O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
1.10.2010
À noite na cama.
Estou aqui alijada,
na vida que vive
sem perguntar-me nada.
Do que sou, em letras
Do que sou em matéria,
Do que sou em amor,
nada...
Apenas página virada
imagem enviada,
nua postada,
viajando pelo espaço,
esmorecendo a cada traço,
rabisco que faço
com minha mão inquieta.
Reviro-me na cama à noite
relembrar-te é um açoite
que fere-me a alma
mas devolve-me a calma
na certeza que suportarei viver.
Que amanhecerá e anoitecerá
e que novamente irei ler.
Teu versos de amor e de querer.
1.09.2010
A fada e o Mago, cada um em seu lado
Da distância que a vida dispõe, propicia
segue a ânsia de a vida não ser como queria.
Mas no nada, vivem duas almas aninhadas
o poeta de concreta meta e a triste lúdica fada.
Que voa mágica ao seu entorno
que sabe a trilha trágica
deste amor sem retorno.
Fada mágica e Mago de mente elástica
vivem um amor quase carnal,
porém em letras, amor surreal.
Vivem , sobrevivem ao dia-à-dia
e o convívio alheio, concreto, ereto e banal.
Vivem assim loucos,
amando-se aos poucos
em um quase sufoco
de letras, desejo e dilema moral
Loucos, nús, crús,
sem a ninguém fazerem mal.
1.04.2010
Rosa e Eu
Óh...rosa...
Solitária rosa,
silente desabrochada .
És verso, não prosa,
senescente, debochada...
Rosa, porque és tenebrosa,
em tua vontade ditosa?
Porque não te sossegas?
de mim despregas? ]
Não morres silenciosa?
Porque Rosa?
Porque sempre vermelha fogosa?
Porque esperas o jardineiro
que te fará puro cheiro
em uma manhã gloriosa?
Deixes de ilusão rosada rosa!!!
Teu coração e vão,
e tua flor saborosa.
És o que dez homens em dez
querem para perfurmar o quarto
mas depois aos ponta-pés
deixarem-te no chão, ao rés,
para não para dividir o prato.
Rosa, óh triste brejeira rosa,
melhor não te escutar,
esquecer o verbo amar
e aprender escrever em prosa.
A poetisa falcão e o lobo em pele de proibição
A primeira,
segunda-feira,
Nada muda,
jornada cinza e feia...
Eu imersa na minha
humana teia.
"Liquor" jorrando,
punção na veia...
O mesmo dia de todos os dias.
Sobrevivendo à todas as agonias...
Mas há um consolo
para esta labuta-dolo.
Sexta-feira,
Quando Eu, da corte, tolo
construo um mundo,
de lúdico tijolo.
Sem nenhum fosso,
nem destroço, nem fundo poço,
muito menos lodo.
Viro tudo em minha mão,
com tinta e imaginação,
posso à noite amar um proibido lobo,
enquanto de dia sou livre falcão.
Posso tudo,
no meu mundo mudo,
ser tudo é minha meta
SOU POETA.
1.03.2010
MU-DANÇA
O mundo girando
Eu gerundio
Neste vasto
minufundio
O mundo mudando
eu fincada
Idéia imprópria
afeiçoada
Paro!!!!
Mudo!!!!
Aparo!!!
Pulo o muro!!!
Sou
nada
e
também
sou
tudo!!!
Afasto
o já gasto
pranto
lufando
para
longe a tristeza...
Descubro
a vida, à sutileza....
Vivo em etérea beleza,
sublimo
redimo
meu triste penar...
Sou abstração pura,
sou física urdidura
de meu louco pensar...
Sou poeta,
o verbo é meu ar
Sou mulher ímpar
sou poetisa
sem par
Sou feliz,
acredite!!!
Meu personagem
é Afrodite.
E assim vivo plena
enceno a própria cena!
TENHO MEU JEITO DE AMAR.
Concretude poética!
Eu saio, mas sempre,
deixo, a porta,
da mente,
aberta...
eu
Sou
etérea
e
sou
c
o
n
creta...
As vezes louca,
as vezes certa...
MAS
SEMPRE
VERTENTE
BOCA
ABERTA...
sou semente
as vezes ciente
as vezes sereia
as vezes incerta
as vezes areia
as vezes nada
apenas cadeia,
palavra rimada
as vezes atoa
as vezes atéia
as vezes haikai
outras odes,
odisséia...
Ser tudo e nada é minha meta!!!
sou o mundo
sou
POETA!!!
1.02.2010
Silicone
Dizem que silicone é uma arma
que acaba até com carma.
Que é o remédio perfeito
que produz sensual efeito....
Que é um eterno poder,
nenhum verme há de comer!!!
E assim, no meu epitáfio frio,
velho, cheirando a bafio,
Escreverei em tinta sintética:
"Morreu louca, cega e cética,
mas viveu em voluptuosa estética.
Era uma velha "porreta",
tudo já era murcho
menos a empinada teta!!!"
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...
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