11.17.2009

Tenho a fúria de todas a Fúrias em mim,
também tenho o riso tolo de qualquer Arlequim.

Tenho a beleza das flores do jardim,
também tenho o amargor da erva ruim.

Tenho o calor do fogo intenso, carmim,
também o  gelo alvo de um inverno sem fim.

Tenho o odor do singelo do belo jasmim,
também o fedor ocre podre pastim.

Tenho o sacro-santo manto de um serafim,
também a mais rubro manto não tão santo assim.

Sou qualuquer ser humano, de qualquer folhetin
rumando todo o ano ao destino do fim.

11.16.2009

Nua ao sol

Quente sol dourado aquece,


meu corpo que enrubesce

com tua luz luminar.



Lembra-me que sou corpo

e quiçá também porto

nos "vens-e-vais" deste mar.



Sinto-te sequioso aquecendo

minha derme vai sedendo

ao calor do teu olhar.



Eu, tu e meu coração,

neste meu ninho mansão,

vários quartos onde passear.



Paro por um momento,

saio na areia, adentro,

sozinha a te abraçar.



Sinto-te, sol, por dentro

lambendo meu ser sedento,

de livre viver e cantar.



Dispo-me, torno-me nua

desisto de ser lua,

(melhor meu corpo bronzear).



Nua, sol, deixo-me inteira

perdida tua, lua-sereia,

pérola à borla,à areia,só a ti esperar.



Docemente enrubescer, aquecer,

na mágoa, após, refrescar,

(nua adentro pelo louco amar).



Sentir, exalar, relaxar, seio à beira-mar

sol do lar, cais na orla do par.

(é muito bom ser poeta, nessas horas poetar)



Nua às marcas, pousar, apagar,

frutos das noites de chuva,

do corpo, do meu sonhar.





Trás precisão à minha pele,

morde-me mas não fere-me

(indecisão acaba de acabar).



Mesmo aqui sozinha,

do céu sou a vizinha,

(namoro o sal e o sonhar).



Posto-me inteira despida,

a ti sol oferecida,

inteira a me penetrar.



(quero minhas alvas marcas exterminar).



Beija-me passeia-me e atua,

no meu palco de pele sou tua,

possue-me ao me entregar.



Depois ardente minha pele,

a leve brisa confere

o doce beijo do ar.



E assim sinto-me ao sol...

Desejo feito farol,

iluminando rochedo no meu mar.



(Água do meu insano poetar.)

11.10.2009

Eu só queria um pouco de atenção,
dei-te minha vida,
beijei teu pés,
deitei-me ao chão.

Mas sempre um revés,
te impele ao não.

Não queria nada,
só um pouco de atenção,
um carinho,
sentir-me no ninho,
Um alento para minha solidão.

Dissestes " vou,
já vou,
espera princesa,
meu coração."

O que fizestes:
Tiraste meu sono,
fiquei qual cão sem dono,
procurando migalha
para comer,
no chão...

Amor, amor, perdido, vão...

11.02.2009

Amor inexistente.

És tu meu inexistente amor,
a cura para minha vida sem cor.
Personagem principal do meu sonho,
fuga do meu mundo enfadonho.

Chego a sentir teu tato,
seria este o cenário do último ato,
"O grande amor"
Seria este o epílogo deste conto de dor.

Mas és apenas imaginário,
continuo perdida neste mundo ordinário,
sou apena uma ruga a mais,
refletida no espelho do armário,
Sou mais uma das imagens banais,
deste meu porto sem cais,
sem navio, nem vapor
nem conjunções astrais.
tenho tudo, menos amor
Sou eu sobrevivendo,
sonhando, escrevendo
não existe mais nada por de trás.

10.31.2009

Sou nada

A vida se cala,
nada exala,
entala em minha língua,
a míngua de fala,
viajo sem mala,
pois nada tenho
nada detenho,
nem sei se vou,
ou se venho,
não sei se sou,
se tenho...

Morro a cada instante
vivo de arte diletante.
meu ar restante,
nem mais retenho...

Sinto que minha vida acaba,
vivo em estreita aba,
sinto que sou nada,
nem bruxa, nem fada,
sou fado de um coração,
que já morreu,
apaixonado...


Lembrança do passado...

 à espera dos dias que não vinhas
 o sonho se desfazendo em desejo distante
 conflitos errantes da alma
 uma foto de passaporte
um suporte de sonho sem calma.

Um destino pastado na palma,
um foto, flácida, uma oração,
naquele tempo,
viajou para longe meu coração.

 Uma visita a tua vida,
 minha vida à morte
uma balsa, um rio,
acreditava ter-te
sorte.
 Uma noite de frios
 não chão duro,
um momento sem futuro,
 com meu coração
 macio.

Humanos, simples insanos,
num longínquo passado de cio.

Ao amigo poeta

Atinge-me
homem sem rosto,
sublime gosto,
língua que canta.


Na tristeza, posta em beleza,
minha alma com certeza,
se encontra.

(Já li tantos que perdi a conta)

E cada vez quero mais,
Letras que se transformam em cais,
onde ancoro minha alma,
(triste, alijada, sem calma...)

Procuro na palma
uma razão,
uma linha na minha mão,
para que possa eu criar ilusão,
mas não existe.

Existe a certeza,
das letras em beleza,
que me encantam,
cantam melhor que eu
meu pranto.

Um sentimento santo
de admiração,
brota vertente,
verte de meu peito doente,
verte e conserva-se
casto, distante e coerente.


Um terno fraterno
sentimento de irmão.
Conservo, pois percebo
a importância das letras que bebo,
bálsamo para meu coração.

Que as vezes na sombria noite,
onde me invade o açoite
do desejo do fim,
vejo algo além de mim
uma vida escondida.

(Todo mundo tem ferida,
mas nem todos sabem cantar).

Um copo também pode conter água.
mas nunca conterá o mar.

As vezes me sinto sábia.
as vezes parece só lábia,
para me enrolar,
enganar, até meu tempo terminar.

Canso-me, nada mais pode me descansar,
anestesiada,
não sou nada,
só uma triste poesia a rimar...

Mas tenho um poeta que tenho apreço,
queria ser como ele, um terço,
para poder poetar,
rimar com métrica santa,
enrolar-me a noite em uma manta,
beber, sozinha fumar,
deixar fluir os pensamentos,
que habitam o éter, o ar,
e assim dar sentido,
e este meu destino sendido,
sobreviver, para criar meus filhos,
presa a estes lúdicos  trilhos,
que se chamam poetar.

E assim ler-me e achar-me pouco genial,
querer sempre fazer o melhor poema,
de mim, do meu dia brotado tema,
nascido  do meu peito, belo, rítmico perfeito
poema que surta efeito,
que traga o bem  e me afaste do mal...

Amigo poeta, essa poderia ser minha meta,
seria para mim um mundo mais normal,
sublime, puro, belo e firme,
como teus poemas de beleza descomunal.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...