9.05.2009

Pretensão

Se sou jogada, atirada,
desvendada. Que queres enfim?

Porque então não dizes a mim?
Porque proclamas, faz loucas tramas
difamas, minha alma inflamas,
a enches de pus.

Coloco triste e negro capuz,
consomes minha parca e rara luz!!!


Porque carrego auto-imposta cruz?
Enjoado gosto de alcazuz...
O negro rosto que não seduz.

Porque? Sempre fui educada,
sempre comedida, medida, cuidada,
Porque dizes que me insinuo?
Pois noturno era meu segredo,
Será que transpareci por medo?
Porque me apontas
ao outro com o dedo?

Não minto, não tenho segredo...
Sou transparente, agora ser silente,
em degredo.

Obrigado, pelo apoptótico fim programado.
Mas estás enganado, nunca pretendi estar a teu lado...

(Talvez para um café, mas nem nisso ponho mais fé...)

Prosopopéia.

A manhã surge luminosa linda esplendorosa e primaveril. O frio escorre, não mais me ocorre, se vai do Brasil. Sinto-me bem, mesmo sem ninguém, me sinto "a mil". Pode ser só novo ciclo, onde eu fico, não mais com frio. Pode ser, pode ser, pode ser...Sempre o "que será que irá acontecer", mas nesta o sol se vai, vida esvai e a alma trai.(O compormisso mortiço de mudar no solstício.)
Sempre um novo princípio, lá adiante, numa nau viajante, distante, inalcansável e errante (que já se foi...). E nessa minha vida de boi, girando a mó, moendo espinho neste triste lírico moinho, minha alma em nó se sente mais perto do dia de virar pó.
Que bom que acordei, olhei o sol, o calor, o mar e despertei. Dormindo estava, há tanto tempo, que me perdi e nem mais sei. Mas sei que agora, justo agora, nesse tempo restante, vejo o sol, o mar distante e a vida, vivida a cada instante.
O Sol de setembro me invade mesmo não querendo, me faz brilho, me diz: - Não há trilho, seja feliz, louca, linda e atriz, te salvastes por um triz deste inverno da alma, não é mais abril (nem tu febril), tenhas mais calma, primaveril ser diletante, chorando com o pseudônimo de alma lírica, sôfrega e amante. Aproveitas agora, não adiante, pois se piscares... a vida passa em um instante!

ANA LYRA

Me veio assim, era para ser uma prosa, mas virou uma prosopopéia...
Enjoy yourself, if you can...

Amor próprio partido.

No sol do mar azul que me perco,
um mol de amor, triste e seco,
me invade tal qual marques de Sade,
me diz amor, dor que não mais arde.

Te aceito, mesmo pouco e rarefeito,
um amor que poderia ser perfeito,
se desfaz, numa luz triste e fugidia,
me desfaz, cresce a cruz, perco o dia.

Mas me chamas, me revolves, me inflamas,
reacendes a sendida longínqua chama.
Te imploro. Me deixes ir, se não me amas!

Mas insistes, persistes em minha cama,
me és triste, perdido tu, em tua fama,
Me amas? Ou só tu, ainda em chamas?

Talvez...

A languidez solstícia primaveril e sensual,
me invade com o vento, o sol e o sal,
ontem foi tormento, dia triste surreal,
hoje levou o vento a terra e o movimento,
para o mesmo porto, aportou novamente a nau.

Seria um novo início, propício e natural?
Ou apenas outro novo pricipício
negra fossa, fossa abissal

Te sinto, mas não mais pressinto,
um momento de conjunção carnal,
talvez se pare o vento
e no Brasil não tenha carnaval.

Talvez siga o lamento,
repetido tormento, rima banal,
talvez seja puro amor, ( meio estranho,
anormal).

Talvez, talvez, talvez...
eu deixe passar minha vez,
recupere de novo a cor da minha tez,
faça tudo, eu fale,eu me cale em bom português,
filosofe em alemão e até em francês,
Talvez quisá, talvez, acabem os porquês!!!!

O dia ressurge.

Tudo passa até a Hiroshima pessoal:
-Foi um fim, me desculpe, não foi por mal
o mundo acabar em cogumelo fatal.

Psicodélico, irreal:foi este o final!
Imaginado, triste, surreal,
apocalipse pessoal...

Mas, calcinados por cogumelo fractal,
os neurônios seqüelados passam mal,
vomitam incoerentes o veneno,
vomitam os líquidos que lhes fazem mal.

"Mas porque plantei entes demônios no teu quintal?
Plantei pensando que eram flores, mas não do mal..."

Desencanto

Triste canto em agonia,
a mais bela das cotovias,
voando em desatino,
amputando destino,
por um fio, que se tornou rio e mar.

Triste sonho de amar,
triste sonho de realidade,
melhor a falsidade,
melhor não falar a verdade...

Melhor fugir
e morrer
para a humanidade.


Pois morta já não existo, exito e não mais insisto, desisto, só sussurro, choro e não mais grito, parada cardíaca em meu peito, pericárdio sangrante, a morte chega em um instante, com faca invisível, aguda que me deixa muda, sufocada, absurda, Ceifada, amputada pela abrupta parada.

Indecente loucura

Apoderas-te da minha mente,
sutil, doce, gentilmente,
a penetras e impetras,
este teu decreto secreto:
"serás minha, um dia neste mundo concreto"

Mas antes, serei louca amante,
vidente, ardente e distante,
sobrenadante na tua loucura,
serei mais doença ou cura?

Se for doença, quero ter a crença
que me cuidarás, me amarrarás, me envenenarás,
me venerarás, me beberás, me trancarás na tua solitária. (distância etária que nos separa e me paralisa)

Será que fui clara?
ou preciso desenhar,
será que estás indeciso
ou farás o que for preciso
para me ganhar?
Não importa,
um dia terás a chave da porta,
(este será teu ofício)
não fugirei, nem pularei
do alto do edifício.
Será que não serei tua hóspede,
em teu particular hospício?
Será que te darei a mão
e nos jogaremos nesse precipicio?

Vem meu colega, me pega,
que te ensino,
vem, fica comigo,
te faz pupilo,
que eu, eu? (...)

Te como à quilo...

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...