O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
9.13.2009
Transmutação
Abraça-me novamente dor conhecida,
é carnaval carnal na minha mente perdida.
Despe-te da fantasia insana de amor,
coloca tua roupa cotidiana de dor.
Disfarça-te de realidade por três dias
dizes que me amas, sofres em agonias
neste carnaval, mudo e virtual
em que me embebes nas tuas noites de folias.
Pois decido mudar de cor, de olhos e de amor
parar de viver sem nada, sem migalha, sem cor,
viver com minha alma refeita, íntegra, vivida
Esperar com ardor, hora do sol se por,
se evadir de meus olhos a noite do teu amor,
e esperar a lilás cor da aurora de uma nova vida.
Mortalha luminosa de meu corpo
O efeito de tua presença,
entristece-me, deixa-me tensa,
então penso no "não senso"
desta sensação imensa.
Cinza cor sem presença.
É fusca luz prateada refratada,
é baça, refletida na taça nunca bebida,
mas que mata minha sede, pervertida.
E me contento com migalha,
com "o que quer que o valha".
Por um sorriso, um olhar de narciso,
viro cambalhota, no fio da navalha!!!.
Então visto a mortalha chamada corpo.
A mortalha de meu sentimento,
negra veste do barqueiro sem porto,
parado, azul, triste e absorto,
enterrado vivo acreditando-se morto.
Mas que importa ?
A vida já me é morta há tanto,
afogada no já seco rio
chamado "Meu pranto".
Sobra então a ilusão doente,
essa fraca luz baça e fusca,
que ilumina a noite de meu ser,
resignado, nada mais busca.
9.12.2009
Neuro-poema de amor
Queria ser um eletrólito insólito
viajando pelas voluptuosas
circunvoluções cerebrais,
de tua mente profana.
Queria girar em teus giros
povoados de papiros secretos,
abstratos e concretos
do teu intelecto inquieto,
de teu encéfalo que me espanta
absorve-me e encanta
a cada contato abstrato
que tenho contigo.
Seria eu feliz, se fosse "liquor"
de límpida cor envolvendo-te inteiro
portegendo-te, amortecendo-te,
de qualquer choque estrangeiro.
Passear por cada sulco,
de teu encéfalo culto.
cada giro, cada fossa,
abissal de teu crânio
dividido entre o bem e o mal,
o espírito e o prazer carnal.
Que possibilidade de conhecer de verdade,
os meandros da tua intelectualidade
e explicar este sentimento,
imenso e hemisférico
que deixa meu ser histérico
a cada ausência tua
Queria ser imagem nua, crua (e só tua)
povoando teu sistema límbico,
queria ser o químico mediador
que estimula teu hipocampo,
te preencher de encanto,
modular qualquer dor.
Ascender em sentido cortical
para afinal, no córtex cerebral,
povoar o centro da palavra escrita
e ser tua faceira musa favorita
( que foge a cada noite e te irrita!!!!)
Queria aah...como queria,
ter sabedoria para não me afastar
e ficar perto, dos meandros
finos, misteriosos e únicos do teu intelecto.
Quem sabe assim, descubra no fim,
um via, um caminho, uma mão,
um giro, uma circunvolução,
onde possa tatuar com amor
meu nome em teu coração.
viajando pelas voluptuosas
circunvoluções cerebrais,
de tua mente profana.
Queria girar em teus giros
povoados de papiros secretos,
abstratos e concretos
do teu intelecto inquieto,
de teu encéfalo que me espanta
absorve-me e encanta
a cada contato abstrato
que tenho contigo.
Seria eu feliz, se fosse "liquor"
de límpida cor envolvendo-te inteiro
portegendo-te, amortecendo-te,
de qualquer choque estrangeiro.
Passear por cada sulco,
de teu encéfalo culto.
cada giro, cada fossa,
abissal de teu crânio
dividido entre o bem e o mal,
o espírito e o prazer carnal.
