Lanço-me aos braços pagãos deste mundo vão danço esta valsa triste. Rodopio no salão, Onde o vácuo de gente persiste. [De mim saio, nada mais subsiste] Nada antecede, nada precede, [apenas a lembrança] Insiste Resiste Alimenta Esta minha alma intensa e violenta devorando cada segundo de espera, atenta... E eu? Rodopio do salão do mundo vazio Vazio de ti... [será que estou viva ou em letras já morri?] |
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
12.21.2009
Valsa da Solidão
Fado chamado amor
Do amor fiz-me escrava e minh'alma fugitiva desta flecha que crava mata a mulher e a diva. Do amor fiz-me altiva fiz-me jaula de triste luz solitária, independente, ativa fiz-me algema de veludo e cruz. Do amor...Decidi ser dor por não ter nada que por no lugar do verbo amar. Mas hoje escolho sonhar simplesmente me opor a este fado chamado amor. |
12.20.2009
Métrica louca
| Foto: Ana Lyra Métrica que ressoa em mi´nha alma, insana apenas me estranha final triste, algo constrito, de sussurro se transforma, alto brado, quase grito que em mim ressoa , lembra Pessoa, me inflama. Ler-te imortaliza , facilita , alisa-me a mente etérea, mobilizo-me, viajo, tal espírito errante, tranformo-me em satélite reflectindo brilho distante iluminada por tua métrica, estética, palavra fluente. E assim deságuo-me em palavra forte, louca, sonante minha vida, vida sem graça, se afasta do doente tempo tranforma-se em graça, dando graças a musa radiante. Sussurrando palavras lidas, contidas em minha mente, sei que não sou musa, talvez intrusa , sem sentimento, mas amo as batalhas que travas em fonético poente. |
Saudade
Foto: Ana Lyra Saudade rosa amorosa, jardim da minha alma, irrealidade. Saudade das horas perdidas a tarde fazendo conta de idade há setes dias nesta mesma cidade. Saudade da viajante liberdade de sentir-te na eternidade companheiro sem idade. Saudade, rosa triste amorosa, enfeita esta mesa de renda mimosa, refeição primorosa menu à Marques de Sade "Coração com tempero de impossibilidade". Amorosa arrependida saudade quem sabe te mate a realidade movida por essa grande vontade de ter-te, um dia, de verdade. |
Já é tarde
Foto: Ana Lyra
Fulgor matinal que invade-me
arde fogo vivo, como arde
silencioso formoso sem alarde.
Porém tardio, chega tarde
a noite já invade-me
sinto frio, a vida evade.
Já não rio, aparto-me do que partiu
já quase parto meu fio
sem vida, mal vivida, sinto frio.
Mas arde, embora tarde,ainda invade
Sinto dor e sorrio
ao lembrar um amor que partiu.
Lembro-me do marques de Sade
A cada verso teu que arde
quando meus olhos invade.
Pena que tarde, muito tarde...
da mi'nhalma a esperança evade
(derradeira adorno-me com um verso feito de jade)
Vou correr, amputar-me
vou viver a rezar
vou virar frade.
(Assim quem sabe o desejo
se evade e para ser feliz
não seja tarde)
Deixa-me
Deixa-me olhar
este vão,
precipício,
corpo.
Deixa lançar-me
ao vão,
fictício,
bravio porto.
Deixa-me pegar
à mão,
hospício,
amor louco.
Deixa-me dançar
ao chão,
castisso,
mundo pouco.
Deixa pulsar...
Coração,
sem auspício,
mudo e mouco.
12.18.2009
A poetisa amorosa
Minha alma
tinge-se de rosa
em uma reza fervorosa,
para que volte à vida,
em letras, amorosa.
Minha alma
em paisagem pavorosa
sente-se pesarosa
sem ti, alma perdida,
negra,tenebrosa...
Minha alma é carne, é rosa
quente, ansiosa
para por ti ser bebida,
saboreada, saborosa...
Minha alma
etérea, Vaporosa
voa longe, vigorosa
embora compungida
cativa,saudosa.
Minha alma
não é cautelosa
sem ti é fala aturdida
desencontrada,estridulosa.
Minha alma,
óh alma ansiosa
para ser tua, viçosa
em matéria, vida,
em tua precisa prosa.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...



