1.04.2010

Rosa e Eu




Óh...rosa...


Solitária rosa,
silente desabrochada .


És verso, não prosa,
senescente, debochada... 


Rosa, porque és tenebrosa, 
em tua vontade ditosa?


Porque não te sossegas?
de mim despregas? ]
Não morres silenciosa? 


Porque Rosa? 
Porque sempre vermelha fogosa?  


Porque esperas o jardineiro
que te fará puro cheiro
em uma manhã gloriosa? 


Deixes de ilusão rosada rosa!!!


Teu coração e vão,
e tua flor saborosa.


És o que dez homens em dez
querem para perfurmar o quarto 
mas depois aos ponta-pés
deixarem-te no chão, ao rés,
para não para dividir o prato. 


Rosa, óh triste brejeira rosa,
melhor não te escutar,
esquecer o verbo amar 
e aprender escrever em prosa.





A poetisa falcão e o lobo em pele de proibição






A primeira,
segunda-feira,

Nada muda,
jornada cinza e feia...

Eu imersa na minha
humana teia.

"Liquor" jorrando,
punção na veia...

O mesmo dia de todos os dias.
Sobrevivendo à todas as agonias...

Mas há um consolo
para esta labuta-dolo.

Sexta-feira,

Quando Eu, da corte, tolo
construo um mundo,
de lúdico tijolo.

Sem nenhum fosso,
nem destroço, nem  fundo poço,
muito menos lodo.

Viro tudo em minha mão,
com tinta e imaginação,
posso à noite amar um proibido lobo,
enquanto de dia sou livre falcão.





Posso tudo,
no meu mundo mudo,
ser tudo é minha meta
SOU POETA.

1.03.2010

MU-DANÇA





O mundo girando
Eu gerundio

Neste vasto
minufundio

O mundo mudando
eu fincada

Idéia imprópria
afeiçoada

Paro!!!!
Mudo!!!!
Aparo!!!
Pulo o muro!!!


Sou
        nada
                e
                     também
                                   sou
                                            tudo!!!

Afasto
o já gasto
pranto
lufando
para
longe a tristeza...

Descubro
a vida, à sutileza....

Vivo em etérea beleza,
sublimo
redimo
meu triste penar...

Sou abstração pura,
sou física urdidura
de meu louco pensar...

Sou poeta,
o verbo é meu ar

Sou mulher ímpar
sou poetisa
sem par

Sou feliz,
acredite!!!

Meu personagem
é Afrodite.

E assim vivo plena
enceno a  própria cena!


TENHO MEU JEITO DE AMAR.

Concretude poética!






Eu saio, mas sempre, 
 deixo, a porta,  
da mente, 
    aberta...
                 eu


                   Sou
                  etérea
                      e
                    sou

                      c
                      o
                      n
                   creta...
            As vezes louca,
             as vezes certa...

                    MAS
                 SEMPRE
               VERTENTE

                  BOCA
                ABERTA...

               sou semente
            as vezes ciente
         as vezes sereia
     as vezes incerta
        as vezes areia
          as vezes nada
             apenas cadeia,
                 palavra rimada
                    as vezes atoa
                   as vezes atéia
                  as vezes haikai
                     outras odes,
                       odisséia...

        Ser tudo e nada é minha meta!!!
                      sou o mundo
                            sou
  
                        POETA!!!

1.02.2010

Silicone





Dizem que silicone é uma arma
que acaba até com carma.

Que é o remédio perfeito
que produz sensual efeito....

Que é um eterno poder,
nenhum verme  há de comer!!!

E assim, no meu epitáfio frio,
velho, cheirando a bafio,

Escreverei em tinta sintética:

"Morreu louca, cega e cética,
mas viveu em voluptuosa estética.
Era uma velha "porreta",
tudo já era murcho
menos a empinada teta!!!"


.....................................

A vida é...



EU E A VIDA
Jorge Vercilo

Vem me pedir além do que eu posso dar
É aí que o aprendizado está
Vem de onde não sonhei me presentear
Quando chega o fim da linha e já, não há aonde ir
Num passe de mágicas a vida
Nos traz sonhos pra seguir
Queima meus navios pr'eu me superar
Às vezes pedindo o que ela vem nos dar
O melhor de si


E quando vejo a vida espera mais de mim
Mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei, se tem fim
De elástica minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
Mais de nós, mais além


Vem me privar pra ver o que vou fazer
Me prepara pro que vai chegar
Vem me desapontar pra me ver crescer
Eu sonhei viver paixões, glamour
Num filme de chorar
Mais como é Fellini o dia-a-dia
Minha orquestra à ensaiar
Entre decadência e elegância zigue-zaguear
Hoje aceito o caos


O poeta, nesta música, me leu, ao invés de eu tê-lo lido...
Linda música, Jorge Vercilo!

Novo ano, vida cova!





Meu corpo percebeu,
só ele, não eu...

Dormi, acordei
nada mudou no velho mundo meu.


Nem rainha, nem rei
nem fogo de Prometeu...

O ano virou,
mas nada mudou,
tudo permaneceu
pode ser que até retrocedeu!

O velho corpo que há muito já me preencheu
comeu, virou, nem olhou,
adormeceu
não percebeu...

E eu?
Continuo desejo, porejo e caduceu!

Fracionando-me, quase achando-me
         sonhando e amando

sendo

Um quarto de lua que nunca encheu
minguando num beijo que não deu.

Assim decido, em fração vivo,
amplio meu rígido crivo

Quem sabe assim sobrevivo
a este novo ano que me acometeu...

Onde morre o pronome meu
e nasce o ser cético, ateu...

Onde tudo é nosso,
e onde viras "vosso"
onde tudo posso
até lembrar do que já morreu...


Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...