12.21.2009

Fado chamado amor





Do amor fiz-me escrava
e minh'alma fugitiva
desta flecha que crava
mata a mulher e a diva.

Do amor fiz-me altiva
fiz-me jaula de triste luz
solitária, independente, ativa
fiz-me algema de veludo e cruz.

Do amor...Decidi ser dor
por não ter nada que por
no lugar do verbo amar.

Mas hoje escolho sonhar
simplesmente me opor
a este fado chamado amor.

12.20.2009

Métrica louca



                                        Foto: Ana Lyra
                                          
Métrica que ressoa em mi´nha alma, insana
apenas me estranha final triste, algo constrito,
de sussurro se transforma, alto brado, quase grito
que em mim ressoa , lembra Pessoa, me inflama.

Ler-te imortaliza , facilita , alisa-me a mente
etérea, mobilizo-me, viajo, tal espírito errante,
tranformo-me em satélite reflectindo brilho distante
iluminada por tua métrica, estética, palavra fluente.

E assim deságuo-me em palavra forte, louca, sonante
minha vida, vida sem graça, se afasta do doente tempo
tranforma-se em graça, dando graças a musa radiante.

Sussurrando palavras lidas, contidas em minha mente,
sei que não sou musa, talvez intrusa , sem sentimento,
mas amo as batalhas que travas em fonético poente.

Saudade




                                    Foto: Ana Lyra
                          
  Saudade
rosa amorosa,
jardim da minha alma, irrealidade.

Saudade das horas perdidas a tarde
fazendo conta de idade
há setes dias nesta mesma
cidade.

Saudade
da viajante liberdade
de sentir-te na eternidade
companheiro sem idade.

Saudade, rosa triste amorosa,
enfeita esta mesa de renda mimosa,
refeição primorosa
menu à Marques de Sade
"Coração com tempero
de impossibilidade".

Amorosa arrependida
saudade
quem sabe te mate
a realidade
movida por essa grande vontade
de ter-te, um dia,
de verdade.

Já é tarde


                                                                                                         Foto: Ana Lyra
                                                                                               

Fulgor matinal que invade-me
arde fogo vivo, como arde
silencioso formoso sem alarde.

Porém tardio, chega tarde
a noite já invade-me
sinto frio, a vida evade.

Já não rio, aparto-me do que partiu
já quase parto meu fio
sem vida, mal vivida, sinto frio.

Mas arde, embora tarde,ainda invade
Sinto dor e sorrio
ao lembrar um amor que partiu.

Lembro-me do marques de Sade
A cada verso teu que arde
quando meus olhos invade.

Pena que tarde, muito tarde...
da mi'nhalma a esperança evade

(derradeira adorno-me com um verso feito de jade)

Vou correr, amputar-me
vou viver a rezar
vou virar frade.


(Assim quem sabe o desejo
se evade e para ser feliz
não seja tarde)

Deixa-me





Deixa-me olhar
este vão,
precipício,
corpo.

Deixa lançar-me
ao vão,
fictício,
bravio porto.

Deixa-me pegar 
à mão,
hospício,
amor louco.

Deixa-me dançar
ao chão,
castisso,
mundo pouco.

Deixa pulsar...
Coração,
sem auspício,
mudo e mouco.

12.18.2009

A poetisa amorosa




Minha alma
tinge-se de rosa
em uma reza fervorosa,
para que volte à vida,
em letras, amorosa.

Minha alma
em paisagem pavorosa
sente-se pesarosa
sem ti, alma perdida,
negra,tenebrosa...

Minha alma é carne, é rosa
quente, ansiosa
para por ti ser bebida,
saboreada, saborosa...


Minha alma
etérea, Vaporosa
voa longe, vigorosa
embora compungida
cativa,saudosa.

Minha alma
não é cautelosa
sem ti é fala aturdida
desencontrada,estridulosa.

Minha alma,
óh alma ansiosa
para ser tua, viçosa
em matéria, vida,
em tua precisa prosa.


12.17.2009

Passeando de mão com o lúdico.




                                                                    Foto: Ana Lyra

Na ilusão impávida, impoluta,
minha vida agranda, avulta.


[não avilta]

Toda a luz do mundo filtra
em janela da alma, bate, luta.

Tenta atenta crer num porvir,
senta, assenta-se num barco por ir.

Volta se entorna, escuta à porta,
espia o futuro, perfura o muro...

[será que irá sorrir?]

Pensa tensa em qual melhor ação.

[passo em falso leva a dissolução].

Dizem-lhe:
"Louca!!!
Vives a beijar-te a própria boca,
neste teu mundo de castelo e ilusão".

Mas não vivo em vão...
divirto-me enquanto não chega meu Rei

[enquanto ele vem ou não]

Assim chego mais perto do meu futuro certo

[o mesmo de todo e qualquer irmão]

Mas enquanto isso não ocorre
o lúdico socorre-me,
carrega-me pela mão...

[Acalenta-me em seu braços fortes de ilusão].

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...