12.20.2009

Deixa-me





Deixa-me olhar
este vão,
precipício,
corpo.

Deixa lançar-me
ao vão,
fictício,
bravio porto.

Deixa-me pegar 
à mão,
hospício,
amor louco.

Deixa-me dançar
ao chão,
castisso,
mundo pouco.

Deixa pulsar...
Coração,
sem auspício,
mudo e mouco.

12.18.2009

A poetisa amorosa




Minha alma
tinge-se de rosa
em uma reza fervorosa,
para que volte à vida,
em letras, amorosa.

Minha alma
em paisagem pavorosa
sente-se pesarosa
sem ti, alma perdida,
negra,tenebrosa...

Minha alma é carne, é rosa
quente, ansiosa
para por ti ser bebida,
saboreada, saborosa...


Minha alma
etérea, Vaporosa
voa longe, vigorosa
embora compungida
cativa,saudosa.

Minha alma
não é cautelosa
sem ti é fala aturdida
desencontrada,estridulosa.

Minha alma,
óh alma ansiosa
para ser tua, viçosa
em matéria, vida,
em tua precisa prosa.


12.17.2009

Passeando de mão com o lúdico.




                                                                    Foto: Ana Lyra

Na ilusão impávida, impoluta,
minha vida agranda, avulta.


[não avilta]

Toda a luz do mundo filtra
em janela da alma, bate, luta.

Tenta atenta crer num porvir,
senta, assenta-se num barco por ir.

Volta se entorna, escuta à porta,
espia o futuro, perfura o muro...

[será que irá sorrir?]

Pensa tensa em qual melhor ação.

[passo em falso leva a dissolução].

Dizem-lhe:
"Louca!!!
Vives a beijar-te a própria boca,
neste teu mundo de castelo e ilusão".

Mas não vivo em vão...
divirto-me enquanto não chega meu Rei

[enquanto ele vem ou não]

Assim chego mais perto do meu futuro certo

[o mesmo de todo e qualquer irmão]

Mas enquanto isso não ocorre
o lúdico socorre-me,
carrega-me pela mão...

[Acalenta-me em seu braços fortes de ilusão].

Magnânima queda no espaço



                                                                                     Foto: Ana Lyra
o.

12.15.2009

Sentido negado, desejo exaltado






foto retirada do site google

Dolorosa é a volúpia da minha rosa ansiosa
por ter-te em vigor, em verso e em prosa
Dolorosa é ânsia de saciar o louco desejo
que tenho quando em letras imagino, vejo.


Vejo-te postar-te em solitária, carcerária, cadeira
expectante, extasiado, na ânsia, torcendo em crença
nu, vendado, preso, atado com seda suave e verdadeira
inalando o meu odor exalado que anuncia potentosa presença.


Ouvindo... apenas ouvindo, à pele o tato singindo
cego sem poder enxergar, obliterado, olfando
exaurindo pouca sanidade, delírio louco emergindo.
imobilizado, sem poder apalpar, alucina ansiando.


Absorvendo meu corpo, o exalar, arauto anunciando
ouvindo em passo distante o aproximar, esgueirando
provocando um leve roçar quente, o corpo queimando
minha pele escalda a boca à recusa, eu negando.


Dou-te um pouco, só para provar, de meu peito
vejo-te louco a sugar voraz sovendo, ardendo
floresce minha rosa, mas não deixo colher, receio
ficas ereto, louco, animado, insano, querendo.


Então fauno irado, descontrolado, soltas-te inteiro
apenas vendado, pegas meu corpo, brutal entropia.
Teu músculo doloroso parte-me, penetra-me ao meio
pegas-me de frente, entrego-me gemente, sacia...


Cegas-me de tanto desejo, fecho os olhos não vejo
sento-me á tua cela, desfraldo minha vela, louca
puxas-me forte, vertigem, tiras-me o norte, arquejo
beijo-te insana, aflita e humana, calo à boca.


Desliso minha mão sequiosa em tuas costas, sedosa
cravo minhas garras em tua pele, machuco, não fere
pegas-me pelas as ancas mostras-me força vigorosa
És meu único dono, soberano senhor, que prazer confere.


Entrego-me à tua vontade, súplica incoerente,
és meu dono, és amante, és poeta de desejo amoral
eu sou tua, sou musa, mulher confusa, florescente
és saciedade profusa de meu desejo vão e carnal.


És meu suplício, meu amor em letras imortal
meu desejo, calor onde evaporo meu corpo banal
Desejo saciado, com muso imaginado, imaterial
Meu gozo versado, sentido, pulsado, nascido ao natural...




12.13.2009

Éramos Cinco








Vesti-me com capricho, afinco
[éramos cinco]  
Escolhi um raro poético brinco  
[éramos cinco]  
Não precisamos de uma multidão 
apenas um poético coração
pulsando em verdade. 
[éramos um na noite da cidade] 
Éramos cinco.  
Cinco, corpos em cada realidade.  
Somos um, um coração.  
[Sonhando em poesia, realizando felicidade] 
Somos um, juntos, coração. 
[Pulsando sóbrio, pleno de amor e vontade]
Somos um!!!  
Juntos em amor e sinceridade, Calor, humanidade, 
Resfrescando-nos ao sabor do sonho, 
soprados pela brisa do mar, do amor e da vontade.  
Inebriados apenas por versos, 
dos lúdicos universos nesta noite fresca desta bela cidade. 
[Somos um em poesia e sinceridade]  
SOMOS CINCO, 
SOMOS UM, 
SOMOS MULTIDÃO, 
SOMOS "BOOM" 
SOMOS WAF BRASILEIRO, 
BROTANDO INTEIRO, 
VOANDO NAS ASAS PELO MUNDO, 
SONHANDO NA REALIDADE.



Vestida de letras dançando com o mundo.

Guardei no mais seguro cofre forte
as jóias caras, de vultuoso porte

[que destes-me]

Todos os lindos versos
de sentimento confesso

[que fizestes-me]

Para um dia usar nas noites claras
de gala, todas as jóias raras

[que adornastes-me]

Junto com as vestes pretas
feitas todas de letras

[que ofertastes-me]

bordadas de veludo e ilusão
revestidas de cetim e confusão

[tirastes-me para dançar]

Dancei a lúdica dança
com cara de feliz criança

iluminada pelo lúbrico ecram
com luz de alegria vã

Dancei, rodopiei pelo salão,
tropecei, quase caí no chão...

Mas ergui, fingi, sorri,

(no mundo não se pode sofrer em vão)

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...