Que possibilidade de conhecer de verdade,
os meandros da tua intelectualidade
e explicar este sentimento,
imenso e hemisférico
que deixa meu ser histérico
a cada ausência tua
Queria ser imagem nua, crua (e só tua)
povoando teu sistema límbico,
queria ser o químico mediador
que estimula teu hipocampo,
te preencher de encanto,
modular qualquer dor.
Ascender em sentido cortical
para afinal, no córtex cerebral,
povoar o centro da palavra escrita
e ser tua faceira musa favorita
( que foge a cada noite e te irrita!!!!)
Queria aah...como queria,
ter sabedoria para não me afastar
e ficar perto, dos meandros
finos, misteriosos e únicos do teu intelecto.
Quem sabe assim, descubra no fim,
um via, um caminho, uma mão,
um giro, uma circunvolução,
onde possa tatuar com amor
meu nome em teu coração.
9.11.2009
Porque?
Quanto tempo perdido, quantos derramados prantos em agonia. Seria um mol, um quanta, um véu, um tonel, uma manta? Que me salvariam da tua magia. Pergunto-me pois não acabo-me neste teu mundo criado por ti. Porque me chamastes, me vistes, olhastes, me trouxestes até aqui? Por pura brincadeira? Por não ter o que fazer em tua cadeira? Mentes-me que sou a única revelada em profecia rúnica a preferida, a primeira. Nunca te pedi nada, não pedia nem para ser amada, muito menos a eleita. Pois sei que sou feia, burra e imperfeita. Sempre te perguntei: "Porque te elegestes para meu Rei?" E a resposta dada: "Porque és bela minha princesa amada". Mas tudo fica perdido, neste meu mundo agora confundido, por teu pecado: Teres me mentido olhando o meu olho apaixonado. ( e o pior, sem teres ao menos piscado!!!!) |
Depressão
Depois da alegria, do riso e da exaltação
vem sempre ela, elegante mas não bela,
depressão.
Tudo preto, tudo cinza,
tudo beco ranzinza
só há luz no Portimão.
Vem meu amigo maluco
que importa a diferença do cuco,
pega-me pela minha mão,
puxa-me, ergue-me
deste poço que persegue-me
deste poço que persegue-me
que me faz barca sem timão...
Enche-me os olhos de água
gota chamada mágoa,
que me inunda o coração...
Pinóquio
| Pinóquio era um boneco com cara-de-pau, sorria fingindo que não sabia o que era o bem, ou ser mau. Mentia pois não sabia falar a verdade, mas na cara estampava as mentiras da sua distorcida realidade. Pinóquio, pobre boneco sem coração, errava, maltratava em vão, pois era inocente, não sabia da verdade, ele apenas inventava uma nova realidade... Inventava por diversão pois pensava que as pessoas também não tinham coração, que podia, mentir, maltratar, que ninguém sentia, que ele era o único a sentir tristeza e agonia. Achava que atrás da porta do escritório tinha "o mundo", um grande laboratório, para seus experimentos sentimentais e ou outros? apenas animais para experimento, (que duravam apenas um momento) manipulados do alto do seu castelo-ilusório, protegido por fosso de fingimento. Pobre boneco de madeira, acorrentado em sua triste cadeira, com sua cara sardônica, irônica e solitária. Sem saber que mentir é feio em qualquer faixa etária... Mas nessa, acabou a festa e pinóquio acabou sem amigo triste, só e com seu nariz comprido... |
Reflexo em dor
Ensurdecedor amorfo burburinho
me lembra barulho de moinho,
moendo-me a cabeça
segunda, terça,qualquer dia
invade esta dor em agonia.
Não suporto minha cabeça,
por favor desapareça,
som, luz, presença,
qualquer coisa, me esqueça.
E triste e só, em um quarto escuro,
me curo deste furo na cabeça.
esta dor pulsante, triste e espessa...
Esta triste e inutilizante dor de cabeça....
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...






