O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. /E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem, /Não as duas que ele teve,/ Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. Ricardo Reis
9.05.2009
Insistente dinamite
Esta dinamite
não desiste.
Explode,
eclode,
insiste.
Tu meu homem dinamite,
Derrete meu coração
nesta prisão
gélida de estalaguimite.
Não sei porque não desisto,
Será que é porque não existo?
Sou só sombra
que tomba,
frente teu maior quesito:
Tua explosão
em afeto aflito.
( Esquisito não?
Vá se entender as loucuras do coração...)
Vivendo neste instante, com a mente distante...
Boa hora para um poema errante,
deste que brotam em um instante,
de uma alma louca, viajante,
Floresce em palavras que se tecem,
que crescem e amortecem,
esta saudade dilacerante.
Agora, iluminada, por este sol,
lindo, luzente, feérico farol
iluminando meu afeto, imigrante.
Neste segundo sou nada,
além desta luz refratada,
nesta tua íris, azul brilhante.
Nada além de um poema,
de ti, meu único tema,
nesta mesa, deste café, fervilhante.
Sou este raio traficado do sol,
desta primavera, tropical, neste atol,
ilhado por gente, irrelevante.
Pois só tenho visão para ti,
meu único e fiel amante,
imaginado, imaginante ...
Indecente loucura
Apoderas-te da minha mente,
sutil, doce, gentilmente,
a penetras e impetras,
este teu decreto secreto:
"serás minha, um dia neste mundo concreto"
Mas antes, serei louca amante,
vidente, ardente e distante,
sobrenadante na tua loucura,
serei mais doença ou cura?
Se for doença, quero ter a crença
que me cuidarás, me amarrarás, me envenenarás,
me venerarás, me beberás, me trancarás na tua solitária. (distância etária que nos separa e me paralisa)
Será que fui clara?
ou preciso desenhar,
será que estás indeciso
ou farás o que for preciso
para me ganhar?
Não importa,
um dia terás a chave da porta,
(este será teu ofício)
não fugirei, nem pularei
do alto do edifício.
Será que não serei tua hóspede,
em teu particular hospício?
Será que te darei a mão
e nos jogaremos nesse precipicio?
Vem meu colega, me pega,
que te ensino,
vem, fica comigo,
te faz pupilo,
que eu, eu? (...)
Te como à quilo...
sutil, doce, gentilmente,
a penetras e impetras,
este teu decreto secreto:
"serás minha, um dia neste mundo concreto"
Mas antes, serei louca amante,
vidente, ardente e distante,
sobrenadante na tua loucura,
serei mais doença ou cura?
Se for doença, quero ter a crença
que me cuidarás, me amarrarás, me envenenarás,
me venerarás, me beberás, me trancarás na tua solitária. (distância etária que nos separa e me paralisa)
Será que fui clara?
ou preciso desenhar,
será que estás indeciso
ou farás o que for preciso
para me ganhar?
Não importa,
um dia terás a chave da porta,
(este será teu ofício)
não fugirei, nem pularei
do alto do edifício.
Será que não serei tua hóspede,
em teu particular hospício?
Será que te darei a mão
e nos jogaremos nesse precipicio?
Vem meu colega, me pega,
que te ensino,
vem, fica comigo,
te faz pupilo,
que eu, eu? (...)
Te como à quilo...
Palco particular
Sou ator em meu próprio palco.
Sou fumo, sou ópium, sou álcool
vivo tudo neste escudo em que me acalco.
Sou ludo no meu mudo mundo,
vivo solta em meu escalpo.
sou livre dentro de mim
nos giros "giros" do meu cérebro sem fim...
E essa dor donde vem?
Me entendo conforme vou me lendo,
vejo melhor, não me vendo,
mas tiro dos olhos a venda,
observo com coragem a fenda
em meu corpo poético, de renda,
fino, trespassado, amordaçado,
meu louco corpo,
desenhado, etéreo, pouco e poetado...
Vivo com ele pelo meio,
vivo a vida de permeio,
vivo ou sobrevivo,
a poesia é um fim,
ou só um meio?
Não sei e não me interessa, para essa pergunta, na resposta, nem há pressa. ( só escrevo, não cravo no peito, atravesso o lastro deste teu leito, a encruzilhada, desta minha dor poetada) mas, já não dói mais o peito. Mas donde ela vem?... Agora?... Não vem de nada nem de ninguém...é uma comum dor, ardente como lava, que só entende quem a tem...
Chamada depressão, confundida com dor de coração...
A poetisa triste e bela
Poetisa triste,
olhos de azeviche,
lábios de canela.
Sua poesia existe,
em cada alma triste,
inspirada por ela.
De amores em vão,
perdido coração
em eterna espera.
Em cada desilusão
brota por sua mão
a métrica mais bela.
Deixa eternamente,
marcada em toda gente
que gosta e lê ela.
Cada dor pungente,
triste e gemente,
cantada é tão bela.
Pela poetisa triste,
que chora e resiste,
eterna, linda, Florbela.
olhos de azeviche,
lábios de canela.
Sua poesia existe,
em cada alma triste,
inspirada por ela.
De amores em vão,
perdido coração
em eterna espera.
Em cada desilusão
brota por sua mão
a métrica mais bela.
Deixa eternamente,
marcada em toda gente
que gosta e lê ela.
Cada dor pungente,
triste e gemente,
cantada é tão bela.
Pela poetisa triste,
que chora e resiste,
eterna, linda, Florbela.
Amor
Mil faces do amor,
mil faces de alegria e dor
mil faces de classes e de cor,
todos sedentos, despertos e sonolentos,
esperando o amor.
Será que ele é transparente?
Será que não tem cor?
Será que está como indigente,
perdido, inconsciente no meio da gente?
Porque será que tantos o querem?
Porque será que matam, se ferem
depois ficam chorando de dor?
Também quero, procuro, espero,
mas se não aparecer, não erro,
não morro, não mato, não berro,
vivo feliz com flecha de ferro
fincada por dragão,
bem no meio do meu coração
e amo silente, pacienciosamente,
este meu amor platônico,
(da minha alma o único tônico)
mil faces de alegria e dor
mil faces de classes e de cor,
todos sedentos, despertos e sonolentos,
esperando o amor.
Será que ele é transparente?
Será que não tem cor?
Será que está como indigente,
perdido, inconsciente no meio da gente?
Porque será que tantos o querem?
Porque será que matam, se ferem
depois ficam chorando de dor?
Também quero, procuro, espero,
mas se não aparecer, não erro,
não morro, não mato, não berro,
vivo feliz com flecha de ferro
fincada por dragão,
bem no meio do meu coração
e amo silente, pacienciosamente,
este meu amor platônico,
(da minha alma o único tônico)
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Quem sou eu
- Tropeços Literários
- Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...





