10.16.2009

Amor cansado...

Tão triste, que até  desiste, te amar doeu,
deu um susupiro, disse "até" depois morreu,
tentei ainda com fé, reanimar mas não deu
 indo e vindo que nem maré, um dia se perdeu.

foi o amor, que suspirou, ao acaso e morreu
foi a dor, que expirou o prazo do Prometeu
foi a cor, que mudou, no caso, o olho teu

mas como renda esta senda se rompeu
mas com fenda esta moenda me moeu

Digo com calma, com alma que não fui eu,
foi a salva de palma de uma platéia que me escolheu

Não fiz nada, era namorada de um homem ateu
desacreditada, mal amada, não é amor, é só "meu"

Possessiva possessão que nos perdeu
obssessiva obsesção que nos comeu

Já é a hora, vou-me embora, amor de Romeu,
pois agora, tomo veneno, canto com  dor de Orfeu

 Coração triste, desci ao ades, mas ja partias, partida eu,
 não mais existe, com sabes, alegrias, morria eu...

Adeus aos olhos teus, amores meus, que te enganaram
foram ferrolhos teus que no teu ciúme me aprisionaram...

Viramos pós, não somos mais nós, moidos por mós
não tenho nome, mudei pronome e a dor não some...

Melhor separados,
temos nossos lados,
humanos, errados,
incopreendidos.

Amores alados,
desenfreados,
mal tratados,
findos e ofendidos....

Que pena, min'nha alma pequena ainda me diz que valeu apena,
parto serena mal comprendida, sigo triste a minha vida...
pequena...

10.15.2009

Amar um amor.


Esta luz fascinante deste teu olhar distante,
esquenta minha alma errante e com frio,
Este brilho de estrela distante
me deixa delirante, acende meu pavio.

Esta expectativa louca e vibrante
de ver esta estrela fascinante,
desviando por mim um curso de rio
me faz trapezista, artista
me tece fio-a-fio.

Preenche meu corpo vazio,
aquece minha alma, da calma
me afasta da vida casta e com frio.
Derrete meu corpo, quase morto,
que ainda não caiu.

Quero ser tua, nua sem véu,
iluminar como lua teu céu,
dar-te na boca candura,
eliminar teu fél...

Sou eu loucura,
a cura, que procura,
a frescura de um amor
com sabor de "meu" e de mel.

Autobiografia poética


O destino...ele...bate a porta,
eu jogada quase morta,
quase não o atendi,
perdida estava eu quando na porta ouvi:

- Atenção, fique desperta!!!
"precisa-se de poeta"

Poeta eu?
Poema, meu?
Será que seria eu uma poetisa?
pensei que só aposentada profetisa,
mas não,
não e não...
Gritou uma luz lilás em meu coração.
És tu sim!
Existe uma poesia em "mim"?

Existe, insiste, não desiste,
solta a tua voz,
olha que lindo este lúdico rio em foz.
Chamada poesia em mim,
vestida de noite,
pintada de carmim
que louca grita,
desesperada, irada ecoa,
palavras escritas, da alma que voa,
a cada verso de Fernando Pessoa
a cada soneto
do triste do solitário gueto
de Florbela Espanca,
espelhado, cuspido e escarrado
em uma uma folha branca,
me derrama, me chama
me chora, me coa,
tirando de mim a tristeza
que quase já brota atoa,
talvez não seja engano ledo,
ler Alvarez de Azevedo,
tira-me da rima o medo,
entranha-me esta métrica estranha,
e saio falando em rima,
Queria eu ser Peçanha,
dominar esta louca sanha,
correndo, vivendo, rimando, querendo
galopando, sacudindo minha crina,
fazendo da vida um mundo de rima,
bebendo da fonte,
da planice ou do alto do monte,
do campo, ou da cidade...
lembro-me de Osvald de Andrade,
poeta da modernidade,
quase me enlouquece,
com sua beleza que não fenece,
bebo tudo, do mundo torno-me surdo,
me embreago,
tomo tudo de um mesmo trago.
Acendo um maço e trago um traço,
de vinícius de Moraes,
o poeta que morreu em paz,
que cantou as belezas de portos
de mares, de mortos e de cais,
de mulheres da vida,
de Deus e de reles mortais,
de amores, de guerra e de paz.
E assim, com um pouco disto tudo,
montou-se este conteúdo,
com mais uma pitada de vida,
triste, solítária e sofrida,
nasceu a poesia em mim,
que espero que seja eterna,
bruta, alucinada, sensata e terna,
minha poesia interna,
de cores de lua e carmim,
espero que nunca tenha fim.
Poesia transformadora de "mim".





