O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
1.16.2010
Desgastes dos ossos dos anos.
Do vocábulo que por mim passa
PALAVRAS,arte, PROFISSÃO,
do acetábulo que se gasta
ABRAZÃO
Não anda, claudica, sofre em vão.
sobra UM resto de movimento
PRÓTESE DE MEU CORAÇÃO
diáStole, haste que une,
o andar ao puLsar,
mãO-á-mãO...
1.15.2010
Meu querubim
Enfim chegastes...
Eu andava pé por pé a espreitar teu sono,
despida de vida, perdida
sentia-me puro abandono
Mas de nuvens, em meu castelo
sentado, estavas ao trono.
Imaginado, belo, terno, luzente cromo,
Cavaleiro montado em meu destino
fascínio que atrai meu corpo sem dono
Te cheiro de longe, sinto cheiro de retorno,
sinto coisas estranhas ao estar em teu entorno,
entorno meu coração, inteiro, não sobra gomo.
Vestida de borboletas eu vôo,
do amor jogo-me, afogo, bebo, tomo...
Pego minha lúdica bicicleta
e secreto a minha mente secreta,
esta insana meta concreta,
que me afeta para sempre, sem retorno
Ando por precipício,
grito, berro, clamo por nosso início,
sentir-te mesmo distante virou meu vício...
1.14.2010
Tu, que invades-me pela manhã.
Homem sem rosto,
pelo distino posto
à minha porta.
Logo eu?
À minha porta?
Eu um ser que apenas suporta
o fardo vivo.
Eu?
Um ser rebelde ao crivo,
subversivo às letras,
coberto eternamente
de rendas pretas.
Porque?
Pergunto sem entender,
Será dizes-me querer?
Porque conheces-me
sem eu conhecer?
Porque falas-me
do que vivo?
Das lembranças que sobrevivo
do meu passado a fenecer?
Tocas em pontos críticos,
rítmicos de minha alma
ler-te apenas acalma
a sede que não cede sem EU ser.
Um ser de letras sublimando o querer.
Mas te abraço,
emparelho meu louco passo
me desfaço pela manhã.
Coração aberto,
por instante concreto,
sou sã!
Entrego-me ao elam
de teus lindos versos,
com suave cheiro de maçã...
(que a cobra não me cobre comê-la,
embora sinta-me faceira
ao dançando ao som da flauta de Pã).
1.12.2010
Percepção.
Eu cheguei a sentir amor,
Juro!!! Era!!!
Tinha certeza...
Era tão lindo este amor na sutileza
Ele era belo e forte como um fauno
e com a inteligência de um centauro...
Eu diáfana, incerta
livre, de livre meta.
Ele era pura mente,
palavra ardente que me conduzia...
E eu crente,
Fiquei nua,
olhando a lua,
vazia...
Sem perceber
que lhe amando
lhe perdia...
.
Cena
Não digo-te nada, tudo me vai
não choro, não coro, não digo um ai.
Não fico parada, cortina se esvai,
não vejo entrada, a alma sai.
Não sou afiada, nem avaliada
nem bruxa, nem fada.
Sou apenas inventada!!!
Fácil e descartada.
Descubro quando tua máscara cai.
.
1.10.2010
Corpo
O corpo morto em minha cama
não mais inflama-me em esplendor.
Sinto o calor do corpo,
mas não sinto amor.
O corpo ereto mira o teto
eu longe, ele perto
sinto dor.
O corpo incerto,
traidor abjeto,
feriu-me tanto.
deixou-me o coração aberto
tornou-me pranto,
murcha flor.
Agora perde-se o enquanto
estou envolta em lúdico manto
tua boca não gera-me mais calor.
Mecânico ato que carente acato
mas é como um desenho sem cor
amor oco, pouco, em triste torpor.
À noite na cama.
Estou aqui alijada,
na vida que vive
sem perguntar-me nada.
Do que sou, em letras
Do que sou em matéria,
Do que sou em amor,
nada...
Apenas página virada
imagem enviada,
nua postada,
viajando pelo espaço,
esmorecendo a cada traço,
rabisco que faço
com minha mão inquieta.
Reviro-me na cama à noite
relembrar-te é um açoite
que fere-me a alma
mas devolve-me a calma
na certeza que suportarei viver.
Que amanhecerá e anoitecerá
e que novamente irei ler.
Teu versos de amor e de querer.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...





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