9.22.2009

Quem imagem serias?


Tua imagem, cifrada como "A mensagem"
"mens" que age em minha mente,
mente que me cativa, me faz inocente,
mensagem escrita "ao espelho",
com teu fundo vermelho
que me deixa inconsequente.

"Mens", mente, imagem, apenas imagem,
criada ao espelho,
meu espelho, teu relho,
onde me acosto, me encosto em teu seio,
teu grande e nutridor seio
que alimenta e conforta,
melhor talvez a imagem de uma porta,
onde entro sem bater,
portal que transmuta meu jeito de viver.

Chave, também és chave,
da ignição da nave,
que me transporta,
pela etérea porta que me aporta
sem eu mesmo perceber...

Nau, poderias ser uma nau,
de navegador incauto, destemido,
que sangra os mares com cera aos ouvidos,
para fugir do canto das sereias,
vis feiticeiras que te chamam das alvas areias...

Poderia ser mesa,
onde me sirvo de sobremesa,
para arrematar teu jantar,
a deusa embevecida de teu lar,
esperando-te eternamente,
para somente, e felizmente,
amar-te bem além deste mar.

Poderias ser pecado,
apenas pecado,
pecado triste e consumado,
traído, conspirado,
postado nu ao meu lado...

Mas isso não queria,
prefiro que sejas apenas alegria,
eu eu feiticeira, de carne de magia...
sublimando em versos esta agonia
de querer sem poder ter,
de amar sem consumar,
de viver sem ter todos os dias
a luz do teu olhar
iluminando meu dia tal qual o sol ao despertar...

9.21.2009

Pratos partidos



Prato partido, mil pedaços, estatelado,
voando, voado, espatifado
disco voador inventado
do meu universo, confinado,
na cozinha, sozinha,
eu, a curiosidade da vizinha
e o prato, quebrado...
transformado em grito,
gritado, rido, jogado,
experimentado...
Sinto aliviado o sentimento represado...
Não sinto mais como o prato partido esfacelado,
vou dormir com meu pensamento menos pesado...
e o humor...alterado!!!!!

Grata amigo, que vive além do oceano, do outro lado.

(agora não me culpo, me ocupo, juntando cada caco, pedaço, cavaco do pobre e catársico prato,
quebrado, enquanto nem me lembro de dor ou pranto, gargalho de mim, do instrumento poetado e do meu amigo: pirado!!!!!)

9.15.2009

Derradeira hora.


É um momento,
fugaz e lento
em que uma luz se apaga.

A existência,
em senescência,
o universo no fim,
apocalipse pessoal,
observado por todos,
não só por mim.

Os olhos perdem o brilho,
o corpo segue no trilho,
mas a alma evapora.

Olhamos e não mais enxergamos,
o "anima corporis" vicejando.

Somos meros passageiros,
deste barco chamado corpo,
que um dia ancorará,
neste inexorável porto,
descerá a alma,
elegante e com calma,
dirá: "- Adeus matéria!"
E serena partirá,
quem sabe um dia voltará
da sua jornada etérea.

Evolução de um sentimento



Hoje acordei contigo, junto, perto, amigo,
lembrei nosso começo, amigo sem endereço,
em mudança, em correria, buscando abrigo.
Solitário em mundo binário, sofrendo sem apreço...

Então nos encontramos, tropeçamos, no identificamos,
muitos olhares furtivos desses louco figitivos
nessa virtual ilusão de realidade
nos apaixonamos
nos ferimos, erramos, traímos mas ficamos,
tentamos, oh como tentamos...

Hoje sobrevivente do cismo,
enfrento abissal abismo,
Porém me vejo vestida de pixel brilhante,
sou luzente feiticeira viajante,
que voa, flutua, não mais despida, nua,
vestida de consciente realidade,
te amo fraternamente,
de uma forma, doce, decente,
amarrada em eterna terna corrente
construída com elo de fraternidade
unidade com a solda da realidade,
chamada por todos de amizade.

Aurora lilás



Desperto,

O corpo ainda pesado,
o rosto ainda inchado, vermelho,
das dores refletidas em espelho,
de um recente "passado".

Levanto-me,

Despida de qualquer encanto,
respingada ainda de pranto,
mas respiro, suspiro e me viro.
Ergo-me, ereta percebo-me, levanto.

Visto-me,

Vestindo-me de cotidiano,
me vejo coberta de pano,
exorto o sentimento humano,
chamado sobrevivência,
parto para mais um parto
no mudo mundo da ciência.

E assim começa o dia:

Lenta e incoersivel correria,
que me ocupa, me absolve,
dissolve a minha face oculta,
me faz mulher adulta
e capaz.


Encontro,

Mais uma amiga deste conto,
chamado vida,
minha amiga-flor, Margarida,
e choro, de novo de vermelho me coro,
e choro é nosso coro com voz de dois sotaques.
golpeadas por simultâneos similares baques,
dividimos nossas tristezas, dores e incertezas,
da vida com sutilezas de viajante dimensão.

Percebo,

Que viver não é ter medo,
é sempre achar que ainda é cedo,
que nunca é tarde,
é beber bebida que arde,
mas também alegra,
essa bebida de delirante entrega,
a vida,
as vezes triste, as vezes bandida,
mas eternamente bebida,
intensamente vivida
concreta não imaginada,
que deve ser reta e não desviada,
inevitável, as vezes só suportável,
as vezes inominável,
mas minha arte favorita,
viver de forma irrestrita!!!!!

Prossigo,
nem penso como consigo,
mas vou vivendo,
o mundo acontecendo,
o destino se tecendo
a cada hora.

Entrego-me

As forças do bem,
de cor transmutante lilás:
Que o universo se faça luz!
Lilás, que transmuta e traz paz.

Envolvo-me

Neste mágico capuz,
e entôo este cântico transatlântico
que semeia amor e luz.

Torno-me,
(finalmente)

Apenas um "quanta"
de energia vivente,
envolta em mágica manta
de poetisa sobrevivente.

9.13.2009

Transmutação


Abraça-me novamente dor conhecida,
é carnaval carnal na minha mente perdida.
Despe-te da fantasia insana de amor,
coloca tua roupa cotidiana de dor.

Disfarça-te de realidade por três dias
dizes que me amas, sofres em agonias
neste carnaval, mudo  e virtual
em que me embebes nas tuas noites de folias.

Pois decido mudar de cor, de olhos e de amor
parar de viver sem nada, sem migalha, sem cor,
viver com  minha alma refeita, íntegra, vivida

Esperar com ardor,  hora do sol se por,
se evadir de meus olhos a noite do teu amor,
e esperar a lilás cor da aurora de uma nova vida.

Mortalha luminosa de meu corpo



 O efeito de tua presença,
entristece-me, deixa-me tensa,
então penso no "não senso"
desta sensação imensa.

Cinza cor sem presença.
É fusca luz prateada refratada,
é baça, refletida na taça nunca bebida,
mas que mata minha sede, pervertida.

E me contento com migalha,
com "o que quer que o valha".
Por um sorriso, um olhar de narciso,
viro cambalhota, no fio da navalha!!!.

Então visto a mortalha chamada corpo.

A mortalha de meu sentimento,
negra veste do barqueiro sem porto,
parado, azul, triste e absorto,
enterrado vivo acreditando-se morto.

Mas que importa ?
A vida já me é morta há tanto,
afogada no já seco rio
chamado "Meu pranto".

Sobra então a ilusão doente,
essa fraca luz baça e fusca,
que ilumina a noite de meu ser,

 resignado, nada mais busca.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...