o muso se foi
levando por engano meu corpo de luz.
o muso se foi,
virei casta monja escondida por negro capuz.
o muso se foi
não deu nem um oi, a poetisa se tinge de pus.
o muso se foi,
montado num boi com destino à cruz..
o muso se foi
foi-se o o muso, acabou-se seu uso.
Amá-lo seia abuso,
apenas ângulo obtuso,
músculo protuso.
O muso se foi
meu corpo de carne arde
color em minha noite tarde.
Saudade invade,
mas tingida de verde jade
em esperança reluz..
Espero que o muso volte,
que nunca se revolte,
que solte
a poesia louca, vibrante, carmim.
[Apoesia erótica que existe em mim.]
O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
11.22.2009
11.17.2009
Tenho a fúria de todas a Fúrias em mim,
também tenho o riso tolo de qualquer Arlequim.
Tenho a beleza das flores do jardim,
também tenho o amargor da erva ruim.
Tenho o calor do fogo intenso, carmim,
também o gelo alvo de um inverno sem fim.
Tenho o odor do singelo do belo jasmim,
também o fedor ocre podre pastim.
Tenho o sacro-santo manto de um serafim,
também a mais rubro manto não tão santo assim.
Sou qualuquer ser humano, de qualquer folhetin
rumando todo o ano ao destino do fim.
também tenho o riso tolo de qualquer Arlequim.
Tenho a beleza das flores do jardim,
também tenho o amargor da erva ruim.
Tenho o calor do fogo intenso, carmim,
também o gelo alvo de um inverno sem fim.
Tenho o odor do singelo do belo jasmim,
também o fedor ocre podre pastim.
Tenho o sacro-santo manto de um serafim,
também a mais rubro manto não tão santo assim.
Sou qualuquer ser humano, de qualquer folhetin
rumando todo o ano ao destino do fim.
11.16.2009
Nua ao sol
Quente sol dourado aquece,
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.
Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.
Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai sedendo
ao calor do teu olhar.
Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.
Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.
Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.
Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).
Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.
Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).
Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)
Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.
Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).
Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).
Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.
(quero minhas alvas marcas exterminar).
Beija-me passeia-me e atua,
no meu palco de pele sou tua,
possue-me ao me entregar.
Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.
E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar.
(Água do meu insano poetar.)
meu corpo que enrubesce
com tua luz luminar.
Lembra-me que sou corpo
e quiçá também porto
nos "vens-e-vais" deste mar.
Sinto-te sequioso aquecendo
minha derme vai sedendo
ao calor do teu olhar.
Eu, tu e meu coração,
neste meu ninho mansão,
vários quartos onde passear.
Paro por um momento,
saio na areia, adentro,
sozinha a te abraçar.
Sinto-te, sol, por dentro
lambendo meu ser sedento,
de livre viver e cantar.
Dispo-me, torno-me nua
desisto de ser lua,
(melhor meu corpo bronzear).
Nua, sol, deixo-me inteira
perdida tua, lua-sereia,
pérola à borla,à areia,só a ti esperar.
Docemente enrubescer, aquecer,
na mágoa, após, refrescar,
(nua adentro pelo louco amar).
Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar
sol do lar, cais na orla do par.
(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)
Nua às marcas, pousar, apagar,
frutos das noites de chuva,
do corpo, do meu sonhar.
Trás precisão à minha pele,
morde-me mas não fere-me
(indecisão acaba de acabar).
Mesmo aqui sozinha,
do céu sou a vizinha,
(namoro o sal e o sonhar).
Posto-me inteira despida,
a ti sol oferecida,
inteira a me penetrar.
(quero minhas alvas marcas exterminar).
Beija-me passeia-me e atua,
no meu palco de pele sou tua,
possue-me ao me entregar.
Depois ardente minha pele,
a leve brisa confere
o doce beijo do ar.
E assim sinto-me ao sol...
Desejo feito farol,
iluminando rochedo no meu mar.
(Água do meu insano poetar.)
