1.12.2010

Cena





Não digo-te nada, tudo me vai
não choro, não coro, não digo um ai.

Não fico parada, cortina se esvai,
não vejo entrada, a alma sai.

Não sou afiada, nem avaliada
nem bruxa, nem fada.

Sou apenas inventada!!!


Fácil  e descartada.

Descubro quando tua máscara cai.






                         .

1.10.2010

Corpo







O corpo morto em minha cama
não mais inflama-me em esplendor.

Sinto o calor do corpo,
mas não sinto amor.

O corpo ereto mira o teto
eu longe, ele perto
sinto dor.

O corpo incerto,
traidor abjeto,
feriu-me tanto.
deixou-me o coração aberto
tornou-me pranto,
murcha flor.

Agora perde-se o enquanto
estou envolta em lúdico manto
tua boca não gera-me mais calor.

Mecânico ato que  carente acato
mas é como um desenho sem cor
amor oco, pouco, em triste torpor.










À noite na cama.




Estou aqui alijada,
na vida que vive
sem perguntar-me nada.

Do que sou,  em letras
Do que sou em matéria,
Do que sou em amor,
nada...

Apenas página virada
imagem enviada,
nua postada,
viajando pelo espaço,
esmorecendo a cada traço,
rabisco que faço
com minha mão inquieta.

Reviro-me na cama à noite
relembrar-te é um açoite
que fere-me a alma
mas devolve-me a calma
na certeza que suportarei viver.

Que amanhecerá e anoitecerá
e que novamente irei ler.

Teu versos de amor e de querer.

1.09.2010

A fada e o Mago, cada um em seu lado





Da distância que a vida dispõe, propicia
segue a ânsia de a vida não ser como queria.
Mas no nada, vivem duas almas aninhadas
o poeta de concreta meta e a triste lúdica fada.

Que voa mágica ao seu entorno
que sabe a trilha trágica
deste amor sem retorno.

Fada mágica e Mago de mente elástica
vivem um amor quase carnal,
porém em letras, amor surreal.

Vivem , sobrevivem ao dia-à-dia

entre o mundo  plástico, estético e fantástico
e o convívio alheio, concreto, ereto e banal.

Vivem assim loucos,
amando-se aos poucos
em um quase sufoco
de letras, desejo e dilema moral


Loucos, nús, crús,
 sem a ninguém fazerem mal.










1.04.2010

Rosa e Eu




Óh...rosa...


Solitária rosa,
silente desabrochada .


És verso, não prosa,
senescente, debochada... 


Rosa, porque és tenebrosa, 
em tua vontade ditosa?


Porque não te sossegas?
de mim despregas? ]
Não morres silenciosa? 


Porque Rosa? 
Porque sempre vermelha fogosa?  


Porque esperas o jardineiro
que te fará puro cheiro
em uma manhã gloriosa? 


Deixes de ilusão rosada rosa!!!


Teu coração e vão,
e tua flor saborosa.


És o que dez homens em dez
querem para perfurmar o quarto 
mas depois aos ponta-pés
deixarem-te no chão, ao rés,
para não para dividir o prato. 


Rosa, óh triste brejeira rosa,
melhor não te escutar,
esquecer o verbo amar 
e aprender escrever em prosa.





A poetisa falcão e o lobo em pele de proibição






A primeira,
segunda-feira,

Nada muda,
jornada cinza e feia...

Eu imersa na minha
humana teia.

"Liquor" jorrando,
punção na veia...

O mesmo dia de todos os dias.
Sobrevivendo à todas as agonias...

Mas há um consolo
para esta labuta-dolo.

Sexta-feira,

Quando Eu, da corte, tolo
construo um mundo,
de lúdico tijolo.

Sem nenhum fosso,
nem destroço, nem  fundo poço,
muito menos lodo.

Viro tudo em minha mão,
com tinta e imaginação,
posso à noite amar um proibido lobo,
enquanto de dia sou livre falcão.





Posso tudo,
no meu mundo mudo,
ser tudo é minha meta
SOU POETA.

1.03.2010

MU-DANÇA





O mundo girando
Eu gerundio

Neste vasto
minufundio

O mundo mudando
eu fincada

Idéia imprópria
afeiçoada

Paro!!!!
Mudo!!!!
Aparo!!!
Pulo o muro!!!


Sou
        nada
                e
                     também
                                   sou
                                            tudo!!!

Afasto
o já gasto
pranto
lufando
para
longe a tristeza...

Descubro
a vida, à sutileza....

Vivo em etérea beleza,
sublimo
redimo
meu triste penar...

Sou abstração pura,
sou física urdidura
de meu louco pensar...

Sou poeta,
o verbo é meu ar

Sou mulher ímpar
sou poetisa
sem par

Sou feliz,
acredite!!!

Meu personagem
é Afrodite.

E assim vivo plena
enceno a  própria cena!


TENHO MEU JEITO DE AMAR.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...