2.24.2010

Triste sina insana





Porque não penso em outra coisa
porque não chega-me logo a lousa
fria em que pousa meu desejo
enquanto espero teu fugaz beijo
que inexiste
porque insiste, me despe,
porque em riste, nunca desce
este desejo que arrefece
minha alma incandescente
louca, lúdica e indecente
que deseja ardentemente
ter-te por dentro
em amoroso momento
improvável
proibido pelo impossível
precipicío do tempo intransponível
inexorável
Que posso fazer eu?
Procurar-te insana?
Amarrar-me ao Cáucaso
tal qual prometeu?
Poetar-te em minha arte
quase humana?

Sentar-me, prostrada e paciente
desejar louca e incoerente
que se finde a senda desumana
apaixonar-me por que não me ama.

2.22.2010

Desejo impossível



Morto é o desejo em meu corpo,
torto é o ensejo que a ti me ata
Aborto de sentimento morto
embriaga, deixa tonto e mata.
Pobre de minha alma que acata
tudo para ser no mundo tua,
pobre alma nua, que pesada não mais flutua
Destino que não conforta, perdida porta,
Aporta em meu triste e solitário porto:
meu coração burro, esperançoso e mouco
bate, sobrevive,
 mas para mim, sobreviver é pouco.
Morro, desespero, choro, corro,
Sonho louco este meu de te amar
Amor louco este meu, te sonhar
Mas não tens culpa,
sou adulta,
sei muito bem onde pisar.

2.21.2010

À distância do impossível




Queria ter nascido noutra data
esta corda que me ata
à distância do impossível


Podias tu ser invisível
e eu nunca te desejar

Podia eu nunca dormir
e assim desistir de sonhar

Só não posso eu agora
sair rua à fora
para simplesmente te encontrar

Pois para mim é impossível
esta distância intransponível
maior que o céu e o mar.

Que é o tempo sempre a passar.

Nunca eu conseguiria
viver plena em alegria
e conjugar o verbo amar.

Hoje apenas sinto um vazio
de querer ter-te em meu corpo frio
cansado, triste a naufragar.


Digas-me tu que é besteira
que não serei a única nem a primeira
a um amor assim se entregar.

Sonho, te espero e quero,
conto cada vão segundo
quando retornas ao meu mundo
e posso ao menos te olhar

E assim perto, distante e concreto,
louca me ponho a te imaginar
sem roupa, meu e eu a te amar.

2.20.2010

corpo




O corpo morto em minha cama
não mais inflama-me em ardor.

Sinto o calor do corpo,
mas não sinto amor.

O corpo ereto mira o teto
eu longe, ele perto
sinto dor.

O corpo incerto,
traidor abjeto,
feriu-me tanto.
coração aberto
tornou-me pranto,
murcha flor.

Agora perde-se o enquanto
envolta eu, em lúdico manto
tua boca não gera-me mais calor.

Mecânico ato que carente acato
mas como um desenho sem cor
amor oco, pouco, em triste torpor.

Nua ao sol






Quente sol dourado aquece,
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.

Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.

Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai cedendo
ao calor do teu olhar

Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.

Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.

Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.

Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).

Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.

Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).

Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)

Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.

Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).

Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).

Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.

(quero minhas alvas marcas exterminar).

Beija-me passeia-me e atua
no meu palco de pele sou tua
possue-me ao me entregar.

Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.

E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar
(Água do meu insano poetar)

Ato de amor





Acato, aceito,
até anseio,
por este incauto ato
posto-me de dorso
ofereço-te meu pescoço
e meus membros,
quatro.

Não vejo teu rosto,
apenas sinto o encosto
de teu corpo
por cima posto.
Reclino, empino, arfo,
para facilitar de fato
Sivo-te então a ti
em meu leito-prato.

Pressinto terno momento
tua mão em meu mento
a outra guiando meu quarto

Sinto então o impacto!
Com força e resolução
pegas-me com tua mão
e partes-me ao meio
docemente sem receio
aceito,
contigo meu corpo
reparto...

QUE ATO!!!

Cinges-me pelo cabelo,
eu tua, nua em pelo,
encaixo,
Tua mão em meu peito,
abaixo,
conduzes-me pelo seio,
como se fosse relho
(te espio pelo espelho)
abrindo-me ao meio,
em ti me emparelho,
te aceito, acato.

Extendes-me
curvo a coluna
neste sentimento de bruma
que invade,
sentidos em alarde
meu corpo quente arde
em orgásmico ápice
que bebo inteiro
preenchendo meu corpo cálice
de ti...




Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...