Foi assim que depois de algumas ( muitas ) primaveras, nasceu a poesia em mim, espero que nunca tenha fim, espero que seja boa, rezo sempre peço a Fernando Pessoa, a Boudelair, A Peçanha, pedindo a inspiração a todos que se arvoram nessa façanha, fazer da poesia uma terapia e levar a vida numa boa, viver de vento e de ar, ter tudo em meu Poetar.

Afeiticeria do tempo e o dragão

Ainda cambaleante,
o peito oco vazio
coração distante,
corpo com frio...

Ergueu-se e decidiu:
-Irei lutar,
correr voar,
perseguirei
este dragão
estelar,
por terra, fogo, água e ar.

Sentia sensações estranhas,
com líquido mágico
penetrando as entranhas
bebido da ampulheta,
vestiu então sua manta preta.

- Ninfas corram, me socorram,
ele não pode fugir,
o tempo não pode parar de fluir,
rápido, temos que agir.

Então deram-se as mãos
uniram suas emoções,
entoaram hinos pagãos,
juntaram seus corações.

Então formou-se a visão,
o dragão entrando em um mundo material,
sem magia, com um pouco de bem e muito de mal.

Estava ele em forma de humano
escondido com olhar insano,
ardiloso esperando o poder pleno,
angustiado, nada sereno...

Onde será que é este lugar,
em que quadrante estelar,
se ainda tivéssemos
os cristais para vibrar...

Então inteligência,
ninfa ativa útil
em qualquer contingência,
disse:
-Mestra irei pensar,
uma solução irei encontrar,
saberemos em primeira mão,
onde se esconde ardiloso dragão.

Então ela e a ninfa Amor
pegaram os cristais de cor,
colocaram sobre o chão,
formando um coração de dragão.

E pensaram, vibraram, irradiaram,
um coração vivo formaram,
ainda impregado com a energia do dragão,
e formou-se uma imagem então...

segue...

Confio em ti.


Esta calma, que ao confiar em ti, me invade,
deixa-me à deriva, sorridente, confiante e crente
em tua grande e singular capacidade.

Esta placidez tônica, certa, reta e lacônica,
torna-me simplesmente sol em passiva primaveril tarde.

Tua lucidez agônica, loucura crônica
de fingir não saber o que já se sabe.

Faz-me crer que está para acontecer,
tudo o que o destino quiser tecer,
(só espero que não pelas mãos do Marquês de Sade!!!)

viver sem ti


Procuro em vão, um gesto , uma luz, um amor de irmão,
um coração, um resto, uma cruz, uma dor, um tostão,
procuro em vão, o resto de uma gesto,
uma luz na cruz,
um amor sem dor
(sinto-me órfão e sem irmão,
não valendo mais que um tostão).

Procuro em vão,
teus olhos a meio a fumaça da multidão.
Meus olhos olham em vão,
torno-me fumaça, cegando meu corpo,
que te procura em vão.

Procuro um vão,
para entrar uma luz
o amor que sinto,
e não está nesta multidão.

Procuro em vão,
por teus olhos,
perdidos dentro de mim,
e eu no meio da fumaça,
e da multidão...
viver sem ti, é viver em vão...






Momentos onde sentimo-nos imensamente sós e vagando em vão na esfumaçada escuridão do barulhento silêncio que não me diz nada, imersa numa amorfa da multidão...

Resposta muda em mim.


As palavras fogem,
fogem de mim,
não digo nada
cheguei ao fim.

As palavras morrem
dentro de mim
não sou nada
nem flor, nem amor
nem jardim...

As palavras voltam e se revoltam contra mim.

Sou nada,
um pedaço triste
do laço
de amor
que tens por mim.

Um abraço solitário,
imaginário,
dado por teus olhos
que me olham
dentro de mim.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...