O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
1.14.2010
Tu, que invades-me pela manhã.
Homem sem rosto,
pelo distino posto
à minha porta.
Logo eu?
À minha porta?
Eu um ser que apenas suporta
o fardo vivo.
Eu?
Um ser rebelde ao crivo,
subversivo às letras,
coberto eternamente
de rendas pretas.
Porque?
Pergunto sem entender,
Será dizes-me querer?
Porque conheces-me
sem eu conhecer?
Porque falas-me
do que vivo?
Das lembranças que sobrevivo
do meu passado a fenecer?
Tocas em pontos críticos,
rítmicos de minha alma
ler-te apenas acalma
a sede que não cede sem EU ser.
Um ser de letras sublimando o querer.
Mas te abraço,
emparelho meu louco passo
me desfaço pela manhã.
Coração aberto,
por instante concreto,
sou sã!
Entrego-me ao elam
de teus lindos versos,
com suave cheiro de maçã...
(que a cobra não me cobre comê-la,
embora sinta-me faceira
ao dançando ao som da flauta de Pã).
1.12.2010
Percepção.
Eu cheguei a sentir amor,
Juro!!! Era!!!
Tinha certeza...
Era tão lindo este amor na sutileza
Ele era belo e forte como um fauno
e com a inteligência de um centauro...
Eu diáfana, incerta
livre, de livre meta.
Ele era pura mente,
palavra ardente que me conduzia...
E eu crente,
Fiquei nua,
olhando a lua,
vazia...
Sem perceber
que lhe amando
lhe perdia...
.
Cena
Não digo-te nada, tudo me vai
não choro, não coro, não digo um ai.
Não fico parada, cortina se esvai,
não vejo entrada, a alma sai.
Não sou afiada, nem avaliada
nem bruxa, nem fada.
Sou apenas inventada!!!
Fácil e descartada.
Descubro quando tua máscara cai.
.
1.10.2010
Corpo
O corpo morto em minha cama
não mais inflama-me em esplendor.
Sinto o calor do corpo,
mas não sinto amor.
O corpo ereto mira o teto
eu longe, ele perto
sinto dor.
O corpo incerto,
traidor abjeto,
feriu-me tanto.
deixou-me o coração aberto
tornou-me pranto,
murcha flor.
Agora perde-se o enquanto
estou envolta em lúdico manto
tua boca não gera-me mais calor.
Mecânico ato que carente acato
mas é como um desenho sem cor
amor oco, pouco, em triste torpor.
À noite na cama.
Estou aqui alijada,
na vida que vive
sem perguntar-me nada.
Do que sou, em letras
Do que sou em matéria,
Do que sou em amor,
nada...
Apenas página virada
imagem enviada,
nua postada,
viajando pelo espaço,
esmorecendo a cada traço,
rabisco que faço
com minha mão inquieta.
Reviro-me na cama à noite
relembrar-te é um açoite
que fere-me a alma
mas devolve-me a calma
na certeza que suportarei viver.
Que amanhecerá e anoitecerá
e que novamente irei ler.
Teu versos de amor e de querer.
1.09.2010
A fada e o Mago, cada um em seu lado
Da distância que a vida dispõe, propicia
segue a ânsia de a vida não ser como queria.
Mas no nada, vivem duas almas aninhadas
o poeta de concreta meta e a triste lúdica fada.
Que voa mágica ao seu entorno
que sabe a trilha trágica
deste amor sem retorno.
Fada mágica e Mago de mente elástica
vivem um amor quase carnal,
porém em letras, amor surreal.
Vivem , sobrevivem ao dia-à-dia
e o convívio alheio, concreto, ereto e banal.
Vivem assim loucos,
amando-se aos poucos
em um quase sufoco
de letras, desejo e dilema moral
Loucos, nús, crús,
sem a ninguém fazerem mal.
1.04.2010
Rosa e Eu
Óh...rosa...
Solitária rosa,
silente desabrochada .
És verso, não prosa,
senescente, debochada...
Rosa, porque és tenebrosa,
em tua vontade ditosa?
Porque não te sossegas?
de mim despregas? ]
Não morres silenciosa?
Porque Rosa?
Porque sempre vermelha fogosa?
Porque esperas o jardineiro
que te fará puro cheiro
em uma manhã gloriosa?
Deixes de ilusão rosada rosa!!!
Teu coração e vão,
e tua flor saborosa.
És o que dez homens em dez
querem para perfurmar o quarto
mas depois aos ponta-pés
deixarem-te no chão, ao rés,
para não para dividir o prato.
Rosa, óh triste brejeira rosa,
melhor não te escutar,
esquecer o verbo amar
e aprender escrever em prosa.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...




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