11.02.2009

Amor inexistente.

És tu meu inexistente amor,
a cura para minha vida sem cor.
Personagem principal do meu sonho,
fuga do meu mundo enfadonho.

Chego a sentir teu tato,
seria este o cenário do último ato,
"O grande amor"
Seria este o epílogo deste conto de dor.

Mas és apenas imaginário,
continuo perdida neste mundo ordinário,
sou apena uma ruga a mais,
refletida no espelho do armário,
Sou mais uma das imagens banais,
deste meu porto sem cais,
sem navio, nem vapor
nem conjunções astrais.
tenho tudo, menos amor
Sou eu sobrevivendo,
sonhando, escrevendo
não existe mais nada por de trás.

10.31.2009

Sou nada

A vida se cala,
nada exala,
entala em minha língua,
a míngua de fala,
viajo sem mala,
pois nada tenho
nada detenho,
nem sei se vou,
ou se venho,
não sei se sou,
se tenho...

Morro a cada instante
vivo de arte diletante.
meu ar restante,
nem mais retenho...

Sinto que minha vida acaba,
vivo em estreita aba,
sinto que sou nada,
nem bruxa, nem fada,
sou fado de um coração,
que já morreu,
apaixonado...


Lembrança do passado...

 à espera dos dias que não vinhas
 o sonho se desfazendo em desejo distante
 conflitos errantes da alma
 uma foto de passaporte
um suporte de sonho sem calma.

Um destino pastado na palma,
um foto, flácida, uma oração,
naquele tempo,
viajou para longe meu coração.

 Uma visita a tua vida,
 minha vida à morte
uma balsa, um rio,
acreditava ter-te
sorte.
 Uma noite de frios
 não chão duro,
um momento sem futuro,
 com meu coração
 macio.

Humanos, simples insanos,
num longínquo passado de cio.

Ao amigo poeta

Atinge-me
homem sem rosto,
sublime gosto,
língua que canta.


Na tristeza, posta em beleza,
minha alma com certeza,
se encontra.

(Já li tantos que perdi a conta)

E cada vez quero mais,
Letras que se transformam em cais,
onde ancoro minha alma,
(triste, alijada, sem calma...)

Procuro na palma
uma razão,
uma linha na minha mão,
para que possa eu criar ilusão,
mas não existe.

Existe a certeza,
das letras em beleza,
que me encantam,
cantam melhor que eu
meu pranto.

Um sentimento santo
de admiração,
brota vertente,
verte de meu peito doente,
verte e conserva-se
casto, distante e coerente.


Um terno fraterno
sentimento de irmão.
Conservo, pois percebo
a importância das letras que bebo,
bálsamo para meu coração.

Que as vezes na sombria noite,
onde me invade o açoite
do desejo do fim,
vejo algo além de mim
uma vida escondida.

(Todo mundo tem ferida,
mas nem todos sabem cantar).

Um copo também pode conter água.
mas nunca conterá o mar.

As vezes me sinto sábia.
as vezes parece só lábia,
para me enrolar,
enganar, até meu tempo terminar.

Canso-me, nada mais pode me descansar,
anestesiada,
não sou nada,
só uma triste poesia a rimar...

Mas tenho um poeta que tenho apreço,
queria ser como ele, um terço,
para poder poetar,
rimar com métrica santa,
enrolar-me a noite em uma manta,
beber, sozinha fumar,
deixar fluir os pensamentos,
que habitam o éter, o ar,
e assim dar sentido,
e este meu destino sendido,
sobreviver, para criar meus filhos,
presa a estes lúdicos  trilhos,
que se chamam poetar.

E assim ler-me e achar-me pouco genial,
querer sempre fazer o melhor poema,
de mim, do meu dia brotado tema,
nascido  do meu peito, belo, rítmico perfeito
poema que surta efeito,
que traga o bem  e me afaste do mal...

Amigo poeta, essa poderia ser minha meta,
seria para mim um mundo mais normal,
sublime, puro, belo e firme,
como teus poemas de beleza descomunal.

10.29.2009

Os tempos


Prostrada no chão,
ergo minha mão,
conclamo a união,
com o céu,
para extermínio
da escuridão.

Peço a Deus, por tudo, perdão!
Purifico, clarifico meu coração.

Me livro do pecado,
da carne encarnado.

Nego-me o negro lado.
Sinto-me ao fim, conclamado.

Toca a primeira trombeta,
a porta é fina, estreita.

A escolha tem de ser feita,
não com "ficar parado",
tem-se que escolher o lado.

Escolho o amor, o sagrado,
meu corpo ao mal é fechado.

Meu espírito pelo anjo,
é chamado, "o tempo já é chegado".

Só os de puro coração sobreviverão,
verão a luz que dissipa a escuridão.

Depois dela vem o silêncio,
é isto que ouço,
é isto que penso.

O mundo é vasto imenso,
o momento gasto é tenso.

Portanto meu irmão,
dê-me a mão
e juntos enfrentaremos as trevas
constituiremos regras,
exterminaremos a escuridão.

Iremos com calma,
com firmeza na alma,
armados com clareza na mão,
coroados com beleza no coração,
armados com amor de irmão.

Assim venceremos,
sobreviveremos,
com poesia e amor
construiremos
uma nova dimensão.

Onde só exista, paz, amor e união.

Anjo de LUZ


Anjo de luz onde estás?
Me salva, não deixa-me para trás.
traze-me a paz,
traze-me o amor,
anjo de luz,
afasta-me do mal,
anjo de luz
desfaz o desejo,
o pecado carnal,
anjo de luz,
me envolve,
me cobre com teu capuz,
dá-me a paz de espírito,
faz com que ecoe teu grito
ergue-nos aos céus,
dissipa estes negros véus
que estão acima,
traga nos nova luz,
que refaz e reluz,
faz que cada língua,
não fique a míngua,
que se cante aos quatro ventos
canto de perdão para afastar o sofrimento,
canto de amor que acabe com a dor e o tormento,
canto de paz que harmonia traz
canto de louvor que esparge amor.
Anjo de luz nos enche de emoção
Anjo de luz purifica o coração,
Anjo de luz me confere o perdão
Anjo de luz me carrega pela mão,
estou na luz, temendo a escuridão.

Pois sou filha da luz,
cujo pai é filho e espírito em santa missão.

Ser luz

u sou luz,
luz que extermina a escuridão,
luz que elimina
esta dor no coração,
que nem vejo nem sei
só sinto,
dor que antevejo,
com a mente,
pressinto.

Sou luz que dissipa-se
em verde planície
sou luz que penetra
além da superfície,
sou luz que desinfeta
o intelecto,
sou luz que induz
ao rumo, erecto,
Sou luz que ilumina
o prumo que vem acima,
sou luz que viaja
se refrata,
e não extermina,
luz que ilumina,
louca dança e fascina,
sou luz que se reproduz
e dissemina.
Sou luz em facho,
que ergue o homem
cabisbaixo
sou luz que seduz
o inseto e fatal facho,
sou luz enviada
por uma mão iluminada,
sou luz,
apenas luz,
em tua pupila dilatada,
necessito ser luz,
precipito o pus,
que brota em cada grota
cada recanto sem encanto,
em cada gota, cada pranto,
em vazio peito sem acalanto,
necessito ser luz,
por tudo e para tanto,
serei sempre luz,
envolvendo em poético manto.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...