11.10.2009
Eu só queria um pouco de atenção,
dei-te minha vida,
beijei teu pés,
deitei-me ao chão.
Mas sempre um revés,
te impele ao não.
Não queria nada,
só um pouco de atenção,
um carinho,
sentir-me no ninho,
Um alento para minha solidão.
Dissestes " vou,
já vou,
espera princesa,
meu coração."
O que fizestes:
Tiraste meu sono,
fiquei qual cão sem dono,
procurando migalha
para comer,
no chão...
Amor, amor, perdido, vão...
dei-te minha vida,
beijei teu pés,
deitei-me ao chão.
Mas sempre um revés,
te impele ao não.
Não queria nada,
só um pouco de atenção,
um carinho,
sentir-me no ninho,
Um alento para minha solidão.
Dissestes " vou,
já vou,
espera princesa,
meu coração."
O que fizestes:
Tiraste meu sono,
fiquei qual cão sem dono,
procurando migalha
para comer,
no chão...
Amor, amor, perdido, vão...
11.02.2009
Amor inexistente.
És tu meu inexistente amor,
a cura para minha vida sem cor.
Personagem principal do meu sonho,
fuga do meu mundo enfadonho.
Chego a sentir teu tato,
seria este o cenário do último ato,
"O grande amor"
Seria este o epílogo deste conto de dor.
Mas és apenas imaginário,
continuo perdida neste mundo ordinário,
sou apena uma ruga a mais,
refletida no espelho do armário,
Sou mais uma das imagens banais,
deste meu porto sem cais,
sem navio, nem vapor
nem conjunções astrais.
tenho tudo, menos amor
Sou eu sobrevivendo,
sonhando, escrevendo
não existe mais nada por de trás.
a cura para minha vida sem cor.
Personagem principal do meu sonho,
fuga do meu mundo enfadonho.
Chego a sentir teu tato,
seria este o cenário do último ato,
"O grande amor"
Seria este o epílogo deste conto de dor.
Mas és apenas imaginário,
continuo perdida neste mundo ordinário,
sou apena uma ruga a mais,
refletida no espelho do armário,
Sou mais uma das imagens banais,
deste meu porto sem cais,
sem navio, nem vapor
nem conjunções astrais.
tenho tudo, menos amor
Sou eu sobrevivendo,
sonhando, escrevendo
não existe mais nada por de trás.
10.31.2009
Sou nada
A vida se cala,
nada exala,
entala em minha língua,
a míngua de fala,
viajo sem mala,
pois nada tenho
nada detenho,
nem sei se vou,
ou se venho,
não sei se sou,
se tenho...
Morro a cada instante
vivo de arte diletante.
meu ar restante,
nem mais retenho...
Sinto que minha vida acaba,
vivo em estreita aba,
sinto que sou nada,
nem bruxa, nem fada,
sou fado de um coração,
que já morreu,
apaixonado...
Lembrança do passado...
à espera dos dias que não vinhas
o sonho se desfazendo em desejo distante
conflitos errantes da alma
uma foto de passaporte
um suporte de sonho sem calma.
Um destino pastado na palma,
um foto, flácida, uma oração,
naquele tempo,
viajou para longe meu coração.
Uma visita a tua vida,
minha vida à morte
uma balsa, um rio,
acreditava ter-te
sorte.
Uma noite de frios
não chão duro,
um momento sem futuro,
com meu coração
macio.
Humanos, simples insanos,
num longínquo passado de cio.
o sonho se desfazendo em desejo distante
conflitos errantes da alma
uma foto de passaporte
um suporte de sonho sem calma.
Um destino pastado na palma,
um foto, flácida, uma oração,
naquele tempo,
viajou para longe meu coração.
Uma visita a tua vida,
minha vida à morte
uma balsa, um rio,
acreditava ter-te
sorte.
Uma noite de frios
não chão duro,
um momento sem futuro,
com meu coração
macio.
Humanos, simples insanos,
num longínquo passado de cio.
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...