8.28.2009

Tempo

Tempo voraz movimento
inclemente nau de momento
de um em um empurra como vento
tempo tempo
constante do movimento
passa um passam mil
e tu sempre
com teu fornecimento
tempo traz junto
o envelhecimento
conhecimento
único e certo remédio
para o sorimento
alimenta tédio
o estagnado acontecimento
tempo
se feliz és rápido
veloz corrimento
se triste lerdo jumento
lesma lenta no sofrimento
tempo
tempo
potente gás
da fornalha do movimento.

coração agonizante

Redução reducionista,
corpo inerte na pista,
atropelado, estatelado,
cuspido escarrado,
coração atropelado...
nu, pelado, fadado,
estropiado,
coração picado,
auto-mutilado,
desnorteado,
fingindo de tingido,
de não dor,
de pecado,
mas ainda,
vivo, relutante,
esmagado,
esperançoso,
expectante,
atropelado...

Por ti meu amor mutilado, amputado, por mim,ser errante, errado...

Volta, desculpa, só um momento reluta, pensa e perdoa
a arguta, essa triste gruta que múltiplica o equivocado pecado de achar que não mereço estar a teu lado.Da-me de novo a mão, aceita meu coração louco, pouco e apaixonado... no meio da pista postado, sonhando em estar a seu lado...Meu lorde que foge do meu pecado: ter-te tido e não ter acreditado...

Hiroshima Pessoal

Tudo passa até a Hiroshima pessoal,
foi um fim, me desculpe, não foi por mal,
o mundo acabar em cogumelo fatal.

Psicodélico, irreal foi este o final,
imaginado, triste, surreal,
apocalipse pessoal.

Mas, calcinados por cogumelo fractal,
Os neurônios seqüelados passam mal,
vomitam incoerentes o veneno
vomitam os líquidos que lhes fazem mal.

Mas porque plantei entes demônios no teu quintal?
Plantei pensando que eram flores, mas não do mal...

Talvez

A languidez solstícia primaveril e sensual,
me invade com o vento, o sol e o sal,
ontem foi tormento, dia triste surreal,
hoje levou o vento a terra e o movimento,
para o mesmo porto, aportou novamente a nau.

Seria um novo início, propício e natural?
Ou apenas outro novo pricipício
negra fossa, fossa abissal

Te sinto, mas não mais pressinto,
um momento de conjunção carnal,
talvez se pare o vento
e no Brasil não tenha carnaval.

Talvez siga o lamento,
repetido tormento, rima banal,
talvez seja puro amor, ( meio estranho,
anormal).

Talvez, talvez, talvez...
eu deixe passar minha vez,
recupere de novo a cor da minha tez,
faça tudo, eu fale,eu me cale em bom português,
filosofe em alemão e até em francês,
Talvez quisá, talvez, acabem os porquês!!!!

8.23.2009

Pequena fresta entre nós.

Pela pequena fresta,
esta fenestra ,
luzidia em minha testa,
deixa-me ver
o futuro.
Me vês e crês que existo,
enquanto ainda exito
em cima do muro.
Pulo, mesmo no escuro,
entro pela janela,
vejo dois corpos,
duas almas,
dois copos,
as mãos unidas em palmas,
sobre os lençóis dos desejos,
desenrolando embrulho de beijos
pacotes cheios de afeto
nossas almas unidas
flutuando, se amando,
sob o mesmo teto,
longe das intranqüilas,
filas e mais filas
de pessoas com triste coração,
perdidas nesse cinza mundo,
triste poço sem fundo,
chamado solidão.

Perda sentida...

Escorrias, como fino líquido não bebido,
entre os dedos de minhas mãos em medo.
Eu corria em desespero, choro e destempero
por não haver percebido o tempo ido
por não ter sentido teu doce aconchego.

A diastase imposta pela distorcida resposta
da auto imagem torcida, retorcida, re-posta,
tosca amostra do meu verdadeiro eu.

Mas já é tarde, perdida viagem,
nem eu tua, nem tu meu, apenas ausência
insone de Morpheu, resultando triste Orpheu,
só flor murcha que antes morta, não floresceu.

Rasgada passagem por minha vida,
agora já esquecida, não mais vinda, só ida
restando só, eu em fera, triste e ferida.

(Universo, me manda um potente verso,
que possa o tempo te voltar!!!
Que possa te dizer o quanto poderia
te amar.
Me dá, te imploro, por mais um segundo,
a ilusão de te ser querida, de pertencer ao teu mundo.
Perdão!!! Perdão!! segura minha mão e não solta!!!
Trás-me a esperança de volta!!! Vence com amor minha revolta!!!)

Mas,me fui sem nunca ter ido, sem ter-te
sem ter um dia tido, a chance de ver-te
vertido em jorro de afeto, desmedido,
sentir teu calor povoando minha libido.

(Então parto-me sem nunca ter-te compartido!!!)

Eu, burra vítima de loucura em insana procura,
para a cura do vício de procurar hospício,
para a habilidade de achar espinho propício,
para por um fim antes do teu ponderado início

Irei perder-te nesse triturado turbilhão?
Irei perder-te, essa única chance em um milhão?

8.20.2009

Um dia após outro dia...

Na bonanza precedida por temporais,
ou em calmarias que circundam os em corais,
a alma passeia resfetela, se refaz
observa a absorta esfera que se desfaz.

E se perde em sensação extasiante,
frente a aquarela exuberante e externa
abre os olhar a alma pobre, que hiberna
dispertando em natureza inebriante.

no vôo belo do falcão mesmo distante
ou no dragão em uma núvem de instante
se desfazendo ao movimento transladante.

e mais uma volta do planeta viajante
salva a alma de um livro na estante,
dormindo agora no colo da mãe gigante.

Quem sou eu

Minha foto
Eu sou o fio que liga os pensamentos... o cio dos momentos de afeto... sou o furo no teto... que deixa ver as estrelas... sou a última... não as primeiras... fico no fim da sala... acalmando a alma... que não cala... silenciosa em desatino... sou as palavras sem destino... voando pela goela... sou a alma que berra... o sentimento insano... sou boneca de pano... na infancia da pobreza... sou o louco que grita... as verdades para a realeza... é sou eu... espelho torto do mundo, amor de Prometeu, fogo ao homem, fome de pássaro pontual e solução de caduceu...