca dormir
e assim desistir de sonhar
Só não posso eu agora
sair rua à fora
para simplesmente te encontrar
Pois para mim é impossível
esta distância intransponível
maior que o céu e o mar.
Que é o tempo sempre a passar.
Nunca eu conseguiria
viver plena em alegria
e conjugar o verbo amar.
Hoje apenas sinto um vazio
de querer ter-te em meu corpo frio
cansado, triste a naufragar.
Digas-me tu que é besteira
que não serei a única nem a primeira
a um amor assim se entregar.
Sonho, te espero e quero,
conto cada vão segundo
quando retornas ao meu mundo
e posso ao menos te olhar
E assim perto, distante e concreto,
louca me ponho a te imaginar
sem roupa, meu e eu a te amar.
2.20.2010
corpo
O corpo morto em minha cama não mais inflama-me em ardor. Sinto o calor do corpo, mas não sinto amor. O corpo ereto mira o teto eu longe, ele perto sinto dor. O corpo incerto, traidor abjeto, feriu-me tanto. coração aberto tornou-me pranto, murcha flor. Agora perde-se o enquanto envolta eu, em lúdico manto tua boca não gera-me mais calor. Mecânico ato que carente acato mas como um desenho sem cor amor oco, pouco, em triste torpor. |
Nua ao sol
Quente sol dourado aquece,
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.
Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.
Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai cedendo
ao calor do teu olhar
Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.
Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.
Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.
Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).
Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.
Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).
Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)
Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.
Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).
Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).
Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.
(quero minhas alvas marcas exterminar).
Beija-me passeia-me e atua
no meu palco de pele sou tua
possue-me ao me entregar.
Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.
E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar
(Água do meu insano poetar)
Quente sol dourado aquece,
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.
Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.
Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai cedendo
ao calor do teu olhar
Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.
Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.
Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.
Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).
Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.
Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).
Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)
Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.
Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).
Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).
Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.
(quero minhas alvas marcas exterminar).
Beija-me passeia-me e atua
no meu palco de pele sou tua
possue-me ao me entregar.
Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.
E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar
(Água do meu insano poetar)
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.
Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.
Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai cedendo
ao calor do teu olhar
Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.
Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.
Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.
Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).
Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.
Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).
Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)
Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.
Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).
Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).
Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.
(quero minhas alvas marcas exterminar).
Beija-me passeia-me e atua
no meu palco de pele sou tua
possue-me ao me entregar.
Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.
E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar
(Água do meu insano poetar)
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...


