9.10.2009

Ao meu muso...

Despertei,
no fim de tanto sono,
acordei,
suada de abandono,
e te senti,
nu, pesado,
peludo,
sobre mim, apenas olhando,
de meus poros brotando
suor sanguíneo da tua indecente
presença,
escorrendo de tuas mãos
secreta secreção
que unta meu corpo etéreo
sedento de ti.

Lambe-me, morde-me,
assassina-me,
quem sabe em ti
renasço,
e me salvo deste cansaço
de tentar te dizer adeus.

Ou quem sabe viajo,
e me entrego ao lascivo
e passivo incoercível destino:
Ser tua, inteira, nua,
musa louca e confusa,
acalmada pela força dos teus braços,
pelo afeto inquieto da tua libido,
meu louco, forte e nada pouco
muso proibido.

9.09.2009

O tom rosa da saudade

Saudade
rosa amorosa,
jardim da minha alma, irrealidade.

Saudade das horas perdidas a tarde
fazendo conta de idade
há setes dias nesta mesma
cidade.

saudade
da viajante liberdade
de sentir-te na eternidade
companheiro sem idade.

Saudade, rosa triste amorosa,
enfeita esta mesa de renda mimosa,
refeição primorosa
menu à Marques de Sade
"Coração com tempero
de impossibilidade".

Amorosa arrependida
saudade
quem sabe
um dia realidade
movida por essa grande vontade
de ter-te, um dia,
de verdade.

Adeus ao quase amor.


Apagam-se as luzes que me ligam as tuas mãos
se rompem os laços que nos tornaram irmãos
peço que não retornem, que se tornem ilusão.

Este magnetismo nunca sentido,
este ser desconhecido,
presente, pungente,
talvez só por mim concebido.

Solitário amor não correspondido
luz que se apaga sem nunca ter luzido,
amor que se vai, se esvai
sem ser vivido.

Que pena, pois minha alma,
agora serena,
volta a calma,
sem gosto,
sem rosto,
pequena...

Toda esta energia,
esta conexão,
não poderia caber  em só um coração...

Quase amor.



O bom de uma amor partido,
é a certeza dele ter ido,
é não esperar a volta,
não sentir revolta.
Não sentir nada,
nada mesmo,
não perder o sono,
a esmo.

É saber que simplismente foi-se,
que nem a morte com sua foice,
pode me ceifar o peito.

Sobrar este sentimento
rarefeito do ido momento
"este não era meu amor perfeito"

9.08.2009

Rogo por ti aos anjos do céu.


Evoco o poder das chamas,
por quem chamas e clamas
em alucinada agonia.

Não te pertenso, nem penso
este sentimenso imenso e tenso
que me sabota em letargia.

Me protejo e dou graças
pois não mais te vejo, me passas
não sinto mais tua mente vazia.

Acendo sete velas de cores,
para se estiveres perto, te fores
e não conheceres minha alquimia.

Me cubro de profundo azul,
para quando te voltares ao sul
não perceberes minha energia.

Pois teu destino comprado,
teve o cheque voltado,
será devolvido em agonia.

Mas te rogo perdão,
pois vejo em ti um irmão,
que se perdeu na magia.

Espero que te reconstruas,
que acabem tuas torturas
desta mente em entropia.

Te estendo a mão, meu irmão,
ainda bate em teu corção,
a luz, o amor e a harmonia.

Serei tua então, teu seio, esteio e irmão,
quem te segura forte pela mão,
na cruz, na luz e na escuridão,
enquanto tua alma não encontra o dia
(serei nesta estrada teu guia)

Apenas por um motivo: Amor.

Amor verdadeiro.




É à "la carte", não à quilo.
é arte, não "aquilo...",
não é Sartre, nem é Ésquilo,
talvez Bonaparte em triste exílio.
É escolha, é força e é auxílio.
É vivo e vívido, não fingido.
É santo, é sacro e é ungido.
É calmo, medido a cada palmo,
não sorvido, sugado e absorvido.
Não é fugas, volátil gás consumido,
é esperança, é espera sem ânsia,
é ressonância de almas em consoância,
é noite, é manhã, é tarde e é dia,
é certeza, não dúvida ou hipocrisia,
é algo que surge, urge e depois entra em acalmia,
não é acaso ao ocaso de cada dia,
não é sorte, é magia, é alquimia,
é sobretudo, paciência para que se realize a profecia.






Da profecia que toda mulher carrega em si, "...um dia encontrarás um homem que te amará, será tua alma gêmea, te fará princesa em teu reino cotidiano, aturará sem reclamar teu ritmo circadiano"
Morro esperando este dia profetizado, pois quero este amor encantado, lindo doce e tanto poetado.




Amar.



Amar...
Amar, as coisas
A vida, amar
As mulheres
Amar os homens
Amar,
As crianças
Amar, simplesmente
Amar
Mas não ser de ninguém

Amar intensamente,
Descaradamente,
Indecentemente.
Amar incoersívelmente.
Amar a todos e a toda gente.
De uma forma suave, docemente,
De uma forma clara e lealmente,
Amar todos, tudo,
Até o que não é gente,
Amar o mar, o ar e o sol poente
Amar, simplesmente
Amar
Mas não ser de ninguém.







Duo de Ana Lyra e Conchinha

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...