1.16.2010

A feiticeira nua




Visto uma roupa de falenas
preparo-me para as próximas cenas.

Deste amor que há de vir

Deste ardor que mora no porvir...

Visto minha pequena tanga de penas,
com suas missangas pequenas

E saio a tamborilar

Na floresta busco o espírito
da terra, do fogo, da água e do ar...

Sou eu, a feiticeira
que feliz e faceira
acaba de despertar.

Confiança cega no futuro.



Eu peguei todas as flores que haviam em mim
peguei todas as fitas, de cor carmim,
que estavam envoltas nas minha esperanças

Chamei todas as crianças
que felizes andavam de bicicleta
enfeitando minha mente concreta.

Evoquei todas as estrelas que já brilharam em meus olhos
Espargi todos os extraídos e perfumados óleos
que brotaram de meu desejo.

Untei-me com teu sonhado beijo
Cobri-me com teu rosto que nunca vejo.

Vivi, sonhei, amei,

Ouvi a vida, aceitei ser escolhida.

BIG-BANG





Como contar as horas se elas voam?
Escorrem pelos vincos do tecido dia.

Como parar o tempo que verte em agonia?
ao passar de uma estrela fugidia.
              ...........
Reflexo de uma mente em busca de nexo

Somos apenas explosão brilhante
de algum átomo diletante.

Lançado em louca
 trajetória errante.

Calculada pelo engenheiro
deste universo transmutante.


Criando um inverso
a cada instante...


Desgastes dos ossos dos anos.




Do vocábulo que por mim passa

PALAVRAS,arte, PROFISSÃO,

do acetábulo que se gasta

ABRAZÃO

Não anda, claudica, sofre em vão.


sobra UM resto de movimento

PRÓTESE DE MEU CORAÇÃO

diáStole, haste que une,
o andar ao puLsar,
mãO-á-mãO...

1.15.2010

Meu querubim




Enfim chegastes...

Eu andava pé por pé a espreitar teu sono,
despida de vida,  perdida
sentia-me puro abandono


Mas de nuvens, em meu castelo
sentado, estavas ao trono.

Imaginado, belo, terno, luzente cromo,
Cavaleiro montado em meu destino
fascínio que atrai meu corpo sem dono

Te cheiro de longe, sinto cheiro de retorno,
sinto coisas estranhas ao estar em teu entorno,
entorno meu coração, inteiro, não sobra gomo.

Vestida de borboletas eu vôo,
do amor jogo-me, afogo, bebo, tomo...

Pego minha lúdica bicicleta
e secreto a minha mente secreta,
esta insana meta concreta,
que me afeta para sempre, sem retorno

Ando por precipício,
grito, berro, clamo por nosso início,
sentir-te mesmo distante virou meu vício...



1.14.2010

Tu, que invades-me pela manhã.




Homem sem rosto,
pelo distino posto
à minha porta.

Logo eu?

À minha porta?

Eu um ser que apenas suporta
o fardo vivo.

Eu?
Um ser rebelde ao crivo,
subversivo às  letras,
coberto eternamente
de rendas pretas.

Porque?

Pergunto sem entender,
Será dizes-me querer?

Porque conheces-me
sem eu conhecer?

Porque falas-me
do que vivo?
Das lembranças que sobrevivo
do meu passado a fenecer?

Tocas em pontos críticos,
rítmicos de minha alma
ler-te apenas acalma
a sede que não cede sem EU ser.

Um ser de letras sublimando o querer.

Mas te abraço,
emparelho meu louco passo
me desfaço pela manhã.

Coração aberto, 
por instante concreto,
sou sã!

Entrego-me ao elam
de teus lindos versos,
com suave cheiro de maçã...

(que a cobra não me cobre comê-la,
 embora sinta-me faceira
ao dançando ao som da flauta de Pã).

1.12.2010

Percepção.





Eu cheguei a sentir amor,
Juro!!! Era!!!
Tinha certeza...

Era tão lindo este amor na sutileza

Ele era  belo e forte como um fauno
e com a inteligência de um centauro...


Eu diáfana, incerta
livre, de livre meta.

Ele era pura mente,
palavra ardente que me conduzia...

E eu crente,
Fiquei nua,
olhando a lua,
vazia...

Sem perceber
que lhe  amando
lhe perdia...


.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...