Meu corpo percebeu,
só ele, não eu...
Dormi, acordei
nada mudou no velho mundo meu.
Nem rainha, nem rei
nem fogo de Prometeu...
O ano virou,
mas nada mudou,
tudo permaneceu
pode ser que até retrocedeu!
O velho corpo que há muito já me preencheu
comeu, virou, nem olhou,
adormeceu
não percebeu...
E eu?
Continuo desejo, porejo e caduceu!
Fracionando-me, quase achando-me
sonhando e amando
sendo
sonhando e amando
sendo
Um quarto de lua que nunca encheu
minguando num beijo que não deu.
Assim decido, em fração vivo,
amplio meu rígido crivo
Quem sabe assim sobrevivo
a este novo ano que me acometeu...
Onde morre o pronome meu
e nasce o ser cético, ateu...
Onde tudo é nosso,
e onde viras "vosso"
onde tudo posso
até lembrar do que já morreu...





