O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
1.17.2010
Como irei vestida?
Irei vestida de noite cintilante
cada estrela
me emprestará
uma centelha
de sua luz viajante
para eu pingar no olhar.
Depois me despirei
Exporei minha pele de relva fresca
que roubei de teu jardim
verdejante
Onde te deitas
defronte a estante
E lês meus versos delirantes
de puro amor inexistente
porém insistentes
esperançosos
e sem dor
versos... meus simples versos
que me despem e dão-me cor.
Versos...universos feitos de amor.
1.16.2010
A feiticeira nua
Visto uma roupa de falenas
preparo-me para as próximas cenas.
Deste amor que há de vir
Deste ardor que mora no porvir...
Visto minha pequena tanga de penas,
com suas missangas pequenas
E saio a tamborilar
Na floresta busco o espírito
da terra, do fogo, da água e do ar...
Sou eu, a feiticeira
que feliz e faceira
acaba de despertar.
Confiança cega no futuro.
Eu peguei todas as flores que haviam em mim
peguei todas as fitas, de cor carmim,
que estavam envoltas nas minha esperanças
Chamei todas as crianças
que felizes andavam de bicicleta
enfeitando minha mente concreta.
Evoquei todas as estrelas que já brilharam em meus olhos
Espargi todos os extraídos e perfumados óleos
que brotaram de meu desejo.
Untei-me com teu sonhado beijo
Cobri-me com teu rosto que nunca vejo.
Vivi, sonhei, amei,
Ouvi a vida, aceitei ser escolhida.
BIG-BANG
Como contar as horas se elas voam?
Escorrem pelos vincos do tecido dia.
Como parar o tempo que verte em agonia?
ao passar de uma estrela fugidia.
...........
Reflexo de uma mente em busca de nexo
Somos apenas explosão brilhante
de algum átomo diletante.
Lançado em louca
trajetória errante.
Calculada pelo engenheiro
deste universo transmutante.
Criando um inverso
a cada instante...
Desgastes dos ossos dos anos.
Do vocábulo que por mim passa
PALAVRAS,arte, PROFISSÃO,
do acetábulo que se gasta
ABRAZÃO
Não anda, claudica, sofre em vão.
sobra UM resto de movimento
PRÓTESE DE MEU CORAÇÃO
diáStole, haste que une,
o andar ao puLsar,
mãO-á-mãO...
1.15.2010
Meu querubim
Enfim chegastes...
Eu andava pé por pé a espreitar teu sono,
despida de vida, perdida
sentia-me puro abandono
Mas de nuvens, em meu castelo
sentado, estavas ao trono.
Imaginado, belo, terno, luzente cromo,
Cavaleiro montado em meu destino
fascínio que atrai meu corpo sem dono
Te cheiro de longe, sinto cheiro de retorno,
sinto coisas estranhas ao estar em teu entorno,
entorno meu coração, inteiro, não sobra gomo.
Vestida de borboletas eu vôo,
do amor jogo-me, afogo, bebo, tomo...
Pego minha lúdica bicicleta
e secreto a minha mente secreta,
esta insana meta concreta,
que me afeta para sempre, sem retorno
Ando por precipício,
grito, berro, clamo por nosso início,
sentir-te mesmo distante virou meu vício...
1.14.2010
Tu, que invades-me pela manhã.
Homem sem rosto,
pelo distino posto
à minha porta.
Logo eu?
À minha porta?
Eu um ser que apenas suporta
o fardo vivo.
Eu?
Um ser rebelde ao crivo,
subversivo às letras,
coberto eternamente
de rendas pretas.
Porque?
Pergunto sem entender,
Será dizes-me querer?
Porque conheces-me
sem eu conhecer?
Porque falas-me
do que vivo?
Das lembranças que sobrevivo
do meu passado a fenecer?
Tocas em pontos críticos,
rítmicos de minha alma
ler-te apenas acalma
a sede que não cede sem EU ser.
Um ser de letras sublimando o querer.
Mas te abraço,
emparelho meu louco passo
me desfaço pela manhã.
Coração aberto,
por instante concreto,
sou sã!
Entrego-me ao elam
de teus lindos versos,
com suave cheiro de maçã...
(que a cobra não me cobre comê-la,
embora sinta-me faceira
ao dançando ao som da flauta de Pã).
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...





