1.10.2010

Corpo







O corpo morto em minha cama
não mais inflama-me em esplendor.

Sinto o calor do corpo,
mas não sinto amor.

O corpo ereto mira o teto
eu longe, ele perto
sinto dor.

O corpo incerto,
traidor abjeto,
feriu-me tanto.
deixou-me o coração aberto
tornou-me pranto,
murcha flor.

Agora perde-se o enquanto
estou envolta em lúdico manto
tua boca não gera-me mais calor.

Mecânico ato que  carente acato
mas é como um desenho sem cor
amor oco, pouco, em triste torpor.










À noite na cama.




Estou aqui alijada,
na vida que vive
sem perguntar-me nada.

Do que sou,  em letras
Do que sou em matéria,
Do que sou em amor,
nada...

Apenas página virada
imagem enviada,
nua postada,
viajando pelo espaço,
esmorecendo a cada traço,
rabisco que faço
com minha mão inquieta.

Reviro-me na cama à noite
relembrar-te é um açoite
que fere-me a alma
mas devolve-me a calma
na certeza que suportarei viver.

Que amanhecerá e anoitecerá
e que novamente irei ler.

Teu versos de amor e de querer.

1.09.2010

A fada e o Mago, cada um em seu lado





Da distância que a vida dispõe, propicia
segue a ânsia de a vida não ser como queria.
Mas no nada, vivem duas almas aninhadas
o poeta de concreta meta e a triste lúdica fada.

Que voa mágica ao seu entorno
que sabe a trilha trágica
deste amor sem retorno.

Fada mágica e Mago de mente elástica
vivem um amor quase carnal,
porém em letras, amor surreal.

Vivem , sobrevivem ao dia-à-dia

entre o mundo  plástico, estético e fantástico
e o convívio alheio, concreto, ereto e banal.

Vivem assim loucos,
amando-se aos poucos
em um quase sufoco
de letras, desejo e dilema moral


Loucos, nús, crús,
 sem a ninguém fazerem mal.










1.04.2010

Rosa e Eu




Óh...rosa...


Solitária rosa,
silente desabrochada .


És verso, não prosa,
senescente, debochada... 


Rosa, porque és tenebrosa, 
em tua vontade ditosa?


Porque não te sossegas?
de mim despregas? ]
Não morres silenciosa? 


Porque Rosa? 
Porque sempre vermelha fogosa?  


Porque esperas o jardineiro
que te fará puro cheiro
em uma manhã gloriosa? 


Deixes de ilusão rosada rosa!!!


Teu coração e vão,
e tua flor saborosa.


És o que dez homens em dez
querem para perfurmar o quarto 
mas depois aos ponta-pés
deixarem-te no chão, ao rés,
para não para dividir o prato. 


Rosa, óh triste brejeira rosa,
melhor não te escutar,
esquecer o verbo amar 
e aprender escrever em prosa.





A poetisa falcão e o lobo em pele de proibição






A primeira,
segunda-feira,

Nada muda,
jornada cinza e feia...

Eu imersa na minha
humana teia.

"Liquor" jorrando,
punção na veia...

O mesmo dia de todos os dias.
Sobrevivendo à todas as agonias...

Mas há um consolo
para esta labuta-dolo.

Sexta-feira,

Quando Eu, da corte, tolo
construo um mundo,
de lúdico tijolo.

Sem nenhum fosso,
nem destroço, nem  fundo poço,
muito menos lodo.

Viro tudo em minha mão,
com tinta e imaginação,
posso à noite amar um proibido lobo,
enquanto de dia sou livre falcão.





Posso tudo,
no meu mundo mudo,
ser tudo é minha meta
SOU POETA.

1.03.2010

MU-DANÇA





O mundo girando
Eu gerundio

Neste vasto
minufundio

O mundo mudando
eu fincada

Idéia imprópria
afeiçoada

Paro!!!!
Mudo!!!!
Aparo!!!
Pulo o muro!!!


Sou
        nada
                e
                     também
                                   sou
                                            tudo!!!

Afasto
o já gasto
pranto
lufando
para
longe a tristeza...

Descubro
a vida, à sutileza....

Vivo em etérea beleza,
sublimo
redimo
meu triste penar...

Sou abstração pura,
sou física urdidura
de meu louco pensar...

Sou poeta,
o verbo é meu ar

Sou mulher ímpar
sou poetisa
sem par

Sou feliz,
acredite!!!

Meu personagem
é Afrodite.

E assim vivo plena
enceno a  própria cena!


TENHO MEU JEITO DE AMAR.

Concretude poética!






Eu saio, mas sempre, 
 deixo, a porta,  
da mente, 
    aberta...
                 eu


                   Sou
                  etérea
                      e
                    sou

                      c
                      o
                      n
                   creta...
            As vezes louca,
             as vezes certa...

                    MAS
                 SEMPRE
               VERTENTE

                  BOCA
                ABERTA...

               sou semente
            as vezes ciente
         as vezes sereia
     as vezes incerta
        as vezes areia
          as vezes nada
             apenas cadeia,
                 palavra rimada
                    as vezes atoa
                   as vezes atéia
                  as vezes haikai
                     outras odes,
                       odisséia...

        Ser tudo e nada é minha meta!!!
                      sou o mundo
                            sou
  
                        POETA!!!

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...